Page 17 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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Não deixa de ser surpreendente a inexistência de di-  CONCLUSÕES
            ferenças significativas entre diferentes regiões do país,   A prevalência de queixas praticamente diárias de con-
            ao contrário do que tem sido encontrado nos estudos   gestão nasal na população portuguesa é bastante signi-
            ARPA. No entanto, a amostra populacional do presente   ficativa, com implicações frequentes e muito relevantes
            estudo não foi dimensionada para identificar diferenças   não só em sintomas de órgãos adjacentes mas também
            entre as várias regiões e essa poderá ser uma explica-  na redução da produtividade laboral ou escolar. A partir
            ção.                                              de um questionário validado de 7 perguntas, é possível
                Também não se verificaram diferenças significativas   construir índices de congestão nasal que, de uma for-
            entre o número de pessoas do agregado ou o status só-  ma simples, permitem a avaliação do grau de congestão
            cio-económico e os índices de congestão nasal.    nasal, até pelo próprio doente, definindo-se claramente
                Relativamente a outros dados deste trabalho é de re-  a necessidade de iniciativas terapêuticas conducentes a
            ferir que a prevalência de fumadores activos encontrada   combater eficazmente essa obstrução nasal, o que pas-
            (27,7%) foi semelhante à de outros estudos em Portugal   sa, desde logo e em primeiro lugar, pela conscienciali-
            (35), embora mais elevada que os 20,6% e os 19,6%   zação da comunidade, dos doentes e dos médicos para      ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE
            referidos, respectivamente, nos Inquéritos Nacionais de   a dimensão deste problema e para as suas implicações
            Saúde efectuados em 1998/1999 e 2005/2006 .       psico-sociais.
                                                   36
                No nosso estudo populacional não se verificou que o
            tabagismo activo se associasse a maiores índices de con-  AGRADECIMENTOS
            gestão nasal ou a diminuições do peak-flow inspirató-  Este trabalho foi elaborado com o apoio e colaboração
            rio nasal. É curioso que, embora seja convicção médica   da Schering-Plough Farma, Cacém, Portugal, a quem os
            generalizada e, de facto, alguns estudos caso-controlo   autores expressam o seu profundo agradecimento.
            tenham documentado maiores índices de obstrução na-
            sal em fumadores, por avaliação subjectiva (escalas vi-
            suais analógicas) ou objectiva (rinomanometria) 37-39 , não   REFERÊNCIAS
            existem  muitos  trabalhos  que  avaliem  esta  relação  na   1.  Togias A. Unique mechanistic features of allergic rhinitis. J Allergy Clin
                                                               Immunol 2000;105:S599-604.
            população em geral. Exceptuam-se um estudo sueco    2.  Dykewicz  MS, Fineman S, Skoner DP, et al. Diagnosis and managment of
                                                          33
            e um estudo japonês  que encontraram alguma corre-  rhinitis: complete guidelines of the Joint Task Force on Practice Parame-
                              40
                                                               ters in Allergy, Asthma and Immunology. Ann Allergy Asthma Immunol
            lação, embora fraca e apenas no sexo feminino, entre   1998;81:478-518.
            a obstrução nasal e o consumo de tabaco, embora sem   3.  Linneberg A. BMJ 2005:331.352 (letter).
                                                              4.  Strachan D, Sibbald B, Weiland S, et al. Worldwide variations in prevalence
            repercussão significativa nos valores do peak-flow nasal.   of symptons of allergic rhinoconjuntivitis in children: the International Stu-
            Ao invés, o nosso estudo não documentou qualquer cor-  dy of Asthma and Allergy in Childhood (ISAAC). Pediatr Allergy Immunol
                                                               1997;8:161-76.
            relação entre os índices de congestão nasal e os hábitos   5.  Asher MI, Montefort S, Bjorksten B, et al. Worldwide time trends in the
            tabágicos.                                         prevalence if symptoms of asthma, allergic rhinoconjunctivitis and eczema
                Em resumo, a construção de um índice de conges-  in childhood: ISAAC Phases One and Three repeat multicountry cross-sec-
                                                               tional surveys. Lancet 2006;368(9537):733-43.
            tão nasal, a partir das respostas a um questionário vali-  6.  Bousquet J, Van Cauwenberge P, Khaltaev N, et al. Aria Workshop Group;
            dado, pode fornecer uma percepção fácil da prevalência   World Health Organization. Allergic rhinitis and its impact on asthma. J
                                                               Allergy Clin Immunol 2001;108(Suppl):S147-334.
            e da gravidade da obstrução nasal, bem como das even-  7.  Cruz AA, Popov T, Pawankar R, et al. ARIA Initiative Scientific Committee.
            tuais  associações  ou  correlações  com  outras  variáveis.   Common characteristics of upper and lower airways in rhinitis and asth-
                                                               ma: ARIA update, in collaboration with GA(2)LEN. Allergy 2007;62(Sup-
            Neste nosso estudo um maior índice de congestão nasal   pl.84):1-41.
            associou-se com o sexo feminino e com a presença de   8.  Nunes C, Ladeira S, Rosado Pinto JE. Definição, Epidemiologia e classifi-
            dificuldades  na  realização  das  tarefas  diárias,  as  quais   cação da asma na criança. In: Rosado-Pinto JE, Morais-Almeida M, eds.
                                                               A  Criança  Asmática  no  Mundo  da  Alergia.  Algés:  Euromédice,  Edições
            existiam em quase 10% da população avaliada. Subli-  Médicas Lda;2003:35-55.
            nha-se uma vez mais que, embora a obstrução nasal não   9.  Morais-Almeida M, Loureiro C, Todo-Bom A, et al. Avaliação da prevalên-
                                                               cia e caracterização da rinite em utentes dos cuidados de saúde primá-
            seja uma situação de risco de vida, a sua desvalorização   rios de Portugal Continental – Estudo ARPA. Rev Port Imunoalergologia
                                                               2005;13(supl.2):3-14.
            e não tratamento pode causar deterioração significativa   10.  Morais-Almeida M, Nunes C, Loureiro C, et al. Prevalência de sintomas
            da qualidade de vida e do desempenho social e profis-  de rinite em estudantes portugueses dos 15 aos 25 anos - Estudo ARPA.
                                                                Rev Port Imunoalergologia 2006;14(supl.1):3-12.
            sional, relacionando-se com elevada morbilidade.  11.  Todo-Bom A, Loureiro C, Morais-Almeida M, et al. Epidemiology of rhi-
                Será interessante avaliar a eventual modulação des-  nitis in Portugal: evaluation of the intermittent and the persistent types.
            te índice com as diferentes estratégias terapêuticas dis-  Allergy 2007;62:1038-43.
            poníveis, que poderão assim ser avaliadas e comparadas   12.  Morais-Almeida M, Nunes C, Gaspar A, et al. Rinite em idade pré-esco-
                                                                lar: prevalência e caracterização. Estudo ARPA Kids. Rev Port Imunoaler-
            de forma mais objectiva e reprodutível.             gologia 2007;15:387-410.
                                                              13.  Maurer  M,  Zuberbier  T.  Undertreatment  of  rhinitis  symptoms  in  Eu-
                                                                rope:  findings  from  a  cross-sectional  questionnaire  survey.  Allergy
                                                                2007;62:1057-63.


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