Page 71 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 63. Nº2
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cirurgião entre os dois diâmetros disponíveis, padrão). A análise estatística foi realizada
0,4 ou 0,6 mm. A prótese menor foi preferida com o programa IBM-SPSS ® v27.0 (Statistical
na presença de um nervo facial proeminente Packages for the Social Sciences). O teste do
e/ou um nicho da janela oval estreito. qui-quadrado, com um intervalo de confiança
A audiometria tonal foi realizada no pré- de 95%, foi utilizado para comparar as variáveis
operatório e repetida aos 6 e 12 meses após a categóricas. A comparação entre as médias
cirurgia, sendo utilizados para análise os valores dos limiares auditivos pré e pós-operatórios
obtidos 12 meses após a cirurgia. O limiar tonal (LTM-CA, LTM-CO e LTM-GAO) foi realizada
médio (LTM) para a condução óssea (CO) e com testes t de Student emparelhados. Testes
condução aérea (CA) foi determinada utilizando t independentes foram usados para comparar
os limiares médios de quatro frequências (0.5, 1, os resultados auditivos entre grupos. O nível de
2 e 4 kHz). O gap aéreo-ósseo (GAO) foi calculado significância foi estabelecido em 5% (p < 0,05).
utilizando os mesmos limiares de CA e CO. O Foi utilizada a análise de regressão logística
ganho auditivo (GA) corresponde à diferença multivariada para verificar o papel preditivo
entre o GAO pré e pós-operatório. Foram das variáveis idade, género, sexo, LTM-GAO pré-
seguidas as recomendações do Committee operatório e presença de acufeno ou vertigem
on Hearing and Equilibrium para a avaliação pré-operatória, como possíveis preditores do
de resultados e tratamento da hipoacusia de sucesso cirúrgico (LTM-GAO pós-operatório ≤
condução (AAO-HNS) , exceto para os dados 10 dB).
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de frequência de 3 kHz que não estavam
disponíveis e foram substituídos pelos limiares Resultados
de 4 kHz. 12 Análise descritiva
Foram recolhidos dados demográficos, Este estudo retrospetivo incluiu 157 casos, dos
clínicos, cirúrgicos e audiológicos. Foram quais 123 eram do sexo feminino (78%) e 34 do
utilizadas as seguintes variáveis: idade, sexo masculino (22%). A maioria dos doentes
género, otosclerose uni/bilateral, presença tinha 50 anos ou menos. A idade média dos
de acufeno ou vertigem, história familiar de doentes variou entre 24 e 65 anos, com uma
otosclerose, diâmetro da prótese e parâmetros média de 45,8 ± 8,6 anos. 98 doentes foram
auditivos. As variáveis audiométricas avaliadas diagnosticados com otosclerose bilateral
foram os limiares tonais pré-operatórios e (62%), dos quais 38 foram submetidos a cirurgia
pós-operatórios de CA, CO e GAO e reflexos bilateral. As características descritivas e os
estapédicos pré-operatórios. A população do parâmetros audiométricos pré-operatórios
estudo foi dividida em dois grupos com base estão listados na Tabela 1.
no diâmetro da prótese: grupo A (0,4 mm) e
grupo B (0,6 mm). Avaliação auditiva
O sucesso cirúrgico, conforme definido pela Avaliação audiométrica pré-operatória
AAO-HNS, é um GAO pós-operatório ≤ 10 dB. A média do LTM-CA e LTM-CO pré-
Na literatura, frequentemente é utilizado operatórios foi de 56,23 ± 11,8 e 26,10 ± 8,5 dB,
um valor de corte de 20 dB para o GAO pós- respetivamente. A média do GAO foi de 30,13
operatório. Tendo em conta esta disparidade 7,7 e apenas 2 casos (1,3%) apresentavam
de critérios existentes na literatura, foram audição funcional antes da cirurgia (AC-PTA ≤
criados 2 grupos de analise com base no GAO 30 dB). Os resultados audiométricos pré e pós-
pós-operatório: ≤ 10 dB e ≤ 20 dB. Um LTM-CA operatórios estão listados na Tabela 2.
≤ 30 dB no pós-operatório foi definido como
audição funcional. Avaliação audiométrica pós-operatória
As variáveis categóricas foram descritas A média do LTM-CA pós-operatório de 36,09 ±
como número absoluto e frequências e os 15,1 dB, o que representa um ganho auditivo de
dados audiométricos como médias (desvio 20,14 ± 13,5 dB em LTM-CA (p < 0,001). A audição
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