Page 40 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
P. 40
TABELA 1 cirurgião, duração do follow up e limiares auditivos pré
Taxas de sucesso da timpanoplastia em crianças e pós cirurgia. A função da tuba auditiva seria outra
variável importante a avaliar, no entanto, o seu registo
Follow up Taxa de
Autor n Idade não estava presente em todos os casos analisados.
(meses) sucesso A avaliação do tamanho da perfuração foi realizada
Chandrasenkhar et al. 5 268 1-19 37 81 através de diagramas da membrana timpânica e de
Denoyelle et al. 6 231 4-17 36 83 registos operatórios, tendo sido classificada em superior
ou inferior a 50% da superfície total da membrana
Kessler et al. 7 209 <18 6 92
timpânica. Tendo em conta a localização da perfuração
Knapik et al. 3 201 3-18 30 95 foi descrita como anterior ou posterior de acordo com
Raine and Singh 8 114 7-16 36 72 a sua posição anterior ou posterior ao cabo do martelo,
Black et al. 9 100 2-17 24 75 como inferior se abaixo do umbus e marginal se não
respeita o anulus fibroso. Quando uma perfuração
Carr et al. 10 89 2-22 13 75
ocupava o quadrante anterior bem como o posterior é
Caylan et al. 11 51 5-16 18 82
considerada central. Todas as crianças foram submetidas
Yung et al. 12 51 4-14 36 92 a anestesia geral, realizando-se timpanoplastia por
Bluestone et al. 2 45 2-16 24 35 via retroauricular recorrendo a técnica underlay com
retalho de fáscia temporal homolateral. Todas as
discutido é a idade de realização da timpanoplastia. crianças apresentavam perfuração timpânica com pelo
Uma perda auditiva significativa pode ser resultado menos 1 ano de evolução e sem otorreia pelo menos
de uma perfuração grande com repercussões no durante 1 mês antes da cirurgia. O sucesso foi definido
desenvolvimento da linguagem, que podem ter tendo em conta critérios anatómicos e funcionais.
especial notoriedade em crianças pequenas. 2,16 Outro O sucesso anatómico foi definido pela presença de
importante argumento a favor da timpanoplastia é uma membrana timpânica estável, com ausência de
impedir a migração de células epiteliais escamosas para perfuração, atelectasia ou lateralização 6 meses depois
o ouvido médio com formação de um colesteatoma. 7,14 da intervenção cirúrgica. Sucesso funcional foi definido
Argumentos válidos são também apresentados pela presença de um gap aéreo-ósseo (calculada média
no sentido de adiar a cirurgia como dificuldade na de 0.5-4KHz) inferior a 20 dB no último audiograma.
técnica cirúrgica devido a CAE estreito e a ausência de A Análise estatística foi realizada com o software SPSS
colaboração de crianças pequenas nos cuidados pós- versão 20.0.
operatórios. 14
O presente estudo foi desenhado para analisar a taxa RESULTADOS
de sucesso da timpanoplastia em idade pediátrica, Foram analisados 75 casos entre Janeiro de 2002
avaliando os fatores de prognóstico e a interação e Abril de 2012, tendo sido selecionados 67 casos,
entre estes num grupo de doentes submetidos a em 59 doentes. Oito doentes foram submetidos a
timpanoplastia tipo I de Wullstein. timpanoplastia tipo bilateral em tempo cirúrgicos
diferentes. Taxa de sucesso anatómico aos 6 meses
MATERIAL E MÉTODOS foi de 77,61% e na última visita de follow-up de 73,14
Foi realizada uma análise retrospetiva de 75 casos de %. O sucesso audiológico de 71,64% aos 6 meses e na
doentes com idade inferior a 18 anos que realizaram última visita de follow-up. O gap aéreo ósseo média
timpanoplastia tipo 1 de Wullstein entre Janeiro de 2002 prévio à cirurgia foi de 24,54 dB (+/-9,54), aos 6 meses
e Abril de 2012 no Centro Hospitalar e Universitário de follow-up foi de 13,02 (+/- 11.38) e à data do último
de Coimbra (CHUC) – pólo Hospital Pediátrico (HP) / follow up 13,79 dB (+/- 12,26). Verificou-se que 62,7%
Hospital Geral (HG). Dos 75 casos foram excluídos os dos doentes tiveram na ultima visita de follow-up gap
que apresentavam colesteatoma, follow-up inferior aéreo-ósseo ≤ 10 dB, 9,0% com gap entre 11 e 20 dB,
a 6 meses, realização no mesmo tempo cirúrgico de 22,4% com gap entre 21 e 30 dB e 5,9% com gap> 30 dB.
mastoidectomia ou colocação de implante coclear e O tempo de seguimento mínimo foi de 6 meses
síndromes dismórficos, perfazendo um total de 67 e o máximo 96 meses, com uma média de 24,39
ouvidos operados em 59 doentes (8 doentes foram meses (+/- 24,29) meses. Não ocorreu perda auditiva
submetidos a timpanoplastia tipo I bilateral em tempos neurossensorial em nenhuma cirurgia.
cirúrgicos diferentes). Foram registadas as seguintes
variáveis: idade do doente, género, ouvido operado, Género:
etiologia da perfuração, tamanho e localização da Foram estudados 37 casos de sexo masculino, que
perfuração, estação do ano em que foi realizada a correspondem a 55,2% da amostra estudada e 30 do
cirurgia, estado do ouvido contra lateral, história de sexo feminino, 44,8% dos casos.
cirurgia prévia do ouvido operado e do contra lateral, Conforme exposto na tabela 2 não foi encontrada
história de adenoidectomia prévia, experiência do significância estatística.
182 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

