Page 42 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. Jacinta Borges, et al
INTRODUÇÃO Ao longo destes meses deparamo-nos com algumas
A audição é um dos sentidos mais importantes para a vida dificuldades, podemos chamar-lhe “resistência à mu-
humana. É a chave para a linguagem verbal. Através dela dança”.
relacionamo-nos com o mundo exterior, tornamo-nos ca- Por razões de ordem prática, a maioria dos Neonato-
pazes de (re)conhecer sons agradáveis, ameaçadores, rít- logistas pediram que o Rastreio fosse realizado a todos
micos ou simplesmente identificadores . os “seus recém-nascidos”, evitando assim o pedido indi-
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Estima-se que a probabilidade de ocorrer uma surdez vidual repetido para cada um.
de grau profundo no recém-nascido, seja de um a dois Devido à precocidade do rastreio, acontece por ve-
por cada mil. Este número aumenta de forma alarmante zes que alguns pais não se sentem suficientemente es-
para vinte a quarenta vezes mais, se considerarmos os clarecidos sobre o exame.
recém-nascidos com factores de risco para a surdez, isto Por sugestão de alguns Neonatologistas e também
é, que tenham passado por uma Unidade de Cuidados de alguns pais, foi decidido entregar a todos os pais uma
Intensivos. Estes factos fazem da surdez um verdadeiro carta esclarecedora e um folheto informativo. Aprovei-
problema de saúde pública . támos a mesma carta para efectivar o consentimento do
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Perante tais dados, foram várias as entidades inter- rastreio, pois só através deste é que o bebe é incorpora-
nacionais que propuseram programas de rastreio de sur- do no programa de RANU.
dez. Destacam-se o Joint Committee on Infant Hearing O programa de Rastreio Auditivo Neonatal Univer-
que, desde 1972, apresentou uma lista dos factores de sal – RANU – foi iniciado no fim de Maio de 2006. Ao
risco susceptíveis de provocar surdez . longo destes 12 meses fomos aperfeiçoando o rastreio
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Em 1993 o National Institute on Deafness and Other nas suas diversas vertentes – humana, técnica e admi-
Communication Disorders (National Institutes of Health- nistrativa.
USA, 1993), realizou o “Consensus Statement on Ear- Após doze meses de Rastreio Auditivo Neonatal Uni-
ly Identification of Hearing Impairment in Infants and versal no Hospital da Ordem do Carmo podemos refe-
Young Children” onde concluiu que todas as crianças rir que as dificuldades ainda existem apesar de estarem
com internamento nas Unidades de Cuidados Intensivos mais diluídas graças aos esforços inexcedíveis dos pro-
Neonatais devem ser submetidas a rastreio de surdez an- fissionais envolvidos neste projecto, pertencentes aos
tes da alta hospitalar. O rastreio dos grupos de risco para Serviços de Neonatologia/Pediatria e ORL.
a surdez só identifica 50% de todos os surdos .
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O Joint Committée on Infant Hearing, no ano de METODOLOGIA
1994, mencionou os indicadores de risco para a surdez, Procedeu-se à recolha da amostra constituída por 367
referindo também, a necessidade de realizar um Rastreio Récem-Nascidos que nasceram no Serviço de Obstetrícia
Auditivo Neonatal Universal (RANU) preferencialmente do Hospital da Ordem do Carmo no período compreen-
antes dos três meses de idade, de modo a que a inter- dido ente Junho de 2006 e Junho 2007, tendo-se avalia-
venção ocorra antes dos seis meses. Seis anos mais tarde do as seguintes variáveis: sexo e dia de vida à data da re-
surge a revisão desse documento, na qual se recomen- alização (idade, em dias, da realização) das Otoemissões
da, já com um carácter de obrigatoriedade, que o diag- Acústicas, evocadas por produtos de distorção (rastreio)
nóstico da surdez seja realizado antes dos três meses de e os resultados do respectivo teste de rastreio.
idade, para que a intervenção ocorra até aos seis meses. Foram consideradas duas fases distintas, a primeira fase
Isto porque, uma criança (re)habilitada depois dos seis consistiu na realização de Otoemissões Acústicas de rastreio
meses de idade, sentirá um maior impacto da surdez aos Récem-Nascidos, antes da alta hospitalar e a segunda
seja ao nível linguístico, cognitivo, emocional ou social . fase consistiu, de igual modo na realização de Otoemissões
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O principal objectivo dos programas de RANU é a Acústicas de rastreio aos Récem-Nascidos que “falharam”
detecção precoce da surdez, com vista à realização de a primeira fase do rastreio. Esta segunda fase foi executada
todo um processo de (re)habilitação, no mais curto es- duas semanas após a primeira fase (fig 1).
paço de tempo possível.
É neste contexto que se levantam inúmeras questões RASTREIO A TODOS OS
RECÉM-NASCIDOS
nomeadamente a que se prende com a equidade no aces-
NÃO PASSOU,
so das crianças portuguesas, já que a grande maioria dos PASSOU NOVO RASTREIO
países da Europa têm programas de RANU instituídos,
PASSOU NÃO PASSOU
para já não considerarmos a situação dos Estados Unidos
da América onde o RANU é obrigatório na maioria dos RECONFIRMAR
RESULTADOS
estados. Segundo Northern et al, mais de 22 estados ame-
ricanos contemplavam programas efectivos de RANU . Fig. 1 | Esquema do programa de RANU.
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