Page 34 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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todos os nascimentos à escala global . A prevalência da resposta inflamatória local, é apontado para explicar as
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infecção congénita por CMV nos países industrializados referidas características da surdez (4,12) .
é de 0,64% a 0,70% (4,5) . Nos países subdesenvolvidos,
a incidência atinge valores superiores, afectando 1 a MATERIAL E MÉTODOS:
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5% de todos os recém-nascidos (RN) . Na maioria dos Este estudo retrospectivo foi conduzido no Hospital
países europeus, encontra-se uma seroprevalência Professor Doutor Fernando Fonseca. Foram analisados
materna de CMV entre 40% a 60%, relacionando- os doentes do referido centro hospitalar que cumpriram
se com esta a prevalência da infecção congénita por os critérios de diagnóstico de infecção congénita por
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CMV . A transmissão do CMV é inter-humana, e ocorre CMV, de Janeiro de 2010 a Dezembro de 2014, tendo
por contacto directo com fluídos corporais infectados, uma duração mínima de follow-up de 6 meses, com
sendo as crianças, entre os 1 e 2 anos de idade, as pelo menos três avaliações audiológicas.
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fontes de infecção mais importantes . Há um maior O critério de diagnóstico de infecção congénita por CMV
risco de transmissão vertical quando a infecção materna utilizado, em todas as crianças, foi a positividade da
é primária e com o aumento da idade gestacional . reacção de polimerase em cadeia (PCR) do DNA viral do
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No entanto, o risco de infecção congénita sintomática citomegalovírus, efectuada nas três primeiras semanas
é superior quando a transmissão ocorre no primeiro de vida . Com base na primeira avaliação médica
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trimestre da gravidez . das crianças que cumpriram o diagnóstico de infecção
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Actualmente, a infecção congénita por CMV é congénita ao CMV, identificaram-se os potenciais sinais
considerada a principal causa de surdez neurossensorial de infecção congénita sintomática. Para a definição
adquirida, e uma causa importante de malformações de doença sintomática utilizou-se como critério
congénitas, paralisia cerebral, retinite e atraso a presença de um ou mais dos seguintes achados
psicomotor, sendo ainda hoje um desafiante problema clínicos: petéquias, icterícia, hepatoesplenomegália,
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de saúde pública . trombocitopénia, coriorretinite e/ou atrofia ótica,
A infecção congénita por CMV pode ser classificada microcefalia, atraso no crescimento intra-uterino,
em sintomática ou assintomática ao nascimento, púrpura, convulsões e calcificações intracranianas (5,10) .
destacando-se o valor prognóstico desta classificação, Registaram-se igualmente outros factores de risco
dado que os indivíduos sintomáticos apresentam de surdez, de acordo com o Grupo de Rastreio e
maior risco de desenvolvimento de sequelas neuro- Intervenção da Surdez Infantil, sendo estes: história
comportamentais, identificadas em aproximadamente familiar de deficiência auditiva congénita; outra infecção
de 50% destes doentes. Apenas cerca de 10% a congénita (sífilis, toxoplasmose, rubéola e herpes vírus);
15% das crianças com infecção congénita por CMV anomalias crânio-faciais; peso ao nascimento inferior a
apresentam achados clínicos distintivos de doença 1500g; hiperbilirrubinémia (níveis séricos indicativos
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sintomática . A doença sintomática não tem de exsanguíneo-transfusão); medicação ototóxica por
critérios de definição estabelecidos, apresentando mais de 5 dias (aminoglicosídeos ou outros, associados
um largo espectro de manifestações clínicas, cujas ou não aos diuréticos de ansa); meningite bacteriana;
mais frequentemente observadas são: petéquias, índice de Apgar de 0-4 no 1º minuto ou 0-6 no 5º
icterícia, hepatoesplenomegália, microcefalia, letargia, minuto); ventilação mecânica por período igual ou
coriorretinite e/ou atrofia ótica (5,10) . Cerca de um terço superior a 5 dias; sinais ou síndromes associados à
dos doentes são prematuros. Os achados imagiológicos surdez de condução ou neurossensorial (11,13,14) .
mais comuns nos doentes sintomáticos são calcificações A avaliação audiológica inicial das crianças
intracranianas . diagnosticadas com infecção congénita por CMV
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A surdez neurossensorial é a sequela mais frequente da foi feita por profissionais treinados de audiologia, e
infecção congénita por CMV, correspondendo a cerca utilizou como métodos as otoemissões acústicas (OEA)
de 2% a 18% dos casos de surdez infantil, afectando e os potenciais evocados auditivos do tronco cerebral
cerca de 50% dos doentes com infecção sintomática (PEATC). No seguimento das crianças, referenciadas
e entre 10% a 15% dos doentes assintomáticos (4,6,11) . para consulta de surdez infantil, algumas avaliaram
A incidência global de surdez neurossensorial nos posteriormente a audição com audiogramas tonais
doentes com infecção congénita por CMV é de 12,6% . comportamentais.
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A surdez consequente da infecção congénita ao CMV é Para categorizar a perda auditiva foram utilizadas as
de carácter exclusivamente neurossensorial, associada recomendações do Bureau for Audiophonology (BIAP)
a possível lesão de estruturas endolinfáticas e da stria (11,14) (Tabela 1). A perda auditiva progressiva definiu-
vascularis, com consequente desequilíbrio iónico e se como uma deterioração de 10 decibel (dB) ou
degeneração de estruturas sensoriais . Pode ter um mais, em avaliações sucessivas. A melhoria da perda
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início tardio, em cerca de 50% dos casos. A maioria auditiva definiu-se como uma subida de 10 dB ou
dos autores sugere um follow-up de 6 anos. A surdez mais, em avaliações sucessivas. Uma perda auditiva
pode apresentar ainda características progressivas ou fluctuante definiu-se como uma alternância entre perda
flutuantes. O papel da latência e reativação viral, com progressiva e melhoria da perda auditiva. A surdez
176 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

