Page 12 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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TRAUMATISMOS CERVICAIS EXTERNOS
cal e torácica, particularmente úteis nas frac- lesão torácica, lesão axonal difusa ou fracturas
turas do osso hióide, cartilagem tiróide e cri- de LeFort, da base do crânio ou da coluna cer-
cóide, deslocamentos posteriores da epiglote, vical.
pneumotórax, hemotórax e pneumomediastino. Apesar de em alguns centros a ecografia
A presença de ar pré-vertebral ou cervical duplex ter substituído a angiografia nestes ca-
profundo sugere lesão traqueal e/ou larín- sos, dado o baixo custo e capacidade de iden-
geo. tificação de lesões passíveis de reparo cirúrgi-
No entanto, em cerca de 1 O a 15% dos co, essa decisão não é consensual.
casos de lesões cervicais graves a radiografia . Nos traumatismos penetrantes do pescoço
é interpretada como sendo normal. ao nível das zonas I e III, preconiza-se a utiliza-
A tomografia computorizada é considerada, ção da angiografia, já que a abordagem cirúr-
hoje em dia, o exame de escolha na avaliação gica é difícil.
não invasiva do esqueleto cartilagíneo laríngeo, Avanços recentes da radiologia de inter-
sendo particularmente útil na selecção de do- venção permitem a utilização da embolização
entes com bom prognóstico sem necessidade para controlo de hemorragias nestas áreas de
de cirurgia . difícil acesso, como a base do crânio.
Nos casos assintomáticos, com exame físico Ao nível da zona 11, dado a exploração ci-
dentro da normalidade, bem nos casos com rúrgica ser mais acessível, a angiografia reser-
indicação cirúrgica óbvia, a tomografia pouco va-se para hemorragias persistentes ou défices
adiciona à conduta terapêutica. neurológicos que levantem a suspeição de le-
Assim, e na situação particular dos trauma- sões vasculares adjacentes, como por exemplo
tismos laríngeos, a sua utilidade primordial um síndrome de Horner nas lesões da bainha
consiste na presença de suspeita clínica de carotídea.
lesão laríngeo sem indicação cirúrgica óbvia. A laringoscopia flexível constitui uma técni-
Nesta categoria estão incluídos doentes ca extremamente útil na avaliação de trauma-
com apenas um único sintoma, como disfonia, tismos laringo-traqueais.
ou com achados discretos ao exame físico. No entanto, deverá ser efectuada com o
A ressonância magnética, apesar de exce- máximo de cuidado, sobretudo em doentes
lente para os tecidos moles, deve ser evitada não entubados, pois traumas ligeiros podem
numa fase inicial, pois trata-se de um exame precipitar emergências respiratórias.
demorado e que exige colaboração.
A esofagografia contrastada, de preferência
com gastrografina, é útil nas lesões esofágicas, TRATAMENTO MÉDICO
apesar de a sua sensibilidade ser de apenas
70 a 80%. A abordagem dos traumatismos cervicais
A esofagoscopia está indicada na suspeita externos engloba vertentes terapêuticas médi-
de lesão esofágica não confirmada pela esofa- cas e cirúrgicas complementares.
gografia, em doentes entubados com lesão la- Em relação ao tratamento médico em geral,
ríngeo/traqueal e em casos de lesão vascular todos os doentes deverão permanecer em ob-
nas áreas 11 ou III. servação 24 a 72 horas, monitorizados, com
A angiografia, apesar de invasiva, cara e dieta zero e sob cobertura antibiótica.
com risco de complicações, é particularmente Nos traumatizados laringo-traqueais deverá
importante nos traumatismos cervicais fecha- ser instituído repouso vocal, elevação da cabe-
dos em doentes de alto risco, nomeadamente ceira, oxigenioterapia húmida e terapêutica pro-
na presença de um Glasgow inferior a oito, filáctica anti-refluxo .
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