Page 15 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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de questionar sobre o sintoma “congestão nasal”, o que   tativa da população de um país, no sentido de se avaliar
            aumenta  mais  a  incerteza  quanto  aos  valores  reais  de   a prevalência nacional da congestão nasal significativa.
            prevalência deste sintoma, que tem sido estimado atingir   A este respeito é de salientar que a avaliação de 3
            cerca de 85% dos doentes com rinite alérgica 18,25 .  questões  sintomáticas  relativas  à  semana  anterior  de-
                Numa amostra de 5018 crianças em idade pré-es-  monstrou dados muito sobreponíveis, embora com pre-
            colar, representativas da população portuguesa, encon-  valência ligeiramente inferior como aliás seria de esperar,
            trou-se 17,8% que referiam ter habitualmente o nariz   atendendo a que analisa um período de tempo menor.
            entupido por mais de uma hora seguida, sendo este o   Aliás, quando se avalia a prevalência “alguma vez” de
            sintoma  mais  frequentemente  referido  pelas  crianças   vários  destes  sintomas  (quadro  3)  verifica-se  que  mais
            com rinite. A rinorreia aquosa habitual era referida nes-  de 50% da população já os sentiram, o que reforça a
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            te estudo por cerca de 14,7% dos respondedores . De   necessidade não só de uma delimitação temporal mas
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            igual forma, no estudo ARPA atrás referido , efectuado   também de uma delimitação de frequência de queixas,
            em utentes dos cuidados de saúde primários de Portugal   para evitar a valorização de sintomas esporádicos. Com      ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE
            Continental e respeitando uma distribuição aproximada   este objectivo, neste trabalho consideraram-se positivas
            à demografia nacional, verificou-se a presença de obs-  apenas as respostas que referiam a presença do sinto-
            trução nasal habitual em 22,8% dos casos, correspon-  ma durante a maior parte do tempo ou durante todo o
            dendo a 87,3% dos casos de rinite. A rinorreia aquosa   tempo (“sempre”) do período considerado (pontuações
            habitual era referida por 21,6% dos respondedores. No   4 ou 5).
            entanto, em nenhum destes estudos foi fornecida qual-  Assim,  e  relativamente  às  perguntas  que  incidiam
            quer definição temporal que delimitasse o termo habitu-  directamente sobre a obstrução nasal, verificámos uma
            almente, o que pode conduzir a uma eventual sobreva-  prevalência  de  13,2  (Q6)  14,3  (Q4)  e  18,1%  (Q1)  de
            lorização da prevalência deste sintoma.           respostas positivas, respectivamente, consoante se ava-
                O presente estudo visou quantificar a prevalência da   liasse  a  persistência  da  obstrução  nasal  após  esforços
            obstrução ou congestão nasal na população portuguesa   repetidos de assoar, respiração bucal por não conseguir
            através da avaliação de várias questões, conexas entre si   respirar pelo nariz ou se só se questionasse pura e sim-
            e que traduzem as variadas facetas sintomáticas da obs-  plesmente sobre a presença de obstrução nasal. Por ou-
            trução nasal, desde os sintomas nasais propriamente di-  tro lado, quando utilizamos o índice de congestão nasal
            tos até aos sintomas relacionados com envolvimento de   global, encontramos 17,9% de indivíduos com conges-
            órgãos ou sistemas adjacentes: seios peri-nasais (pressão   tão nasal significativa (índice >10), dos quais 4,6% com
            ou peso nos seios peri-nasais ou dor na cara), disfunção   congestão nasal grave (índice >15). Esta prevalência é
            tubária (ouvidos obstruídos ou tapados) ou faringo-la-  inferior  à  da  obstrução  nasal  reportada  anteriormente
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            ríngea  (ressonar).  De  igual  forma  tentou-se  avaliar  al-  para a população adulta portuguesa (22,8%)  mas essa
            gum tipo de repercussão da obstrução nasal, mormente   discrepância  é  explicável  pelos  diferentes  períodos  de
            relativa a uma sua maior gravidade, nas perguntas ver-  tempo  analisados  (12  meses  nos  estudos  ARPA  versus
            sando sobre a respiração bucal ou sobre as alterações do   2 semanas no presente estudo), com reflexos óbvios em
            olfacto. A avaliação retrospectiva incidiu sobre as últimas   termos de maiores prevalências nos estudos mais alarga-
            duas semanas, período que permite uma razoável fiabili-  dos. No entanto, estes valores de prevalência são muito
            dade das respostas, relativamente a eventuais distorções   semelhantes aos 17,8% de obstrução nasal habitual, en-
            mnésicas que são habituais em avaliações retrospectivas   contrada no anteriormente citado estudo ARPA Kids ,
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            de períodos mais prolongados.                     embora num grupo etário totalmente diferente. Como
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            glês,  foi  proposta  e  validada  (Congestion  Quantifier  7   a de rinite já que esta última é definida epidemiologica-
            ou CQ7), num trabalho publicado recentemente e coor-  mente pela presença de um ou mais sintomas típicos,
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            denado por um grupo de peritos internacionais . Este   ou seja, mesmo na ausência de obstrução nasal habitual
            estudo  foi  efectuado  em  354  indivíduos  (70  controlos   pode-se classificar como rinite um indivíduo que tenha,
            e 284 doentes, dos quais 129 com rinite alérgica e 155   habitualmente,  rinorreia,  prurido  nasal  ou  crises  ester-
            com obstrução nasal, confirmada por outros métodos),   nutatórias. Alguns estudos, como é o caso dos estudos
            visando  suprir  uma  lacuna  existente  nesta  área  e  per-  ARPA 9,10,12 , para obterem uma maior especificidade diag-
            mitir aos doentes um instrumento de auto-avaliação, à   nóstica,  optaram  por  exigir  respostas  positivas  a  pelo
            semelhança  de  outros  questionários  de  auto-avaliação   menos  2  de  3  grupos  sintomáticos  mas,  ainda  assim,
            existentes  para  outras  patologias.  Este  nosso  trabalho   apresentam sempre uma prevalência de rinite superior à
            é, tanto quanto sabemos, um dos primeiros estudos a   da congestão nasal.
            aplicar a mesma metodologia a uma amostra represen-  Dado que a formulação das questões não excluía,


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