Page 72 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 63. Nº2
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Tabela 1 GAO de 18,67 dB (p < 0,001). O sucesso cirúrgico
Análise descritiva da população estudada (N=157) (GAO ≤ 10 dB) foi obtido em 101 (64,3%) ouvidos
operados. Houve um GAO residual de até 20
masculino 34 (21,7%)
Género dB em 86,6% (n = 136) dos casos, e 22,3% (n =
feminino 123 (78,3%)
35) apresentaram um GAO entre 10 e 20 dB.
≤ 50 anos 103 (65,6%)
Idade
> 50 anos 54 (34,4%) Diâmetro da prótese
Otosclerose sim 98 (62,4%) Com o objetivo de avaliar a influência do
bilateral não 59 (37,6%) diâmetro da prótese nos resultados cirúrgicos,
a população do estudo foi dividida em dois
esquerdo 67 (42,7%)
Lateralidade grupos. 89 doentes (57%) receberam uma
direito 90 (57,3%) prótese de 0,6 mm de diâmetro, enquanto 68
sim 24 (15,3%) (43%) receberam uma prótese de 0,4 mm. Os
História familiar resultados auditivos para ambos os grupos,
de otosclerose não 20 (12,7%)
desconhecido 113 (72,0%) estão descritos na Tabela 4.
sim 67 (42,7%)
Acufeno pré-op Avaliação audiométrica pré-operatória
não 90 (57,3%) Não foram encontradas diferenças estatistica-
sim 18 (11,5%) mente significativas na análise pré-operatória
Vertigem pré-op
não 139 (88,5%) dos LTM de CA ou CO, assim como no GAO,
≤ 30 dB 2 (1,3%) entre os grupos (p > 0,05) (Tabela 4). Assim,
LTM-CA pré-op confirmamos que, no pré-operatório, os
> 30 dB 155 (98,7%)
grupos eram semelhantes entre si e passiveis
de serem comparados.
funcional foi alcançada em 88 pacientes
(56,1%), um aumento significativo em relação Avaliação audiométrica pós-operatória
à situação pré-cirúrgica (p < 0,001, McNemar). O ganho auditivo medido pelo LTM-CA (Tabela
Os endpoints cirúrgicos pós-operatórios estão 5), após a cirurgia, foi semelhante entre ambos
descritos na Tabela 3. O LTM-CO pós-operatório os grupos (0,6 mm, 21,11 dB vs. 0,4 mm, 18,71 dB;
foi de 24,63 ± 12,9 dB, o que representou uma p > 0,05) (Tabela 4). Relativamente à avaliação
melhoria de 1,47 ± 9,6 dB, embora esta não seja funcional pós-operatória não apresentou
estatisticamente significativa (p = 0,428). A diferenças significativas entre os grupos (62%,
média do GAO pós-operatório foi de 11,46 ± 6,6 0,6mm vs. 52%, 0,4 mm, p>0,05) (Tabela 5).
dB. Assim, houve um ganho auditivo médio de O LTM-CO pós-operatório teve uma melhoria
Tabela 2
Resultados audiométricos pré e pós-operatórios
Limiar auditivo, média (DP), dB
P*
Pré-operatório Pós-operatório Ganho auditivo
Condução aérea
LTM 56,23 (11,8) 36,09 (15,1) 20,14 (13,5) <0,001
Condução óssea
LTM 26,10 (8,5) 24,63 (12,9) 1,47 (9,6) 0,428
GAO
LTM 30,13 (7,7) 11,46 (6,6) 18,67 (10,8) <0,001
Abreviaturas: DP, desvio padrão; GAO, gap aéreo-ósseo; LTM, limiar tonal médio (0.5-4 kHz). Parâmetros estatisticamente significativos
(p < 0,05) a negrito.
176 Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço

