Page 16 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. M. Branco-Ferreira, et al


            por si só, outras causas de obstrução nasal, e sendo as   de 10 a 14 uma obstrução ligeira/moderada e de 15 a 20
            infecciosas  particularmente  importantes  na  época  de   uma obstrução grave. Esta poderá ser, assim, uma outra
            aplicação do inquérito, é possível que algumas das res-  forma de classificar a gravidade da obstrução, integran-
            postas positivas não devam ser atribuíveis a uma eventual   do duração das queixas e diversidade de envolvimento
            doença crónica, como a rinite ou mesmo a rinossinusite.   sintomático, em alternativa à auto-avaliação de gravida-
            No entanto, uma vez que se definiu como positivas ape-  de através de escalas simples ou através da utilização de
            nas as respostas que referissem a presença do sintoma   escalas visuais analógicas, como recentemente proposto
            durante a maior parte do tempo ou sempre, nas últimas   por Bousquet e colaboradores .
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            duas semanas, parece-nos que uma etiologia infecciosa   Deste nosso estudo sobressai um dado muito rele-
            aguda só será responsável por essa positividade apenas   vante e socialmente preocupante: 9,5% da população
            em um pequeno número de casos.                    referiu que a sintomatologia nasal lhes causou dificul-
                Um outro ponto a salientar é o facto de 12,1% dos   dades de aprendizagem, laborais ou das actividades ha-
            inquiridos referirem dificuldades olfactivas sempre ou na   bituais.  Estes  valores  demonstram  bem,  à  semelhança
            maior parte do tempo nas duas semanas precedentes.   do que já tem sido apontado em outros países, o po-
            Num estudo populacional recente, avaliando 1387 vo-  tencial para elevados custos indirectos da rinite 31,32 . Mas
            luntários adultos, em que se procedeu à avaliação ob-  mais interessante ainda é a relação evidente que existe
            jectiva da função olfactiva, encontrou-se 19,1% de in-  entre  os  índices  de  congestão  nasal  e  essas  dificulda-
            divíduos com algum grau de disfunção olfactiva (13,3%   des: os indivíduos que não referem quaisquer dificulda-
            com hipoosmia e 5,8% com anosmia) , valores superio-  des têm um índice médio de congestão de 3,5 (IC95%
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            res aos por nós encontrados, na medida em que os tes-  3,2-3,8), enquanto os indivíduos que referem dificulda-
            tes  de  olfacto  detectaram  adicionalmente  vários  casos   des têm um índice médio de 12,6 (IC95% 11,8-13,5),
            assintomáticos,  não  identificados  por  questionários.  A   com uma diferença estatisticamente muito significativa
            disfunção olfactiva, estando associada à obstrução, con-  (p<0,0001). Esta verificação foi válida tanto para o índi-
            tribui significativamente para a diminuição da qualidade   ce global como para o índice restrito, sendo pois uma
            de vida dos doentes com rinite ou com rinossinusite, de-  demonstração cabal e objectiva que a obstrução nasal
            vendo ser combatida activamente 28,29 .           tem influência negativa inequívoca na actividade diária,
                Também em cerca de 12% da amostra foram encon-  escolar e/ou profissional, do doente.
            tradas queixas sugestivas de compromisso sinusal ou de   Relativamente  aos  valores  do  peak-flow  nasal  ins-
            disfunção tubária, revelando uma significativa prevalên-  piratório,  avaliados  em  473  indivíduos,  encontrámos
            cia de atingimento de órgãos adjacentes.          valores médios de 117 L/min (IC95% 109,8-124,2) nos
                De forma semelhante aos estudos ARPA, a presença   homens e de 90,8 L/min (IC95% (84,6-97) nas mulhe-
            de rinorreia aquosa foi referida em menor percentagem   res, bastante mais baixos do que os registados no estudo
            de casos (15,7%) do que a obstrução nasal.        de Akerlund e colaboradores , onde os autores regista-
                                                                                      33
                Um dos aspectos mais interessantes deste estudo, já   ram valores médios de 186±62 L/minuto nos homens e
            atrás aludido, foi a construção de um índice multi-para-  149±50 nas mulheres. Esta disparidade pode ter a ver,
            métrico (índice de congestão nasal global), englobando   por um lado, com o facto de esta medição ter sido aplica-
            as 7 perguntas, propondo-se uma classificação do grau   da por examinadores que, embora tendo tido formação
            de congestão nasal, de 0 a 20 e integrando as diferentes   específica nesta área, não são profissionais de saúde e,
            vertentes, nasais e não-nasais, incluídas no questionário.  por outro lado, com o facto de no estudo de Akerlund e
                Na  análise  vectorial  subsequente  verificou-se  que,   colaboradores a medição só ter sido efectuada após um
            embora  todas  as  perguntas  se  correlacionassem  bem   período de treino, o que, em particular nesta técnica, se
            entre  si,  havia  quatro  perguntas  que  constituíam  um   associa à obtenção de melhores resultados. De qualquer
            único vector dominante (questões 1, 2, 4 e 6), podendo   forma, não se pretendendo determinar qualquer distri-
            as questões relativas à rinorreia, às alterações olfactivas   buição de valores de normalidade na população, no nos-
            e  à  disfunção  tubária  ser  consideradas  como  vectores   so estudo determinaram-se diferenças estatisticamente
            independentes. Com essas 4 questões construiu-se um   significativas  entre  os  índices  de  congestão  nasal  e  os
            outro  índice  (índice  de  congestão  nasal  restrito),  que   valores do peak-flow nasal inspiratório (confirmando-se
            pode assim ser considerado como o núcleo fundamental   assim por medições objectivas o valor intrínseco dos ín-
            de avaliação da congestão nasal. Este índice restrito cor-  dices  de  congestão  nasal)  e  o  sexo,  à  semelhança  do
            relaciona-se muito bem quer com o índice global quer   estudo de Akerlund e colaboradores, tendo as mulheres
            com  cada  uma  das  questões  colocadas.  Em  ambos  os   maiores índices de congestão nasal, provavelmente fru-
            índices considerou-se que uma pontuação inferior a 10   to das influências hormonais femininas nas vias aéreas
            representa inexistência de obstrução nasal significativa,   superiores .
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