Page 33 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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Infecção congénita por citomegalovírus: Importante


          causa de surdez neurossensorial adquirida



          Congenital cytomegalovirus infection: A leading


          cause of sensorineural hearing loss




          Marco Menezes Peres   Leonel Barbosa   Sofia Decq Motta   Ivo Moura   Ana Guimarães   Filipe Freire


          RESUMO                                            AbstrAct                                               ARTIGO DE REVISÃO REVIEW ARTICLE
          Introdução: A infecção congénita por citomegalovírus (CMV)   Introduction: Cytomegalovirus is the most common cause of
          é a causa mais frequente de infecção viral congénita, sendo   congenital viral infection, being also a leading nonhereditary
          igualmente causa major de surdez neurossensorial adquirida.  cause of sensorineural hearing loss.
          Material  e  métodos:  Analisaram-se  retrospectivamente  os   Material  and  methods:  From  2010  to  2014,  patients  with
          doentes diagnosticados com infecção congénita por CMV, de   congenital  cytomegalovirus  infection  were  retrospectively
          2010 a 2014, num único centro hospitalar.         analysed, in a single hospital centre.
          Resultados: Durante o período do estudo, foram registados 15   Results: During the study period, 15 396 births were identified
          396 nascimentos no referido centro hospitalar, identificando-  in  our  centre  with  15  children  (0,1%)  meeting  the  inclusion
          se 15 crianças (0,1%) com critério de diagnóstico para infecção   criterion for the diagnosis of congenital CMV infection. From
          congénita  por  CMV.  Identificou-se  53%  de  recém-nascidos   the  baseline  characteristics  of  the  population  we  observed
          (RN) do sexo masculino, com tempo médio de gestação de 34   53% male new borns (NB), with a mean gestational period of
          semanas (± 5,1), 20% de RN prematuros, e 26% de RN com   34±5.1 weeks, 20% of premature births and 26% of NB with
          muito  baixo  peso  (≤1500g).  Foi  registada  infecção  primária   a  very-low  birth  weight  (≤1500g).  A  primary  CMV  infection
          por CMV em 75% dos casos, 26% dos RN eram co-infectados   was found in 75% of patients and 26% were co-infected with
          com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) tipo 1. Neste   HIV type 1 virus. In this cohort, 26.7% of NB presented with a
          coorte, 26,7% dos RN apresentava algum grau de surdez ao   certain degree of hearing loss, with 13% of NB developing late
          nascimento, desenvolvendo-se surdez tardia em 13 %.  hearing loss.
          Conclusões:  O  diagnóstico  preciso  da  infecção  congénita   Conclusions:  Congenital  CMV  infection  can  only  be  reliably
          por CMV no recém-nascido só pode ser feito nas primeiras   diagnosed  in  the  first  three  weeks  of  life.  Furthermore,  the
          três semanas de vida. Para além disso, a inexistência de um   deficiency  of  new-born  CMV  screening  programs,  and  lack
          programa implementado de rastreio para a infecção por CMV   of  standard  definition  for  symptomatic  infection  during
          durante a gravidez e período neonatal, bem como a falta de   pregnancy and the neonatal period, the rigorous prevalence
          critérios específicos para o diagnóstico de infecção congénita   of congenital CMV infection and burden of CMV related SNHL
          a CMV sintomática, tornam difícil a estimativa da prevalência   are challenging to estimate.
          real da mesma, bem como da surdez consequente.    Keywords:  cytomegalovirus;  congenital  infection;  sensorineural
          Palavras-chave: citomegalovírus; infecção congénita; surdez   hearing loss.
          neurossensorial.
                                                            INTRODUÇÃO:
                                                            O citomegalovírus (CMV) é um vírus de DNA de
                                                            dupla cadeia, membro da família Herpesviridae, e
                                                            o maior vírus desta família, infectando uma grande
                                                            percentagem de humanos a nível mundial. O CMV
          Marco Menezes Peres
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca   tem  como  único  reservatório  a  espécie  humana,
                                                            apresentando uma elevada especificidade de espécie.
          Leonel Barbosa
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca   A sua transmissão pode ocorrer antes, durante ou
          Sofia Decq Motta                                  após o nascimento. A apresentação clínica da doença
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca   é extremamente variável, desde infecção assintomática
          Ivo Moura                                         na maioria dos doentes, a síndrome de mononucleose
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca
                                                            infecciosa em indivíduos saudáveis, podendo causar
          Ana Guimarães                                     síndromes graves e potencialmente fatais em doentes
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca
                                                            imunocomprometidos .
                                                                              (1)
          Filipe Freire
          Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca  A infecção congénita por CMV é a causa mais frequente
                                                            de infecção viral congénita , afectando 0,2% a 2,5% de
                                                                                  (2)
          Artigo recebido a 21 de Setembro de 2016. Aceite para publicação a 15 de Março de 2017.
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