Page 48 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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a Sandra Sousa Castro, et al

              DISCUSSÃO
              A presença de lesões ateroscleroticas oclusivas e ulce-  bula. Ocasionalmente surgem como uma massa pulsátil
              radas nas artérias carótidas cervicais é extremamente  na fossa amigdalina ou faringe. Os aneurismas da artéria
              comurn',",m. Porém a presença destes aneurismas é rara  carótida comum tendem a manifestar-se externamente
              especialmente quando comparada com a frequência de  no pescoço enquanto que os da artéria carótida inter-
              aneurismas que ocorrem no restante sistema arterial'''.  na surgem internamente na faringe'''. Desta forma, os
              Dada a raridade destas lesões é impossível definir a sua  otorrinolaringologistas são frequentemente os primeiros
              verdadeira incidência, contudo estas lesões devem estar  a detectar estas lesões e a presença de uma tumefacção
              sempre presentes no diagnóstico diferencial de massas  crónica unilateral da faringe deve levantar a suspeita de
              cervicais ou na faringe posterior'.               aneurisma especialmente quando os restantes achados
                 Os aneurismas localizam-se preferencialmente na  físicos são bizarros ou atípicos'.
              artéria carótida comum, particularmente ao nível da sua  Quando o estudo imagiológico revela a presença de
              bifurcação, mas podem também ocorrer na artéria caró-  um aneurisma carotídeo o doente deve ser referenciado
              tida interna; os aneurismas da artéria carótida externa  a Neurorradiologia para terapia endovascular com obli-
              são os mais raros. A localização varia consoante a etiolo-  teração do aneurisma ou a Cirurgia Vascular para trata-
              gia; os aneurismas ateroscleroticos geralmente ocorrem  mento cirúrgico'.9. A melhor opção terapêutica deve ter
              proximo a bifurcação carotídea enquanto que aqueles  em conta o tamanho, a localização e a etiologia da lesão
              causados por traumatism° envolvem a artéria carótida  assim como o estado geral do doente'.
              interna na porção cervical alta7,9,10.
                 Existem várias causas para a ocorrência de aneuris-
              mas das artérias carótidas extracranianas e a frequência  BIBLIOGRAFIA
              relativa de cada uma tem mudado ao longo dos anos. A  1. Gourin CG, Johnson JT. Parapharyngeal Space Tumors. eMedicine Specialties -
                                                                 Otolaryngology and Facial Plastic Surgery - Plead and Neck Oncology. August 2005
              aterosclerose é actualmente o processo patológico mais  2. Biswas S, Saha S, Sadhu A. Parapharyngeal Space Lesion. Ind J Radiol hag 2005;
              frequentemente associado aos aneurismas carotdeos  41-46
              estando descrita em média em 40c/0 destas lesões''. O  3. Hughes KV, Olsen KD, McCaffrey TV. Parapharyngeal Space Neoplasms. Head Neck
                                                                 Mar-Apr 1995; 17: 124-130.
              traumatism°, penetrante ou por desaceleração, ao pro-  4. Myers EN, Johnson JT, Curtin HD. Tumors of the Parapharyngeal Space. Cancer of the
             vocar interrupção transmural das carótidas constitui uma  Head and Neck, 3rd ed. Saunders; 1996; 562-585.
              causa importante e de frequência crescente de pseudo-  5. Batsakis J6, Sneige N. Parapharyngeal and Retropharyngeal Space Diseases. Ann Otol
                                                                 Rhinol Laryngol. Apr 1989; 98: 320-321.
              aneurismas7,10. Estes aneurismas também podem ocor-  6. Eisele DE, Netterville .11_, Hoffman HT. Parapharyngeal Space Masses. Head Neck Mar
              rer após procedimentos endovasculares ou cirúrgicos, o  1999; 21 (2): 154-159.
             traumatism° cirúrgico durante amigdalectomia ou dre-  7. Rutherford RB. Vascular Surgery. 5th ed, Saunders; July 2005; 2052-2062
                                                               8. Som PM, Curtin HD. Lesions of the Parapharyngeal Space, Role of MR Imaging.
              nagem de abcesso periamigdalino podem causar a for-  Otolaryngol Clin of North Am. Jun 1995; Vol 28, No 3 515-542.
              mação de pseudoaneurismas'. A presença de tumefac-  9. Tertel KJ, Beydoun NM, Thompson WC. Extracranial Carotid Artery Aneurysm. Ann
             ção pulsátil associada a febre e dor sugere um aneurisma  Otol Rhinol Laryngol 1993; 102:961-963.
                                                               10. Munoz A, Campollo J, Vergas J. Bilateral Internal Carotid Aneurysms Presenting as
              micotico, porém a incidência de aneurismas infecciosos  a Nonpulsatile Parapharyngeal Mass: Complementary Diagnosis by CT, MR Imaging
             diminuiu acentuadamente com o desenvolvimento dos   and Digital Subtraction Angiography. American Journal of Neuroradiology; May
             antibióticos',". Existem outras causas bem documenta-  2001; 22: 864-866.
                                                               11. Heyd J, Yinnon AM. Mycotic Aneurysm of the External Carotid Artery. J Cardiovasc
             das como displasia fibromuscular, necrose cística medial,  Surg. Aug 1994: 35(4): 329-331.
             síndrome de Marfan, arterite de Takayasu ou arteriopa-
             tia medial idlopatica. Os aneurismas carotideos também
             podem ser congénitos7,9,1°.
                 Dada a raridade destas lesões é difícil determinar a
             sua historia natural; contudo estudos recentes demons-
             tram o mau prognóstico de doentes não tratados e en-
             fatizam a alta incidência de sintomas neurológicos rela-
             tando uma incidência de acidentes vasculares cerebrais
             em 50% dos doentes com aneurismas ateroscleroticos,
             a ruptura do aneurisma é rara7,9.
                 A apresentação clínica dos aneurismas carotfcleos
             extracranianos varia consoante a localização, tamanho
             e etiologia',',". Os pequenos aneurismas podem ser as-
             sintomáticos mas a maioria (30%) apresentam-se como
             uma massa cervical pulsátil abaixo do ângulo da mancif-

          46 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CERVICO-FACIAL
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