Page 12 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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. M. Branco-Ferreira, et al


            através  da  transformação  do  indicador  das  respostas   Cerca  de  9,5%  dos  indivíduos  (IC  a  95%:  7,8  a
            (1  a  5)  num  índice  (¤  das  7  Perguntas:  V  =  [(X-A)/(B-  11,3%)  afirmaram  terem  dificuldades  em  trabalhar,
            A)]*coeficiente de ponderação em que A = número in-  aprender na escola ou fazer as suas actividades por cau-
            teiro imediatamente abaixo do valor mínimo encontra-  sa dos sintomas nasais.
            do e B = número inteiro imediatamente acima do valor   O quadro 2 revela os resultados das perguntas sobre
            máximo encontrado, sendo X o valor a converter e V o   alguns sintomas verificados na última semana.
            número convencional numa escala de 0 a 20).
                Com  base  na  análise  factorial  de  correspondência   Relativamente  aos  hábitos  tabágicos,  64,3%  (IC  a
            foi possível identificar os vários componentes principais,   95% - 61,3 a 67,1%) referem nunca ter fumado, 27,7%
            estabelecendo  as  respectivas  correlações.  Através  do   (IC a 95% - 25,0 a 30,4%) afirmaram ser fumadores e
            “Factor Rotation: Varimax” foi possível identificar quatro   8,0% (IC a 95% - 6,5 a 9,8%) declararam ser ex-fuma-
            eixos principais, permitindo o primeiro criar um “índice   dores.
            de congestão nasal restrito” com base nas perguntas Q1,   Um conjunto de perguntas destinou-se a inquirir se
            Q2, Q4 e Q6. As perguntas Q3, Q5 e Q7 constituíam,   alguma vez tiveram sintomas nasais ao longo da vida. O
            per se, eixos próprios embora relacionados com as outras   quadro 3 revela os aspectos mais importantes.
            perguntas e com os índices “congestão nasal restrito” e
            “congestão global”.
                Procedeu-se,  igualmente,  à  análise  das  frequências,
                                                              Pergunta: “Já alguma vez teve”....          %
            medianas, interquartis, médias e desvios padrões e análise
            da variância dos índices “congestão global” e “congestão   Nariz entupido ou congestionado   94,9
            restrito” com as diferentes variáveis em estudo.  Pressão ou peso nos seios nasais ou dor na cara  52,7

                                                              Ouvidos obstruídos, tapados ou que se destapam  61,2
            RESULTADOS                                        Dificuldade em ter cheiro                   64,8
            Dos  1037    inquiridos,  46,8%  eram  homens  e  53,2%   Corrimento nasal ou pingo do nariz  88,6
            mulheres. As medianas e médias (+ desvio padrão) das
            idades eram semelhantes nos dois sexos (homens: me-  Quadro 3 |  Prevalência de sintomas nasais durante a vida
            diana 44,0 e média 45,4 anos (+ 18,6); mulheres: me-
            diana 43,0 e média 45,1 anos (+ 18,5)).              No  Quadro  4  apresenta-se  a  análise  descritiva  dos
                O quadro 1 descreve os resultados das questões relati-  valores encontrados para os índices de congestão nasal
            vas aos sintomas ocorridos nas duas últimas semanas.  acima descritos.



            QUESTÃO                               NUNCA      RARAMENTE   ALGUMAS     A MAIOR PARTE  SEMPRE
                                                   1         2           VEZES       DO TEMPO      5
                                                  %          %           3           4             %
                                                  (IC A 95%)  (IC A 95%)  %          %             (IC A 95%)
                                                                         (IC A 95%)  (IC A 95%
                                                  62,1       6,6         12,5        10,1          8,0
            Q1. Nariz entupido ou congestionado
                                                  (59,2-65,0)  (5,2-8,3)  (10,6-14,6)  (8,7-12,5)  (6,5-9,8)
                                                  75,1       4,6         8,0         6,8           5,3
            Q2. Pressão ou peso nos seios nasais ou dor na cara
                                                  (72,4-77,7)  (3,5-6,1)  (6,5-9,8)  (5,4-8,5)     (4,1-6,9)
                                                  74,0       5,8         7,8         7,7           4,5
            Q3. Ouvidos obstruídos, tapados ou que se destapam
                                                  (71,3-76,7)  (4,5-7,4)  (6,3-9,6)  (6,2-9,5)     (3,4-6,0)
            Q4. Respirar pela boca, porque não conseguiu respirar 63,5   9,1   12,6  8,3           6,0
            pelo nariz                            (60,5-66,4)  (7,5-11,0)   (10,7-14,7)  (6,8-10,2)  (4,7-7,6)
                                                  70,2       7,3         9,8         6,7           5,4
            Q5. Dificuldade em ter cheiro
                                                  (67,4-73,0)  (5,8-9,0)  (8,1-11,7)  (5,3-8,4)    (4,1-6,9)
            Q6. Dificuldade em descongestionar/desentupir o   65,4   8,4   12,5       7,8           5,4
            nariz mesmo depois de assoar-se várias vezes  (62,5-68,3)  (6,9-10,3)   (10,6-14,6)  (6,3-9,6)  (4,1-6,9)
                                                  60,1       9,0         14,6        9,5           6,2
            Q7. Corrimento nasal ou pingo do nariz
                                                  (57,1-63,1)  (7,4-10,9)  (12,6-16,9)  (7,9-11,4)  (4,9-7,9)
            Quadro 1 | Respostas às questões sintomáticas (Q1 a Q7) relativamente às 2 semanas anteriores


        154 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL


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