Page 16 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
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de acordo com a patologia em causa, podendo- avaliação. A sintomatologia mais frequente foi
se, inclusivamente, infirmar relativamente o engasgamento durante a alimentação, que
à presença ou não de resíduo oral e/ou ocorreu em 76% dos casos. Para além deste, 9
faríngeo após a deglutição, regurgitação doentes (52%) apresentaram também queixas
nasofaríngea, aspiração traqueal e até refluxo de disfagia, 4 doentes apresentaram recusa
gastroesofágico e o momento preciso da sua alimentar (24%) e em 3 casos (18%) havia
ocorrência. A presença ou ausência do reflexo suspeita de patologia laríngea associada.
de tosse também pode ser avaliada. A fase Dos 23 doentes que realizaram VFD, 65% eram
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orofaríngea da deglutição dura menos de do sexo masculino e 35% do sexo feminino,
2 segundos, pelo que a possibilidade de se com idades mínima e máxima de 1 mês e 12
poder reproduzir as imagens colhidas, para anos, respetivamente, com uma média de
posterior análise, é considerada uma mais idades de 3 anos.
valia para o diagnóstico e discussão clínica Nas crianças que realizaram VFD, e à
das crianças com distúrbios da deglutição. A semelhança das crianças que realizaram
VFD deverá simular uma refeição normal, pelo FEES, a sintomatologia mais frequente foi
que deve ser realizado em pé ou na posição o engasgamento durante a alimentação,
sentada. No caso de lactentes, estes poderão ocorrendo em 60% dos casos. Para além deste,
ficar levemente reclinados. 8 doentes apresentaram recusa alimentar
Os procedimentos seguidos estão de acordo (34%) e em 2 casos (9%) havia história de
com os regulamentos estabelecidos pelos pneumonias de repetição.
diretores da Comissão para Investigação Não reportámos complicações associadas
Clínica e Ética e de acordo com a Declaração ao procedimento, no que respeita à FEES ou
de Helsínquia da Associação Médica Mundial. à VFD, tendo o exame sido descontinuado
sempre que ocorreu aspiração laringo-
Resultados traqueal significativa.
No período de 2018-2020, foram avaliadas 278 Das 71 crianças com alterações da deglutição,
crianças na consulta de laringe. Destas, apenas 28% apresentava dois ou mais diagnósticos
26% (n= 71) revelaram alterações da deglutição, simultâneos nas seguintes categorias etiológicas:
amostra sobre a qual incidirá a nossa análise. neurológica, alteração estrutural, patologia
Nesta amostra o intervalo de idades variou cardiorrespiratória, genética, gastrointestinal
entre os 0 e os 18 anos. Nem todas as crianças e metabólica. Dentro destas categorias,
que apresentaram alterações da deglutição ao a alteração estrutural foi a causa mais
longo do período de seguimento realizaram comumente identificada com o diagnóstico
exames complementares de diagnóstico, de laringomalácia associado a 39% dos casos.
maioritariamente pela não persistência das No que respeita aos diagnósticos associados,
queixas por um período de tempo superior a nas 17 crianças que realizaram FEES, verificou-
3 meses. A FEES foi realizada em 17 crianças se que 35% das crianças apresentava mais do
(24%) e a VFD em 23 crianças (32%), sendo que que uma patologia.
7 crianças (10%) realizaram ambos os exames. Neste grupo, em 35% dos casos verificou-se
Dos 17 doentes que realizaram FEES, 53% eram presença de patologia laríngea estrutural,
do sexo masculino e 47% do sexo feminino, nomeadamente, laringomalácia e parésia
com idades mínima e máxima de 5 meses e de corda vocal. Por ordem decrescente de
16 anos, respetivamente, com uma média de frequência: 3 doentes (18%) apresentavam
idades de 3 anos. patologia neurológica com perturbação do
Nas crianças que realizaram FEES, todas desenvolvimento psicomotor; 2 crianças (12%)
apresentaram sintomatologia compatível apresentavam doença genética (trissomia 21
com distúrbio da deglutição, tendo, por e síndrome de Aicardi-Goutières), 2 crianças
vezes, mais do que um sintoma a motivar a apresentavam patologia cardiorrespiratória
172 Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço

