Page 15 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
P. 15
SANDRA ALVES, MANUELA FERREIRA, MÁRIO GIESTEIRA DE ALMEIDA, ARTUR CONDÉ, AGOSTINHO SILVA
Assim, recomendam-se apenas nas lesões O risco de estenose sub-glótica é elevado.
da comissura anterior, fracturas cominutivas ti- Quanto às lesões traqueais, estas são habi-
roideias, grandes lacerações mucosas e situa- tualmente abordadas através de uma incisão
ções de grave compromisso da arquitectura cervical transversa com extensão para o tórax,
laríngeo. se necessário. Pequenas lacerações são encer-
Devem estender-se desde as bandas ventri- radas de forma primária.
culares até ao primeiro anel traqueal sendo ha- Em caso de secção com perda de até dois
bitualmente fixos à pele através de suturas a três centímetros é possível a reparação topo-
translaríngeas, cuja remoção às duas a três -a-topo sem tensão excessiva.
semanas permite a exérese sob laringoscopia Caso contrário, é necessária reconstrução.
em suspensão. As fracturas do osso hióide não constituem
Procede-se então a uma reavaliação e, se uma emergência cirúrgica.
necessário, à remoção de granulações através No entanto, muitas vezes associam-se a crepi-
de LASER C0 . tação extremamente dolorosa, pelo que é ne-
2
Nas fracturas da cartilagem cricóide alinha- cessária a exérese de osso de ambos os lados da
das é possível a fixação externa da cartilagem fractura para evitar o contacto entre os fragmentos.
com sutura do pericôndrio externo.
N o entanto, na maioria das situações é ne-
cessário um molde endolaríngeo. COMPLICAÇÕES
Se houver perda cartilagíneo de até um ter-
ço do arco, este pode ser reparado através da De entre as complicações mais importantes
utilização do músculo esterno-hioideu e respec- são de referir, a nível vascular, a formação de
tiva fáscia. pseudo-aneurismas e de fístulas arterio-venosas,
Em situações de lesões laríngeas graves po- bem como a trombose e a embolização, levan-
derá ser necessária uma laringectomia parcial do a isquemia cerebral.
ou mesmo total. A nível faringo-esofágico, a principal com-
As lesões do nervo recorrente podem consis- plicação consiste no d~senvolvimento de fístula
tir em secção ou contusão. ao fim de quatro a sete dias.
Durante a cirurgia deve ser reduzida toda a Outras, mais raras mas mais temidas, são a me-
cartilagem que se encontre deslocada sobre o diastinite, o pneumotórax e o pneumomediastino.
trajecto do nervo. Os défices neurológicos, centrais ou periféri-
No entanto, a exploração recorrencial elec- cos, temporários ou definitivos, constituem tam-
tiva é controversa, dado o risco de agravamen- bém complicações relativamente comuns dos
to da lesão devido a uma dissecção em tecidos traumatismos cervicais severos.
macerados. A nível laringe-traqueal as complicações in-
Em caso de identificação da secção do ner- cluem a formação de tecido de granulação e
vo a realização de anastomose topo-a-topo, de estenoses, paralisia cordal, aspiração, con-
apesar de poder resultar em sincinésia, poderá drite e condronecrose.
impedir a atrofia muscular laríngeo .
N os casos raros de separação crico-traque-
al ou crico-tiroideia que chegam com vida ao CONCLUSÃO
Serviço de Urgência é necessária uma traque-
otomia de emergência, problemática devido à · Os traumatismos cervicais externos consti-
retracção traqueal para o tórax, sendo posterior- tuem, pela sua gravidade e riscos a curto pra-
mente realizada a reconstrução. zo, uma verdadeira emergência médica.
- - 350 - - ------------ -------- - - - ---

