Page 46 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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• Sandra Sousa Castro, et al

                                                                   Em algumas situações o exame físico sugere a etio-
                                                               logia da lesão; a palpação bimanual permite detectar
                                                               lesões do lobo profundo da glândula parotida, a avalia-
                                                               ção completa dos nervos cranianos pode revelar parali-
                                                               sias que sugerem malignidade ou um paraganglioma, a
                                                               palpação de massas pulsáteis ou auscultação de sopros
                                                               remete para tumores vasculares1,45.
                                                                   O estudo imagiológico é essencial e deve ser rea-
                                                               lizado previamente a biopsia',8. A tomografia compu-
                                                               tadorizada localiza a massa no espaço pre-estiloide ou
                                                               pós-estiloide, detecta a presença de calcificações e o uso
                                                               de contraste permite avaliar a relação com os grandes
             Fig. li  Corte horizontal do espaço parafaringeo: 1- músculo
                                                               vasos; contudo existe o perigo de exposição a radiações
                   pterigoideo medial; 2 — amígdala; 3- apófise estiloide;
                   4- músculo masseter; 5- mandíbula; 6- glândula parátida;  e uso de contraste endovenoso1,6,7. A tomografia pode
                   7- artéria carótida interna; 8 — veia jugular interna; 9- mús-  ser suficiente nas lesões da glândula parotida mas nas le-
                   culo esternocleidomastoideo (Adaptado de Encyclopédie  sões do espaço pós-estiloide ou perante suspeita de ma-
                   Medico-Chirurgicale (Paris) 46-490).        lignidade deve ser realizada uma ressonância magnética.
                                                                Este exame é superior na avaliação das características
              plasias das glândulas salivares correspondem a 40-50%  dos tecidos moles e tem melhor resolução na definição
              das lesões no espaço parafaringeo; o adenoma pleo-  dos grandes vasos1,7,8. A informação obtida na tomo-
              mórfico é a lesão mais frequente e pode ter origem no  grafia e ressonância é complementar pelo que ambas
              lobo profundo da glândula parotida, em restos salivares  devem ser realizadas na avaliação de lesões extensas ou
              ectopicos ou nas glândulas salivares minor da parede fa-  malignas7,8. A angiografia é recomendada na avaliação
              ringea lateral. As lesões neurogenicas são responsáveis  da maioria das lesões vasculares e pode ser combinada
              por 25-30% das tumefacções parafaríngeas, sendo os  com o teste de oclusão para avaliar o fluxo sanguíneo
              schwannomas os tumores mais comuns seguidos dos   cerebraI7,9.
              paragangliomas e neurofibromas. As lesbes linforre-
              ticulares compreendem 10-15% das lesões no espaço  CASO CLÍNICO
              parafaringeo; os gânglios linfáticos podem ter um en-  P.C.A., sexo feminino, 77 anos de idade.
              volvimento primário ou secundário por processos cance-  Recorreu ao Serviço de Urgência de OK do HGSA por
              rígenos, infecciosos ou inflamatórios. Existe urna grande  disfagia com 3 meses de evolução. Apresentava, desde
              diversidade de lesões mais raras que podem também  há 5 meses, queixas de ma adaptação da prótese denta-
              ocorrer neste espaço como aneurismas, malformações  ria à cavidade oral, o que a levou a substituir a mesma,
              artério-venosas, cistos de fendas branquiais, condromas,  com persistência da queixa.
              condrossarcomas, fibrossarcomas, hemangioendotelio-  Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes.
              mas, leiomiomas, lipossarcomas, rabdomiomas ou tera-  Ao exame físico verificou-se a existência de volumo-
              tomas entre outras1,23.5.                         sa tumefacção parafaringea esquerda que atingia a linha
                 A apresentação clinica mais frequente dos tumores  média, não pulsátil. Mucosa sem aparentes alterações
              do espaço parafaríngeo consiste numa tumefacção as-  inflamatórias; observou-se também lesão na proeminên-
              sintomática cervical ou orofaringea que frequentemen-  cia maxilar esquerda (figura 2).
              te é descoberta de forma incidental durante urn exame
              físico de rotina3,5,6. A extensão medial da tumefacção
              para o palato mole e nasofaringe pode causar disfunção
              unilateral da trompa de Eustaquio. As lesões volumosas
              podem causar disfagia, dispneia e apneia obstrutiva do
              sono. A compressão de nervos cranianos pode provo-
              car disfonia, disartria e disfagia; a compressão da cadeia
              simpática cervical pode originar um Síndrome de Horner.
              A dor é rara nas lesões benignas mas pode resultar de
              compressão ou hemorragia no interior da lesão; contudo
              a ocorrência de dor e disfunção neurológica geralmen-
              te indica malignidade com infiltração da base do cra-
              nio3A5,6.                                         Fig. 2 I Doente com volumosa tumefacção parafaringea esquerda.


          44 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CERVICO-FACIAL
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