Page 42 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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Adenoidectomia prévia: DISCUSSÃO
Trinta e um porcento dos casos em estudo realizaram As taxas de sucesso na timpanoplastia pediátrica nos
adenoidectomia prévia. Não foi encontrada diferença diversos estudos apresentam variabilidade significativa,
significativamente estatística relativamente ao o que se deve à disparidade das definições de sucesso,
sucesso anatómico e funcional no grupo submetido critérios de seleção, duração de follow up, o que torna
a adenoidectomia prévia (tabela 7), mesmo quando difícil a comparação dos vários trabalhos publicados.
realizada a análise para o grupo <12 anos e ≥ 12 anos. Um dos fatores prognósticos mais discutidos na
literatura atual é a idade de realização da cirurgia.
TABELA 7 Alguns autores recomendam a não realização da cirurgia
Taxas de sucesso consoantes adenoidectomia prévia antes dos 6 anos 17,7 anos 18,8 anos 14,19,10 anos e 12 anos 8
20
Sucesso Sucesso devido à maior taxa de insucesso nestas idades. Uma
Adenoidectomia n anatómico audiológico meta análise de 30 estudos sobre miringoplastia em
prévia idade pediátrica concluiu que o sucesso da cirurgia é
% p % p
função da idade. Contrastando com estes resultados,
13
Sim 21 66,67 0,312 61,90 0,421
muitos autores publicaram excelentes taxas de sucesso
Não 46 78,26 71,74 apesar da idade do doente e advogando cirurgia tão
cedo quanto possível. 3,5,9-11,21
Estado do ouvido contra lateral à data da cirurgia: Neste estudo a idade não teve efeito no sucesso
A presença de alterações no ouvido contra lateral anatómico e audiológico, tendo o grupo de crianças
como timpanosclerose, perfuração timpânica, retração com idade <12 anos e o grupo com ≥12 anos taxas de
timpânica, efusão serosa, evidenciou menor sucesso sucesso similares, pelo que a idade não foi uma variável
anatómico e audiológico, com significância estatística, prognóstica.
havendo um risco relativo 0,272 maior de insucesso Relativamente à localização da perfuração timpânica é
anatómico (CI 95%: 0,087- 0,857) e 0,193 de insucesso comumente aceite que as perfurações anteriores devido
audiológico (CI 95%: 0,064 – 0,588). à dificuldade de acesso e de colocação do retalho têm
taxas de insucesso maiores, no entanto, em diversas
TABELA 8 publicações esta premissa não é verificada não havendo
Taxas de sucesso consoante estado do ouvido contra lateral relação estatística entre a localização da perfuração e a
taxa de insucesso. 6,7,11,14,22
Sucesso Sucesso
Estado ouvido n anatómico audiológico Neste estudo apesar da taxa de sucesso anatómico e
contra lateral audiológico ser inferior em perfurações anteriores não
% p % p
existe correlação significativamente estatística entre a
Normal 43 83,72 0,022 81,39 0,003 taxa de sucesso e a localização da perfuração.
Anormal 24 58,33 45,83 O tamanho da perfuração não evidenciou, neste estudo,
correlação significativamente estatística com o sucesso
Experiência do cirurgião: anatómico ou audiológico, o que vai de encontro com
A experiência do cirurgião não evidenciou alterações outros trabalhos publicados. 6,9,10,23
nas taxas de sucesso anatómico e funcional O estado do ouvido contra lateral é avaliado por alguns
significativamente estatísticas. autores como indicador da função da tuba auditiva. Uyar
Entre as 17 re-perfurações observadas, 64,70% et al demonstrou que quando o ouvido contra lateral
ocorreram num período de 3 meses de follow-up e exibia perfuração ou retração timpânica havia uma
88,23% em 12 meses. diminuição significativa da taxa de sucesso anatómico
Na análise realizada apenas foi encontrado como fator e audiológico depois da timpanoplastia. No presente
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preditor de sucesso anatómico e audiológico o estado estudo tal relação também foi verificada, evidenciando-
do ouvido contra lateral na amostra total. Não foram se uma taxa de sucesso anatómico e audiológico
encontrados fatores preditores de sucesso quando significativamente estatística menor nos doentes com
realizada a divisão da amostra em idade inferior a 12 alterações de ouvido contra lateral à data cirurgia
anos e superior ou igual a 12 anos (perfuração timpânica, retração, efusão serosa). No
entanto, quando avaliada a taxa de sucesso nos doentes
TABELA 9
Taxas de sucesso consoante experiência do cirurgião que realizaram previamente adenoidectomia, que
presumivelmente poderia melhorar a função tubar, não
Sucesso Sucesso se verificou taxa de sucesso anatómico e audiológico
n anatómico audiológico superior, tendo-se mesmo verificado a tendência
% p % p inversa (sucesso anatómico de 66,67% no grupo que
Interno 33 72,72 0,725 72,72 0,479 fez previamente adenoidectomia e de 78,26% no
grupo que não fez) apesar de não ser estatisticamente
Especialista 34 76,47 64,70
significativa. Esta ausência de correlação estatística foi
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