Page 44 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
P. 44

pacientes (30,2%), em quarto lugar como sintoma mais   se a distribuição por localização primária dos 96 novos
          comum aparece a tumefacção/massa cervical descrito   casos.
          em 21 doentes (21,9%), perda ponderal referida por   No que respeita à localização específica, a maioria dos
          18 pacientes (18,4), depois a otalgia reflexa (15 casos,   tumores da cavidade oral (n-8) teve origem no bordo
          15,6%)  e  finalmente  dispneia,  que  se  foi  referida  na   lingual, 7 (87.5%), e apenas 1 teve origem no trígono
          altura do diagnóstico por 10 pacientes (10,4%).   retromolar.  Dos  11  tumores  da  orofaringe  6  tiveram
          O tempo médio entre o início dos sintomas e a procura/  origem nas amígdalas palatinas e 5 na base da língua.
          referenciação a consulta oncológica de ORL foi de 9,34   Já os tumores da hipofaringe (n-11) pertenciam quase
          meses, com mediana de 4 meses e desvio padrão de   todos ao seio piriforme (81,8%, n-9) e apenas 2 tiveram
          16,12 meses.                                      origem na parede posterior, 1 dos quais se estendia até
          Quanto á referenciação à consulta oncológica esta foi   ao esófago cervical. Dos 38 tumores da laringe, 18 (n-
          realizada pelo Serviço de urgência de ORL em 32 casos   47,3%) tiveram origem nas cordas vocais, 7 (18,4%) nas
          (33,3%), pelo médico de família em 29 casos (30,2%),   bandas ventriculares, 5 (13,2%) na epiglote, 5 (13,2%)
          através de uma consulta privada de ORL em 12 casos   nas pregas ariepiglóticas, 2 (5,3%) na comissura anterior
          (12,5%), por outras especialidades hospitalares em   e 1 (2,6%) na subglote.
          9 casos (9,4%), 4 casos (4,2%) já eram seguidos em   Na  subcategoria  localização  primária  ‘Outra’,
          consulta  ORL  por  outros  motivos  tais  como  laringite   responsável por 9,4% dos casos, categorizaram-se
          crónica ou pólipos das cordas vocais, 4 casos (4,2)   5 casos de linfoma não-Hodgkin cuja manifestação
          foram referenciados à nossa consulta evacuados    inicial foi uma adenopatia cervical, 1 caso de Linfoma T
          dos  PALOP  e  3  casos  (3,1%)  foram  diagnosticados  e   periférico e outro de Leucemia que se apresentaram da
          referenciados à consulta através do rastreio da voz de   mesma forma, uma neoplasia do esófago cervical e uma
          2011. Na tabela 1 encontram-se o tempo médio entre   da região submentoniana.
          o início dos sintomas e a consulta de ORL consoante a   A  predominância  do  sexo  masculino  verificou-se  para
          referenciação.                                    os tumores em todas as localizações, com excepção dos
          Relativamente à localização primária a Laringe foi o local   tumores da tiróide onde se verificou uma predominância
          primário mais comum, responsável por 39,6% (n-38) dos   do sexo feminino (5 versus 2 casos), dos tumores das
          novos casos diagnosticados, imediatamente seguida da   glândulas  salivares  onde  se  diagnosticou  apenas  um
          orofaringe e da hipofaringe, cada uma responsável por   caso numa mulher e dos tumores da nasofaringe, com 2
          11,5% (n-11) dos novos casos. No gráfico 1 encontra-  tumores diagnosticados no sexo feminino contra apenas
                                                            1 diagnosticado no sexo masculino.
          GRÁFICO 1                                         No que concerne ao estadiamento, a maioria, 54,2%
          Distribuição dos novos casos de neoplasias segundo a localização   dos casos apresentaram-se em estadios avançados, III e
          primária                                          IV, na altura do diagnóstico. Particularmente os tumores
                                                            da laringe (n-38), na altura do diagnóstico 10 eram T1, 6
                                                            T2, 13 T3 e 9 T4, ou seja, 36,8% pertenciam ao estadio
                                                            I E II e 63,2% já se encontravam em estadio III e IV
                                                            quando foram diagnosticados. Os tumores da cavidade
                                                            oral (n-8) dividiram-se entre os estadios iniciais e os
                                                            avançados, com 3 tumores T1, 1 T2, 1 T3 e 3 T4. Já nos
                                                            tumores da orofaringe (n-11) predominaram os tumores
                                                            diagnosticados  em  estadio  avançado,  com  2  tumores
                                                            sendo T1 na altura do diagnóstico, 1 T2, 6 T3 e 2 T4. O
                                                            mesmo se verificando com os tumores da hipofaringe
                                                            (n-11), com 1 tumor classificado com T1 ao diagnóstico,
                                                            3 classificados com T2, 4 como T3 e 3 como T4.
                                                            Em  15,6%  (n-15)  dos  casos  não  foi  possível  definir  o
                                                            estadiamento, nomeadamente nos casos de neoplasias
                                                            de primário desconhecido, localização primária definida
                                                            como  outra  e  em  um  caso  de  neoplasia  confinada
                                                            ao septo nasal. A distribuição dos casos segundo o
                                                            estadiamento encontra-se descriminada na tabela 2.
                                                            Em relação ao consumo de tabaco e álcool 61,5%
                                                            dos pacientes são tabagistas e 62,5% alcoólatras,
                                                            sendo que em 48,9% dos pacientes estes dois hábitos
                                                            combinavam-se. Nas tabelas 3  e 4 encontra-se a
                                                            distribuição quanto aos hábitos tabágicos e etílicos dos
                                                            96 casos. Apenas 5 pacientes (5,2%) eram consumidores

      162  REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL
   39   40   41   42   43   44   45   46   47   48   49