Page 38 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. Ricardo Vaz, et al
HZO ficam com maiores sequelas de paralisia facial e
Limiares auditivos (média)
com pior prognóstico que os doentes com paralisia facial
Hz
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500 1000* 2000* 4000* 6000* 8000* idiopática. Nomeadamente, no estudo desenvolvido
0
pelo mesmo autor, ficou demonstrado que 84,61% dos
10
doentes com HZO e 96,36% dos doentes com paralisia
28
20
31 facial idiopática tinham uma graduação de House-Brack-
30 34
dB 30 mann inferior a II. Comparativamente, na presente série,
40 32 48
50 71,43% dos nossos doentes ficaram com paralisia facial
39 56
50 inferior a grau II, o que revela uma taxa de recuperação
51
60 ligeiramente inferior.
58
62
70 No que respeita à avaliação audiométrica, vários
HZOint C Actual estudos 8,14 sugerem um componente de envolvimento
coclear ou retro-coclear, sendo o atingimento bilateral
FIG. 3 | Comparação da média dos limiares auditivos do ouvido igualmente possível. A hipoacusia é frequente em doen-
afectado no episódio inicial e à data da avaliação. dB: deci-
bel. Hz: hertz. tes com HZO, a as incidências parecem diferir entre os
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vários estudos. Procurou-se estabelecer uma compara-
ção entre a avaliação audiométrica dos nossos doentes
Os valores da escala FaCE e do SAQ variam entre 0 com a avaliação em doentes com HZO desenvolvida por
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e 100%. Na escala FaCE em termos funcionais de pior Kaberos , cujos resultados estão sumariados na tabela
para melhor. Pelo contrário, no SAQ valores mais eleva- 4. Deste modo, pode-se constatar que os limiares audi-
dos traduzem grau correspondente de sincinésia. Obser- tivos do ouvido afectado são semelhantes. Todavia no
va-se que, em média, a limitação dos movimentos faciais presente estudo, os limiares auditivos do ouvido normal
e o desconforto ocular correspondem às principais quei- são superiores, traduzindo um menor diferença entre o
xas dos doentes. No entanto, os doentes atribuem me- ouvido afectado e o normal, quando comparando o nos-
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nor impacto à disfunção facial em termos sociais, apre- so estudo e o do referido autor. Possivelmente, a popu-
sentando uma média elevada (87,5%). Globalmente, lação mais envelhecida no nosso estudo poderá justificar
a soma da totalidade dos itens avaliados é, em média, um maior atingimento do ouvido normal e consequen-
muito satisfatória, aproximando-se dos 70%. O valor, temente a menor diferença.
em média, do grau de sincinésia foi de 34,7%.
A comparação das diferentes variáveis com a classifi-
cação de House-Brackmann através do teste de Kruskal-
Wallis revelou uma correlação negativa entre valores dos PRESENTE ESTUDO KABEROS, 2002
itens da escala FaCE e a classificação de House-Brack- N=14 N=15
mann atribuída em cada doente. Uma correlação positi- Limiares
auditivos Afectado* Normal* Diferença Afectado* Normal* Diferença
va verificou-se entre esta última e os valores da avaliação (Hz)
da sincinésia (SAQ). 500 28 21 7 39 17 22
1000 32 20 12 31 13 18
2000 39 24 15 43 18 25
DISCUSSÃO
4000 51 41 10 53 22 31
Os doentes com HZO apresentam, classicamente, otal-
6000 58 44 14 - - -
gia, paralisia facial, erupção herpética nas aurículas e
disfunção vestibulo-coclear. 8000 62 45 17 63 26 37
No nosso estudo, cerca de 60% dos doentes tinham
Tabela 4 | Comparação dos valores dos limiares auditivos do ouvido
mais de 50 anos e não se encontraram diferenças relati- afectado e normal entre o presente estudo e o estudo de
vamente ao sexo, o que se enquadra com resultados de Kaberos . *: média
14
estudos prévios. 10
O envolvimento vestibular no HZO pode ser severo Uma das sequelas que a paralisia dos músculos da
e os problemas de desequilíbrio no idoso são, com fre- mímica facial pode gerar consiste em perturbações de
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quência, incapacitantes. Curiosamente, cerca de 40% índole social. Não é raro os doentes referirem preocupa-
dos doentes na presente série queixava-se de vertigens/ ção com prognóstico da sua doença e qual a sua evolu-
desequilíbrio, mas nenhum deles as descreveu como in- ção. Neste contexto, o nosso estudo também pretendeu
capacitantes. avaliar as sequelas a médio/longo prazo do HZO.
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Por outro lado, segundo Yeo et al, os doentes com Após a validação dos inquéritos FaCE e do SAQ ,
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