Page 11 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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siderassem informados acerca da sua doença e do seu   obstrução nasal na população adulta e também a situa-
            tratamento,  69%  não  identificavam  as  alergias  como   ção actual quanto ao diagnóstico etiológico e tratamen-
            doenças  do  sistema  imunitário  e  29%  desconheciam   to deste sintoma tão frequente na prática clínica.
            a classe dos medicamentos que estavam a tomar (anti-
            histamínico,  corticóide  nasal  ou  anti-leucotrieno),  sen-  METODOLOGIA
            do que um quarto estava constantemente a tentar uma   O estudo foi realizado com base numa amostra estrati-
            nova medicação para alívio dos sintomas. Contudo, dois   ficada e representativa da população de Portugal conti-
            terços  dos  doentes  admitiram  esquecer-se  de  tomar  a   nental com idade igual ou superior a 15 anos, obtida em
            medicação consistentemente e um terço considerava a   função de sete regiões e seis habitats (quatro mais as
            medicação ineficaz.                                cidades de Lisboa e do Porto).
                As alterações anatómicas (desvios do septo nasal e/ou   O universo considerado alvo deste estudo foi a totali-
            da pirâmide nasal), a existência de massas intranasais (po-  dade dos indivíduos com 15 e mais anos, correspondente
            lipose naso-sinusal, tumores) e a obstrução pós-nasal cau-  a 8.523.579 residentes (INE, Censos 2001).
            sada por hipertrofia dos adenóides, dão geralmente uma   A selecção do lar foi determinado pelo método de      ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE
            sensação de obstrução nasal fixa. Nestes casos só haverá   Random Route (Itinerário Aleatório), enquanto a selec-
            sintomas relacionados com fenómenos alérgicos ou infla-  ção do inquirido foi feita de acordo com o método de
            matórios, nomeadamente hidrorreia, prurido nasal ou es-  quotas, através do cruzamento das variáveis sexo e ida-
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            ternutos, quando co-existe rinite alérgica .      de. Os entrevistadores, pertencentes à IMS Health/ Prime
                Por  vezes  os  doentes  referem  uma  alternância  de   Focus,  procederam  à  aplicação  de  um  questionário  (5
            congestão das duas fossas nasais, com intervalo de al-  minutos) por entrevista directa.
            gumas  horas,  correspondendo  a  uma  exacerbação  do   Foram inquiridos 1037 indivíduos, dos quais em 473
            ciclo nasal, trazendo então para um plano consciente,   foram feitas avaliações funcionais, com medições do flu-
            um aspecto da nossa fisiologia nasal normal. A conges-  xo inspiratório máximo nasal (peak-flow nasal) através
            tão  nasal  pode  aumentar  com  a  posição  de  decúbito,   da  utilização  do  dispositivo  In-Check  Nasal  (Clement-
            traduzindo fenómenos de engurgitamento sub-mucoso   Clarke International, Reino Unido) sempre com recurso
            dos cornetos inferiores por acção da gravidade, sobretu-  a máscaras descartáveis. Os entrevistadores receberam
            do no seu terço posterior que corresponde à cauda dos   informação e foram treinados na utilização do disposi-
            cornetos.                                         tivo por um dos elementos da equipa de investigadores
                A congestão nasal é frequentemente o principal sin-  (MMA), tendo indicação para registar o valor mais eleva-
            toma referido pelos doentes e aquele que mais gosta-  do de três medições.
            riam de evitar, associando-se, com gravidade variável, às   O  questionário  aplicado  incluía  a  identificação  de
            diminuições do olfacto, à rinorreia anterior e posterior,   sete sintomas ocorridos nas duas últimas semanas (Q1-
            aos esternutos e ao prurido nasal .               “nariz entupido/congestionado”; Q2-“pressão ou peso
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                A congestão nasal pode surgir em qualquer idade,   nos seios nasais ou dor na cara”; Q3-“ouvidos obstru-
            podendo constituir uma situação de urgência na primei-  ídos, tapados ou que se destapam”; Q4-“respirar pela
            ra infância, interferindo com a amamentação e o cres-  boca porque não conseguiu respirar pelo nariz”; Q5-“di-
            cimento.  Quando  o  doente  sofre  de  congestão  nasal,   ficuldade em ter cheiro”; Q6-“dificuldades em descon-
            aguda ou crónica, refere uma diminuição dos índices de   gestionar/desentupir o nariz mesmo depois de assoar-se
            qualidade de vida 15,16 , relacionados com a qualidade do   várias  vezes”;  Q7-“corrimento  nasal  ou  pingo  do  na-
            sono e o desempenho de tarefas diurnas, profissionais   riz”), a identificação de “dificuldades em trabalhar/es-
            e escolares. A congestão nasal pode provocar fenóme-  tudar/fazer  alguma  actividade  por  causa  dos  sintomas
            nos de roncopatia e precipitar o aparecimento de apneia   nasais nas últimas duas semanas” e ainda a identificação
            obstrutiva do sono em doentes em que já haja outros   de três sintomas ocorridos na última semana (“acordar
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            factores de risco . Para além da repercussão que estes   com  nariz  obstruído”;  “acordar  com  boca  seca/sede”;
            sintomas têm no descanso e nas actividades diárias dos   “ressonar”). Cada uma das perguntas permitia uma de
            doentes, a rinite alérgica está muitas vezes associada a   cinco respostas desde nunca a sempre (escala de 1 a 5).
            doenças que afectam ainda mais a qualidade de vida,   O trabalho de campo do estudo realizou-se no pri-
                                                6,7
            nomeadamente à asma e à rinoconjuntivite . E não po-  meiro trimestre de 2007.
            demos esquecer que a rinite alérgica pode predispor ao   Estatisticamente  procedeu-se  à  distribuição  das  fre-
            aparecimento de rinossinusite aguda ou crónica.   quências das diferentes perguntas em função da frequên-
                Existindo deficiente informação epidemiológica so-  cia e respectivos intervalos de confiança a 95%.
            bre a problemática em discussão, o presente estudo pre-  Foi  criado  um  “índice  de  congestão  nasal  global”,
            tendeu avaliar e caracterizar a prevalência nacional da   com base nas sete perguntas do questionário (Q1-Q7),


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