Page 44 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. Jacinta Borges, et al


            crianças que falhassem nessa primeira fase. Estes auto-  REFERÊNCIAS
            res obtiveram uma taxa de falsos positivos de 3,5% na   1.  Northern J; Downs M: Hearing in Children. 5nd. , USA,Copyright Lippin-
                                                                cotts Williams&Wilkins; 2002.
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            primeira fase do rastreio .                       2.  Puig T, Municio A, Meda C: Universal neonatal hearing screening versus
                Noutro  estudo  realizado  nos  Estados  Unidos  da   selective screening as part of the management of childhood deafness,
                                                                Cochrane Database of Systematic Reviews, (2): CD 003731; 2005.
            América, mais concretamente no Estado do Colorado,   3.  Rodrigues P: Surdez Infantil: Rastreio e Perspectivas Médicas, in Perspec-
            todas as crianças nascidas entre 1992 e 1999 foram ras-  tivas na Integração da Pessoa Surda, (Coordenação Rui Nunes), Gráfica
                                                                de Coimbra, Coimbra; 2000: 21-80.
            treadas num total de 148.240. A percentagem de falsos
                                                              4.  Joint Committee On Infant Hearing 1994: Position Statement (on line),
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            positivos encontrada foi de 2,2% .                  1994,  (consultado  em  Maio  de  2005).  Disponível  em:  www.jcih.org/
                A existência de falsos positivos pode despoletar nos   JCIH1994pdf.
                                                              5.  Joint Committee On Infant Hearing 2000: Position Statement: Principles
            pais momentos de ansiedade, interferindo supostamen-  and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs,
            te na relação de afectividade entre estes e o seu filho,   Paediatrics, Vol. 106, Nº 4, 2000 (on line), 2004 Oct, (consultado em
                                                                Maio de 2005). Disponível em: www.jcih.org/JCIH2000pdf.
            na medida em que um teste positivo para a deficiência   6.  American Academy of Pediatrics Newborn and Infant Hearing Loss: De-
            auditiva pode transtornar a harmonia da família e con-  tection and Intervention, Pediatrics, 1999;103: 89-105.
                                                              7.  Clemns C; Davis S; Bailey A: The false-positive in universal newborn he-
            dicionar o seu futuro. Foi estudado o impacto dos falsos   aring screening, Pediatrics; 2000 Jul; 106 (1): E7.
            positivos num programa de RANU, concluindo que 9%   8.  Kennedy C; KimmL; Thornton R; Davis A: False positives in universal ne-
                                                                onatal screening for permanent childhood hearing impairment, Lancet
            das  mães  começaram  a  perspectivar  o  seu  filho  como
                                                                2000; 356 (9245):1903-4.
            uma criança “diferente” e 14% delas relataram que fi-  9.  Mason JA; Herrmann KR: Universal infant hearing screening by automa-
            caram extremamente ansiosas até o seu bebé repetir o   ted auditory brainstem response measurement, Pediatrics, 1998; 101(2):
                                                                221-8.
            teste. Neste sentido, os autores recomendam a repetição   10.  Mehl AL; Thomson V: The Colorado newborn hearing screening pro-
            do teste imediatamente após a alta hospitalar, de modo   ject, 1992-1999: on the threshold of effective population – based uni-
                                                                versal newborn hearing screening, Pediatrics. 2002; 109 (1): E7.
            a esclarecer os casos positivos. Adiantam ainda, que a   11.  Monteiro L; Calado V: Como Organizar um Rastreio Universal de Audi-
            percentagem  de  casos  positivos  reduz  drasticamente   ção Neonatal, Revista Portuguesa de ORL, 2001;39(1):27-38.
            neste segundo teste . A mesma opinião é partilhada por
                             7
            outros investigadores, ao afirmar que a percentagem de
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            falsos positivos precisa de ser reduzida .
                A metodologia adoptada por nós paraceu-nos ade-
            quada,  já  que  o  reteste,  executado  às  duas  semanas
            permitiu eliminar os falsos positivos, e assim diminuir a
            angústia dos pais.
                Tendo  em  consideração  que  a  idade  do  diagnós-
            tico  da  deficiência  auditiva  é  fundamental  para  o  de-
            senvolvimento linguístico, cognitivo, emocional e social
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            da criança , torna-se imperativo continuar a instituir de
            forma sistemática o RANU, independentemente das difi-
            culdades inerentes ou que ainda possa surgir, de forma
            a diagnosticar a deficiência auditiva antes dos três meses
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            de idade e intervir antes dos seis meses .
                Convém  ressalvar  que  para  a  implementação  do
            RANU, devem ser assegurados todos os procedimentos
            inerentes a este processo, nomeadamente a intervenção
            e o seguimento clínico, educacional e psicológico, não
            só das crianças (as principais beneficiários do processo)
            mas, também, das suas famílias.
                Este artigo surge como um meio de partilha da nos-
            sa experiência, ainda que reduzida, por forma a incen-
            tivar a implementação do RANU noutras instituições de
            saúde  públicas  e  privadas.  Apelamos  ao  envolvimento
            dos  profissionais  em  causa,  das  autoridades  de  saúde
            pública e da sociedade em geral, de modo a que o RANU
            seja considerado como uma das prioridades do sistema
            de saúde português.





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