Page 17 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
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e  outras 2  crianças  apresentavam  patologia    schwannoma do ângulo ponto-cerebeloso
          gastrointestinal  (esofagite  eosinofílica  e     esquerdo,    com     queixas    de    disfagia,
          refluxo gastrointestinal). Apenas 1 doente (6%)   engasgamento e regurgitação nasal desde a
          apresentava doença metabólica com alteração       intervenção cirúrgica para remoção do tumor.
          mitocondrial. Em três casos foi necessária a      Foi colocada sonda nasogástrica (SNG) para
          alimentação por sonda nasogástrica de forma       alimentação.
          parcial ou total.                                 No  exame  otorrinolaringológico  e  FEES
          Apresentam-se dois casos clínicos que             verificou-se  paresia  do  palato  mole  à
          reforçam a utilidade e exequibilidade da FEES     esquerda, impedindo a oclusão do palato,
          em diferentes idades pediátricas. Os dois         estase  salivar  acentuada  com  deficiente
          casos realizaram também VFD que fornece           limpeza de secreções após uma deglutição
          informações complementares ao exame               e aparente aspiração das mesmas. As cordas
          endoscópico.                                      vocais não apresentavam alterações de
                                                            mobilidade. Apresentava franca diminuição
          Caso Cínico nº1:                                  da sensibilidade faríngea e laríngea, com
          Sexo masculino, 10 anos, diagnóstico de           diminuição do reflexo da tosse.
                                                            Foi testada consistência pastosa que verificou
                                                            resíduo alimentar abundante, penetrância
          Figura 1
          FEES inicial caso nº1                             laríngea, mesmo após sucessivas deglutições.
                                                            (Figura 1)
                                                            Foi acompanhado pela terapia da fala para
                                                            treino de deglutição, tendo melhorado
                                                            progressivamente ao  longo de  3 meses.
                                                            Repetiu a avaliação por FEES, que mostrou
                                                            diminuição da estase salivar, com manutenção
                                                            de resíduo alimentar que desaparece após
                                                            sucessivas deglutições e pouca penetrância
                                                            laríngea.  Não  foi  verificada  aspiração  laringo-
                                                            traqueal e foi possível retirar SNG em segurança.
                                                            (Figura 2)
                                                            Oclusão incompleta do palato mole (imagem
                                                            1.1); estase, penetrância e aspiração de
                                                            secreções para a glote na região aritenoideia
                                                            e comissura posterior (imagem 1.2); resíduo
                                                            e penetração de  conteúdo  alimentar  sem
                                                            limpeza mesmo após sucessivas deglutições
                                                            (imagem 1.3 e 1.4)
                                                            Fase oral com características adequadas
                                                            (imagem 3.1); transição orofaríngea com
           Figura 2                                         escape posterior, com atraso na elevação
           FEES após treino da deglutição caso nº1          do complexo hio-laríngeo (imagem 3.2);
                                                            Insuficiência  velo-faríngea,  com  refluxo  de
                                                            contraste para a nasofaringe (imagem 3.3);
                                                            Segmento faringo-esofágico com moderada
                                                            alteração da contractilidade, com exuberante
                                                            estase a nível valecular e dos seios piriformes
                                                            (imagem 3.4).





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