Page 19 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
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crianças submetidas a avaliação endoscópica respiratórios, tais como estridor intermitente,
da deglutição (FESS) foi de 3 anos e a maioria sibilância ou pneumonia recorrente pode
dos doentes avaliados apresentava patologia dever-se a aspiração crónica durante a
laríngea, o que vai de encontro à literatura alimentação. A FEES é valiosa na avaliação
pesquisada. da fase faríngea da deglutição, fornecendo
As causas de alterações da deglutição na informação sobre a anatomia, fisiologia,
infância são muito variáveis e quase todos os sensibilidade da faringe e laringe, integridade
problemas relacionados com a alimentação da proteção da via aérea e capacidade de
são multifactoriais. Cerca de 80% das crianças eliminação de secreções. 1,2,4 Baseando-se na
com atraso de desenvolvimento podem ter observação da deglutição de alimentos de
dificuldades na alimentação. A maioria dos diferentes consistências/texturas durante
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doentes com distúrbios alimentares graves uma laringoscopia flexível, é considerado um
tem patologia médica e/ou alteração do exame minimamente invasivo, podendo ser
desenvolvimento associada, congénita e/ou realizado à cabeceira do doente, em crianças
adquirida: patologia estrutural do sistema de todas as idades, inclusivamente durante a
aerodigestivo, doenças neuromusculares/ amamentação 3,10,11 , permitindo avaliar a parte
perturbações de desenvolvimento, doenças sensitiva da deglutição.
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genéticas, patologias cardiorrespiratórias, A avaliação objetiva em crianças com disfagia
gastrointestinais e metabólicas. 4,6 Neste é importante pois existe elevada incidência de
trabalho, 28% das crianças com alterações aspiração silenciosa. A avaliação endoscópica
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da deglutição apresentava dois ou mais da deglutição é importante quando existe
diagnósticos simultâneos nas várias categorias suspeita de alterações como resíduo alimentar,
etiológicas. Os distúrbios da deglutição são penetrância ou aspiração laríngea. Neste
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comuns em crianças com laringomalácia, trabalho estes parâmetros foram avaliados
independentemente da gravidade da doença em todos as FEES realizadas, permitindo tecer
ou da presença de outras comorbilidades recomendações para otimização máxima da
associadas. Mesmo sem sintomas de disfagia, via oral, minimizando os riscos de morbilidade
estas crianças muitas vezes apresentam pulmonar por aspiração.
estudos da deglutição anormais. Dos doentes O método considerado gold standard para
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avaliados, a laringomalácia foi um diagnóstico avaliação deste tipo de distúrbios continua a
associado em 39% dos doentes. ser a videofluoroscopia da deglutição (VFD),
A disfagia pode ser classificada em na qual se apresenta à criança alimentos
disfagia orofaríngea e disfagia esofágica. A misturados com bário, com diferentes
disfagia orofaríngea refere-se à dificuldade consistências. As imagens radiográficas são
na transferência do bolo alimentar da posteriormente visualizadas permitindo a
cavidade oral até ao esófago e pode dever- avaliação dinâmica da anatomia e fisiologia
se a patologia muscular, de inervação, ou das quatro fases da deglutição. 1–3,6 Este
a defeitos estruturais da cavidade oral, da exame, apesar de não invasivo, tem contudo
faringe e do esfíncter esofágico superior. a desvantagem de expor a criança a radiação. 5
Os sintomas/sinais relacionados com a fase Durante a realização do próprio exame é
orofaríngea da deglutição são a dificuldade possível adotar estratégias terapêuticas,
em iniciar a deglutição, engasgamento ou alterando a consistência alimentar para
tosse durante a alimentação e sensação de uma que seja melhor tolerada e que não
alimento na garganta após várias deglutições. dê sintomas de aspiração, por exemplo, ou
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Neste trabalho, na maioria dos casos, o realizando mudanças de posição ao nível da
sinal que motivou a avaliação por FEES foi o cabeça que melhorem a disfagia, o que é
engasgamento durante a alimentação. seguramente uma vantagem.
Importa referir que uma história de sintomas A decisão relativamente à realização da VFD
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