Page 52 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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invasão cutânea mais frequente (8-10%) .          de  irradiação  definidos  em  TC  de  planeamento,
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          A  sua  apresentação  clínica  varia  consoante  o  tipo   nomeadamente o CTV (“clinical tumor volume”), o PTV
          de tumor e a sua localização. Os doentes costumam   (“planning target volume”) e os órgãos de risco (OAR’s).
          apresentar uma massa indolor, muitas vezes com uma   Ao PTV1 (figs. 1 e 2), que corresponde ao CTV1 (região
          evolução de anos, e que, de uma forma súbita, passa   parotídea direita), CTV2 (regiões ganglionares cervicais
          a ter um crescimento rápido. Apesar de poder haver   e supraclaviculares direitas) e uma margem de 3 mm,
          envolvimento do nervo facial em 1/3 dos tumores da   foi administrada uma dose de 46Gy/23fr/4,5S e ao PTV2
          parótida,  apenas  10  a  20%  dos  doentes  se  queixam   (figs. 3 e 4), também designado por “boost”, que inclui o
          de dor, sendo que esta também pode surgir devido   CTV1 (região parotídea direita) e uma margem de 3 mm,
          ao envolvimento de estruturas mais profundas, como   a dose administrada foi de 20Gy/10fr/2S.
          o  masseter,  o  temporal  ou  os  músculos  pterigoideus.   A doente cumpriu o esquema de radioterapia
          Nestes tumores, podem surgir outros sintomas tais   proposto sem interrupção do tratamento mas com
          como disfagia ou trismus e, embora raramente,     perda acentuada de peso. Durante o tratamento, teve
          podem também atingir a base do crânio, causando dor   xerostomia, disfagia e  radiodermite, G2. Presentemente,
          refractária e paralisia de vários nervos cranianos .   mantém-se em controlo clínico, com um follow-up de
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          O tratamento destes tumores é habitualmente       42 meses e  sem evidência de recorrência da doença.
          cirúrgico,  seguido  de  radioterapia  adjuvante,  a  título   Como complicações crónicas, apresentou trismus
          pós-operatório (PORT), se houver factores de mau   moderado, fibrose dos tecidos moles na área parotídea
          prognóstico  da  doença.  Até  à  data,  a  quimioterapia   e agravamento das cáries dentárias pré-existentes.
          adjuvante tem mostrado pouco benefício e, para além
          disso, a associação da quimioterapia e da radioterapia   FIGURA 1
          (RT) concomitante, a título adjuvante, parece não ser   Volumes-alvo (CTV1, CTV2 e PTV1)
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          superior à PORT isolada .
          O objectivo deste trabalho é, através da descrição de um
          caso clínico, realçar não só a existência desta incidência
          rara,  como  também  a  definição  das  estratégias
          terapêuticas e suas controvérsias.

          DESCRIÇÃO DO CASO
          Os autores descrevem um caso clínico de uma doente de
          19 anos que, em Abril de 2012, referiu o aparecimento
          de  uma  tumefacção  de  4cm  na  região  parotídea
          direita e parestesias no membro superior direito.
          Sem antecedentes pessoais e familiares de doença
          oncológica. A tomografia computorizada (TC) mostrou
          a  parótida  direita  com  aumento  das  dimensões  e  da
          densidade pós-constraste, com procidência da glândula
          para o masséter homolateral, numa extensão antero-
          posterior de 3,3 cm; a nível ganglionar, apresentava
          gânglios latero-cervicais e jugulo-carotídeos sugestivos
          de  gânglios  inflamatórios.  Em  Maio,  fez  biópsia
          que revelou um carcinoma mucoepidermóide da       FIGURA 2
          parótida,  tendo  sido,  posteriormente,  submetida  a   Campos de irradiação do PTV1
          parotidectomia  total  com  esvaziamento  ganglionar
          jugulo-carotídeo e espinhal direito, plastia com retalho,
          exérese da cicatriz de biópsia e com preservação do
          VII  par.  O  estudo  histológico  confirmou  o  carcinoma
          mucoepidermóide de baixo grau, envolvendo troncos
          nervosos, com invasão do tecido muscular e margem
          comprometida. O esvaziamento ganglionar não revelou
          metástases, pelo que o estadiamento patológico foi
          definido  como  pT3N0Mx,  R1.  Complementarmente,  a
          doente foi proposta para PORT.
          A doente realizou este tratamento com uma dose total
          de 66Gy/33F/6,5S, tendo sido tratada em acelerador
          linear com uma energia de fotões de 4 MV. O esquema
          de tratamento foi efectuado de acordo com os volumes

      194  REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL
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