Page 14 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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TRAUMATISMOS CERVICAIS E XTERNOS
permite uma abertura de cerca de 2 a 3 cm fagostomia cervical lateral temporária, com
desta região. reconstrução posterior após estabilização da
Uma outra alternativa consiste na realiza- situação.
ção de uma mandibulotomia. As lesões laringo-traqueais constituem alvo
A exploração vascular é fundamental, por de controvérsia em relação ao momento ideal
forma a restabelecer a curto prazo a irrigação da reparação ci rúrgica.
das estruturas nobres da cabeça e pescoço, mo- Embora alguns autores defendam o protelar
tivo pelo qual deverá ser a primeira a ser efec- da intervenção três a cinco dias por forma a
tuada após a estabilização inicial do doente. permitir a redução do edema, a maioria dos
As perfurações arteriais são habitualmente centros recomenda, hoje em dia, uma explo-
suturadas, evitando retalhos de íntima no lúmen ração precoce, evitando a manutenção de
para prevenir tromboses e embolizações. lesões abertas em áreas contaminadas.
Nas lacerações extensas e secções, são fre- Muito raramente pequenas lacerações ou lu-
quentemente necessárias reconstruções com xações minor são passíveis de reparação por
enxertos ou próteses. via endoscópica, sendo frequentemente neces-
Em todas as lesões das carótidas comum e sária abordagem externa.
interna deve ser tentada a reparação, excepto Procede-se à elevação de um retalho em
se existirem défices neurológicos profundos, nos avental sub-platismal até ao osso hióide, sendo
quais existe risco elevado de acidente vascular os músculos pré-hioideus afastados verticalmen-
cerebral hemorrágico após a re-vascularização. te na linha média e retraídos lateralmente.
As lesões venosas são habitualmente contro- Realiza-se então uma técnica de laringofis-
ladas por laqueação, excepto quando existe sura/tirotomia na linha média com secção da
compromisso bilateral das veias jugulares inter- comissura anterior, associada a incisão hori-
nas, situação em que se deverá proceder à zontal da membrana crico-tiroideia.
reconstrução da estrutura menos danificada. Após a inspecção laríngeo, todas as lacera-
Nas lesões do dueto torácico as atitudes te- ções são suturadas meticulosamente, podendo
rapêuticas são semelhantes às dos casos pós- ser utilizados, se necessá rio, retalhos da muco-
-esvaziamento ganglionar. sa oral ou dos seios piriformes por forma a co-
Quanto às lesões faringo-esofágicas, são ra- brir toda a cartilagem.
ras as passíveis de reparação por via intra- A reconstrução da comissura anterior é efec-
-oral, sendo a maioria tratada por abordagem tuada através da sutura das pregas vocais ao
cervical externa. pericôndrio externo da cartilagem 'tiróide,
A ferida operatória deve ser abundantemen- sendo a tirotomia encerrada com sutura perma-
te irrigada e desbridada, sendo o esófago sutu- nente.
rado em pelo menos dois planos: mucosa e As fracturas cartilagíneas são reduzidas e
muscular/ serosa. aproximadas com sutura de monofilamento,
É importante a realização de um retalho arames ou placas de titânio.
muscular de transposição, utilizando o esterno- São colocados drenos cervicais com sistema
cleidomastoideu ou um dos pré-hioideus, por de vácuo, sendo o doente mantido em dieta
forma a reforçar a sutura e a minimizar o risco zero durante sete a dez dias.
de fístula. A utilização de moldes (stents) endo-larín-
A utilização de drenagem cervical apropri- geos com o objectivo de promover a estabili-
ada é fundamental. dade e de prevenir aderências mucosas não é
Em caso de lesões cervicais extensas e infec- isenta de riscos, incluindo infecções e forma-
tadas poderá ser útil a realização de uma eso- ção de granulações.
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