Page 13 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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SANDRA ALVES, MANUELA FERREIRA, MÁRIO GIESTEIRA DE ALMEIDA, ARTUR CONDÉ, AGOSTINHO SILVA
O uso de corticoterapia nas primeiras ho- ou assistida por fibroscopia, por forma a evitar
ras, apesar de controverso e carente de evidên- a hiperextensão cervical.
cia experimental, poderá reduzir a formação Em lesões laríngeas ou traqueais conheci-
de tecido de granulação e de fibrose. das é preferível a realização de uma traque-
Sempre que possível deve ser evitada a otomia abaixo da lesão.
colocação de sondas naso-gástricas. A utilização de corticoterapia peri-operató-
ria é benéfica, dados os seus efeitos de redu-
ção do edema tecidual da via aérea.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
Técnicas operatórias
Os objectivos da abordagem c1rurgica in- Muitos autores defendem que, em todos os
cluem o controlo da hemorragia, manutenção doentes em que é necessária uma abordagem
da integridade da via aérea e da continuidade cirúrgica, após a entubação e o controlo de
do tracto faringo-esofágico, identificação e eventuais hemorragias, deverá proceder-se a
reparação de lesões nervosas e protecção das uma avaliação do tracto aero-digestivo superi-
estruturas vasculares. or através de laringoscopia directa e esofagos-
As indicações absolutas para cirurgia nos copia rígida.
casos de traumatismo cervical fechado consis- É importante realizar uma avaliação metódi-
tem em hematoma em expansão, traumatismo ca de todas as regiões anatómicas, procuran-
da via aérea com compromisso respiratório e do efeitos de massa, hematomas, hemorragias
lesão vascular. endo-cavitária, exposições cartilagíneas, lace-
Nos traumatismos abertos, a cirurgia deve ser rações da mucosa e perfurações.
considerada na presença de hemorragia activa, Existem essencialmente duas incisões mais
hematoma pulsátil ou em expansão, sopro/frémi- adequadas à exploração cervical.
to cervical, estridor, ferida com efeito valvular, A primeira, mais rápida, é realizada ao lon-
enfisema sub-cutâneo ou retro-faríngeo. go do bordo anterior do músculo esternocleido-
Nos casos particulares de traumatismos mastoideu, desde a mastóide ao manúbrio,
laríngeos, para além das situações referidas, permitindo um fácil acesso ao eixo vásculo-ner-
está indicada a cirurg ia na presença de lesões voso cervical e ao esófago e faringe posterior.
da comissura anterior, exposição cartilagíneo, Por outro lado, a incisão em avental, bi-mas-
fracturas múltiplas e desalinhadas, lacerações toideia, mais familiar para os otorrinolaringolo-
extensas da mucosa, luxação aritnoideia, para- gistas mas mais demorada, permite um melhor
lisia cordal, deslocamento epiglótico ou sepa- acesso às estruturas medianas.
ração laringo-traqueal. Em lesões penetrantes cervicais a incisão
Quanto à preparação cirúrgica, deve ser pode ser adaptada à ferida por forma a incluí-
iniciada antibioterapia no pré e peri-opera- la no seu traçado.
tório, sendo os agentes de escolha as cefalos- O acesso à zona cervical I é difícil, poden-
porinas de segunda ou terceira geração asso- do ser necessária uma esternotomia mediana
ciadas a anti-anaeróbios (metronidazol) sem- ou uma toracotomia anterior, por forma a pos-
pre que a mucosa digestiva for violada. sibilitar o controlo dos grandes vasos.
Em todos os doentes a coluna cervical deve A zona III possui também um acesso dificul-
ser considerada como instável até prova em tado pela mandíbula e pelo estreito espaço
contrário e imobilizada cuidadosamente. retro-mandibular.
Em relação aos procedimentos anestésicos, a A retracção anterior da mandíbula associa-
entubação deverá idealmente ser naso-traqueal da à secção do ligamento estilo-mandibular
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