Page 36 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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TABELA 4 mecânica superior a 5 dias e oxigenoterapia;
Factores de risco de surdez neonatais na amostra populacional em apresentando 50% destes doentes parâmetros clínicos
estudo de doença sintomática. No grupo de doentes com
Audição normal Surdez n=6 audição normal, os factores de risco identificados como
Factores de Risco mais frequentes foram a história familiar de surdez e
n=9 (60%) (40%)
anemia multifactorial; neste grupo 33,3% apresentaram
História Familiar de 33,3% 17,8% doença sintomática ao nascimento.
Surdez Entre todos os factores de risco neonatais e outras
Infecção congénita características basais da amostra, não foram
(sífilis, identificados factores preditivos de perda auditiva.
toxoplasmose, 0 0
rubéola e herpes DISCUSSÃO:
vírus) O presente estudo avalia uma amostra de doentes,
selecionados num período de 5 anos, que cumpriram
Anomalias os critérios de diagnóstico de infecção congénita por
crânio-faciais 11,1% 17,8%
citomegalovírus, com o objectivo de caracterizar a
Peso ao nascimento 22,2% 33,3% associação entre infecção e surdez neurossensorial
inferior a 1500g adquirida.
Hiperbilirrubinémia 22,2% 17,8% Neste estudo, registou-se uma prevalência de infecção
Medicação congénita por CMV de 0,1%. A prevalência média da
ototóxica 11,1% 17,8% infecção congénita por CMV nos países industrializados é
(4)
de 0,58% . O reduzido número de casos diagnosticados
Sépsis neonatal 11,1% 33,3% no centro hospitalar do presente estudo pode dever-
Meningite 0 0 se à inexistência de um programa de rastreio neonatal
bacteriana implementado para o diagnóstico de infecção congénita
Apgar 0-4 no 1º m 11,1% 0 por CMV; à grande maioria das crianças infectadas
ou 0-6 no 5º m serem assintomáticas à nascença (85-90%), bem
como à falta de critérios de definição padronizados
Co-infecção HIV 22,2% 33,3%
para infecção congénita por CMV sintomática . O
(10)
Ventilação mecânica diagnóstico de infecção congénita por CMV tem de ser
superior a 5 dias 11,1% 33,3% feito nas três primeiras semanas de vida, para distinguir
Uso O2 22,2% 33,3% entre infecção congénita e pós-natal. Pela referida
Insuficiência 11,1% 17,8% inexistência de um programa de rastreio, estima-se
Respiratória que um número considerável de casos de infecção
assintomática ao nascimento não tenham sejam
Ducto arterial diagnosticados. Ao contrário das crianças com infecção
Patente 11,1% 17,8% sintomática, a maioria das crianças assintomáticas tem
Displasia um desenvolvimento normal, apresentando 10% a 15%
Broncopulmonar 11,1% 17,8% sequelas a longo prazo, sendo a surdez neurossensorial
(15)
Hemorragia 11,1% 0 a mais frequente .
intra-craniana A surdez neurossensorial é a principal sequela da
infecção congénita por CMV, e este é a principal causa
Anemia 44,4% 17,8%
de surdez neurossensorial adquirida (10,16) .
Outros A perda auditiva pode variar de ligeira a profunda,
(15)
Gravidez não sendo unilateral ou bilateral . A surdez pode estar
vigiada 33,3% 0 presente no momento do nascimento ou ser de
Parto Eutócico 88,9% 83,3% aparecimento tardio. Aproximadamente 33% a 50%
da surdez associada à infecção congénita por CMV
Sintomática 33,3% 50%
é de aparecimento tardio, com uma idade média de
Não sintomática 66,7% 50% ocorrência entre os 33 e os 44 meses . Assim, a
(16)
maioria dos autores sugere o mínimo de uma avaliação
A Tabela 4 resume a análise dos factores de risco neonatais audiológica anual até aos 6 anos de idade . Na amostra
(4)
para o desenvolvimento de surdez neurossensorial. do estudo, 33% da surdez observada foi de aparecimento
No grupo de doentes que desenvolveram algum grau tardio. Consequentemente, esta surdez não pode ser
de surdez, os factores de risco mais frequentemente detectada pelo rastreio auditivo neonatal. Para além
observados foram a co-infecção com o HIV, peso à disso, a surdez pode ser progressiva. Observou-se, no
nascença inferior a 1500g, sépsis neonatal, ventilação presente estudo, a progressão dos limiares de surdez,
178 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

