Page 36 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. Ricardo Vaz, et al

            damente no espiral e vestibular, originando neste caso,   1000, 2000, 4000, 6000, 8000 Hertz foram registados.
            segundo os autores maior disfunção cócleo-vestibular.    Foi elaborado um inquérito de avaliação simultânea
                                                          8,9
            Outros estudos descrevem uma possível dispersão do ví-  da  qualidade  de  vida  pós-paralisia  facial  baseado  na
            rus para os componentes vestibulo-cocleares ou através   escala FaCE (Facial Clinimetric Evaluation)  e da sinci-
                                                                                                  19
            de infecção das células ciliadas na cóclea e vestíbulo a   nésia baseado no Synkinesis Assessment Questionnaire
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            partir da mucosa do ouvido médio. 4,5             (SAQ).  O mesmo foi enviado para o domicílio dos doen-
                O HZO atinge preferencialmente pessoas imunode-  tes e devolvido à nossa instituição. A escala FaCE é com-
            primidas sendo o stress físico e emocional factores preci-  posta por 15 itens que avaliam 6 domínios de disfunção
            pitantes 6,10 , aliás como acontece na reactivação do vírus   facial: movimentos faciais; conforto facial; função oral;
                                                                                                       19
            herpes noutros gânglios originando a denominada zona   conforto ocular; controlo lacrimal e função social.  Esta
            no respectivo dermátomo.                          escala  carece  de  avaliação  do  grau  de  sincinésia,  pelo
                O  quadro  clínico  pode  ser  mais  extenso  do  que  o   que  se  decidiu  incluir  o  SAQ.  Este  último  inclui  nove
            definido classicamente por Ramsay Hunt. Pode caracte-  questões que incidem sobre a sincinésia facial. 20
            rizar-se pelo aparecimento unilateral de paralisia facial   Os dados recolhidos foram submetidos a análise esta-
            periférica, otalgia e vesículas ou crostas no pavilhão au-  tística de variáveis qualitativas e quantitativas. Foi utilizado
            ricular, boca ou face. Outros sintomas descritos são as   o teste não-paramétrico Wilcoxon signed-rank test para
            vertigens, compromisso auditivo, ocular e o envolvimen-  a comparação dos limiares auditivos durante o episódio
            to de outros nervos cranianos (V, IX e o X), bem como   e actualmente. Para a avaliação da resposta ao inquérito
            raízes cervicais (C2-C4).  10,11,14,15            pelos doentes utilizou-se o teste de Kruskall-Wallis.
                A idade, diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial
            e a vertigem associada são factores que influenciam o   RESULTADOS
            prognóstico do HZO. 12                            Foram  identificados  23  doentes,  11  do  sexo  feminino
                Tradicionalmente, esta síndrome tem sido reputada   (47,8%) e 12 do masculino (52,2%). A idade dos do-
            de prognóstico reservado no que respeita à recuperação   entes variou entre os 15 anos e os 82 anos, sendo que
            funcional da mímica facial e de disfunção vestibulo-co-  65,2% dos doentes tinha mais de 50 anos e a mediana
            clear. 3,12,13,16,17  A disfunção da musculatura facial associa-  de idades foi de 54 anos.
            da a este síndrome pode causar perturbações de ordem   Neste estudo 43,5% (10) dos casos tinham patolo-
            estética e psicológica. 12                        gia cardiovascular, apenas 13% (3 doentes) tinham Dia-
                O  presente  estudo  pretendeu  analisar  os  casos  de   betes mellitus.
            doentes internados no Hospital de São João com o diag-  No que diz respeito à sintomatologia, o lado esquer-
            nóstico clínico de HZO nos últimos 12 anos e avaliar a   do esteve envolvido em 11 casos, o direito em 12, não se
            recuperação funcional dos mesmos.                 verificando atingimento bilateral. Apenas quatro doen-
                                                              tes (17,4%) tinham queixas de vertigem/desequilíbrio. A
            MATERIAL E MÉTODOS                                otalgia foi mencionada por 10 doentes (43,5%). Todos
            O estudo consistiu numa análise retrospectiva dos doen-  tinham no mínimo uma forma de apresentação clínica e
            tes com diagnóstico clínico de HZO internados no Ser-  a maioria apresentava vesículas herpéticas no pavilhão
            viço de Otorrinolaringologia do Hospital de S. João no   auricular  (Tabela  1).  Nenhum  dos  doentes  apresentou
            período de 1995 a 2006 com uma evolução clínica igual   herpes  zoster  sine  herpete,  ou  seja  um  quadro  clínico
            ou superior a 12 meses. Foram identificados 23 doentes   sem erupção de vesículas.
            e revistos os seus processos clínicos, incluindo a descri-
            ção do episódio, co-morbilidades, avaliação audiométri-
            ca durante o internamento e o tratamento efectuado.
                Dos doentes identificados, 14 concordaram em par-  DISTRIBUIÇÃO DAS VESÍCULAS  N       %
            ticipar  no  estudo.  Responderam  a  um  inquérito  com   Pavilhão Auricular  20         87
            identificação de antecedentes pessoais, medicação ha-
                                                               Canal Auditivo Externo     11          47,8
            bitual e sintomatologia actual. Foi realizado um exame
                                                               Face e Pescoço             4           17,4
            físico  sumário,  estudo  audiométrico  e  classificação  do
                                                               Boca e Orofaringe          3           13
            grau de paralisia facial segundo a escala de House Bra-
            ckmann.  Esta última classifica o grau de paralisia de I   Tabela 1 | Distribuição das vesículas herpéticas
                    18
            (normal) a VI (paralisia total).
                O estudo audiométrico foi realizado numa cabine de   Na avaliação audiométrica feita durante o episódio
            som-padrão  com  um  audiómetro  Amplaid  319  e  aus-  compararam-se os limiares auditivos entre o ouvido atin-
            cultadores. Os limiares auditivos de cada ouvido a 500,   gido pelo HZO e o ouvido contralateral (Tabela 2). Obti-


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