Page 35 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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TABELA 1                                          TABELA 2
          Classificação da surdez                           Características dos limiares auditivos do grupo de doentes com
                                                            surdez
          Classificação          Limiar
          Audição normal         0-20 dB HL                    Classificação  Ao nascimento   Início tardio
          Surdez Ligeira         21-40 dB HL                                    (26,7%)        (13,3%)
          Surdez Moderada        41-70 dB HL                 Surdez ligeira      20%            13,3%
          Surdez Severa          71-90 dB HL                 Surdez Moderada     6,7 %            0
          Surdez Muito Severa    91-119 dB HL                Surgez Severa        0               0
          Surdez Profunda        Mais de 120 dB HL           Surdez Muito         0               0
                                                             Severa
          Em  indivíduos  com  surdez  neurossensorial  bilateral,  utilizam-se  os
          resultados do melhor ouvido.                       Surdez Profunda      0               0
          tardia foi definida como uma perda auditiva registada
          numa avaliação audiológica de follow-up posterior a   Dos 15 RN estudados, 6 (40%) apresentaram          ARTIGO DE REVISÃO REVIEW ARTICLE
          uma avaliação inicial normal (4,11) .             ao  nascimento  parâmetros  clínicos  compatíveis
          Os dados recolhidos foram analizados com o software   com  infecção  congénita  por  CMV  sintomática.  Os
          SPSS  21.0  statistical  package.  Utilizaram-se  os  testes   parâmetros  clínicos  mais  frequentes  no  grupo  de
          t-student e t-student independente para a análise   doentes  sintomáticos  foram  o  atraso  no  crescimento
          estatística de varíaveis contínuas. O teste X2 foi utilizado   intra-uterino (50%) e hepatoesplenomegália (33,3%).
          para  a  análise  de  variáveis  discretas.  Utilizou-se   Em 3 (50%) dos doentes sintomáticos, identificaram-se
          regressão logística binominal para determinar factores   na ecografia cerebral quistos subaracnoideus. Verificou-
          preditivos da perda auditiva. Um valor p inferior a 0,05   se o desenvolvimento de algum grau surdez em 50% dos
          foi utilizado para referir significado estatístico.   doentes neste grupo sintomático.
                                                            No grupo de doentes com surdez, verificou-se que uma
          RESULTADOS:                                       criança com doença sintomática teve uma progressão
          Durante o período do estudo de 5 anos, foram      dos limiares de surdez, de ligeira a moderada, durante
          registados 15 396 nascimentos na maternidade do   um período de dois anos.
          Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca.       Os  doentes  com  infecção  sintomática  apresentaram
          Identificaram-se,  neste  total,  15  (0,1%)  crianças   uma taxa de surdez superior aos doentes com infecção
          que  cumpriram  o  critério  de  diagnóstico  de   assintomática,  no  entanto  sem  significado  estatístico
          infecção congénita por citomegalovírus. Dentro das   (50% vs 33%, p=0,62).
          características basais da amostra, identificou-se 53% de   No grupo de doentes com infecção congénita por CMV
          recém-nascidos (RN) do sexo masculino, 47% de RN do   sintomática,  verificou-se  que  3  (50%)  dos  doentes
          sexo feminino; tempo médio de gestação de 34 (± 5,1)   eram prematuros, correspondendo ao total de doentes
          semanas; 80% RN de termo e 20% RN prematuros; peso   prematuros da amostra em estudo.
          médio à nascença de 2045,7 (± 915,7) gramas e 26% de   Verificou-se   uma   associação   estatisticamente
          RN com muito baixo peso à nascença (≤1500g).      significativa  entre  infecção  por  CMV  sintomática  e
          Em 75% dos RN, a infecção congénita ao citomegalovírus   prematuridade; o mesmo não se verificou para o muito
          resultou de uma infecção primária durante a gravidez,   baixo peso ao nascer.
          sendo nos restantes 25% resultado de uma infecção   TABELA 3
          materna não primária. Em 26% dos doentes detectou-  Grupo de doentes com infecção congénita por CMV sintomática
          se  uma  co-infecção  com  o  vírus  da  imunodeficiência   ou não sintomática
          humana (VIH) do tipo 1.
          Na avaliação audiológica do total de crianças selecionadas        Infecção   Infecção
          para o presente estudo, 26,7% apresentava algum grau             sintomática  assintomática  Valor p
          de surdez ao nascimento. Em 13,3% dos restantes RN               n= 6 (40%)  n= 9 (60%)
          desenvolveu-se tardiamente surdez nas avaliações   Surdez         3 (50%)    3 (33,3%)    0,62
          médicas subsequentes, com um tempo médio de        Prematuridade  3 (50%)       0        0,044
          desenvolvimento de surdez após o nascimento, neste
          grupo, de 1,5 (± 0,71) anos. Do total de 15 RN, 40%   Peso ao
          desenvolveu algum grau de surdez neurossensorial. No   nascimento  3 (50%)   1 (11,1 %)   0,23
          grupo que desenvolveu surdez, esta foi bilateral em 83%   inferior a 1500g
          e de desenvolvimento tardio em 33,3%, com uma média
          de tempo para o desenvolvimento da mesma de 0,5 (±   Não se verificou associação com significado estatístico
          0,87)  anos.  As  características  dos  limiares  de  audição   entre infecção primária ao CMV e surdez ou doença
          estão registadas na Tabela 2.                     sintomática.

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