Page 60 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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marsupialização alargada do mucocelo, criando Referências bibliográficas
uma comunicação ampla nasofrontal. Este último 1-Vicente A, Chaves A, Takahashi E et al. Frontoethmoidal mucoceles:
a case report and literature review. Rev Bras Otorrinolaringol,
procedimento tem a vantagem de permitir uma melhor 2004;70(6): 850-4.
visualização endoscópica do seio frontal, aumento da 2-Belirti A, Olgusu V, Olgu N. Frontal Mucocele Presenting with
angulação com controlo da patologia lateral, que seria Forehead Subcutaneous Mass: an unusual presentation. Turkish
Neurosurgery, 2008;18(2): 200-3.
impossível de alcançar com o uso de um campo cirúrgico 3-Dispenza C, Saraniti C, Caramanna C et al. Endoscopic treatment
ipsilateral limitado, a utilização de instrumentação por of maxillary sinus mucocele. Acta Otorhinolaryngol Ital, 2004
ambas as fossas nasais e menor risco de recidiva . Oct;24(5):292-6.
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4-Suri A, Mahapatra A, Gaikwad S et al. Giant Mucoceles of the
As abordagens combinadas, com via externa e CENS, frontal sinus: a series and review. Journal of Clinical Neuroscience,
têm sido preferidas no caso de mucocelos gigantes, 2004;11(2): 214.
nomeadamente se houver invasão orbitária ou erosão 5-Sautter N, Citardi M, Pery J et al. Paranasal sinus mucoceles with
skull-base and/or orbital erosion: Is the endoscopic approach
significativa da parede externa do seio frontal4, como sufficient? Otolaryngol Head and Neck Surgery, 2008;139: 570-4.
o caso que apresentamos. O procedimento de Lothrop 6-Herndon M, McMains K, Kountakis S. Presentation and management
modificado tem ganho popularidade recentemente of extensive fronto-orbital-ethmoid mucoceles. American J of
Otolaryngology Head and Neck Medicine and Surgery, 2007;28: 145-7.
como método minimamente invasivo alternativo à 7-Lund VJ, Henderson B, Song Y. Involvement of cytokines and vascular
abordagem externa. Um estudo publicado em 2009 por adhesion receptors in the pathology of fronto-ethmoidal mucoceles.
Anderson e Sindwani demonstrou que o procedimento Acta Otolaryngol,1998; 113:540-5.
8-Sakae F, Filho B, Lessa M et al. Bilateral Frontal Sinus Mucocele. Rev
de Lothrop modificado é um procedimento eficaz Bras Otorrinolaringol, 2006;72(3): 428.
comparativamente às abordagens externas, com 9-Hardy M, Montgomery W. Osteoplastic frontal sinusotomy: an analysis
taxa de complicações major inferiores a 1% e minor of 250 operations. Ann Otol Rhinol Laryngol, 1976;85(4):523-532.
10-Anderson P, Sindwani R. Safety and Efficacy of the Endoscopic
inferiores a 4%, e necessidade de reintervenção inferior Modified Lothrop Procedure. Laryngoscope, 2009;119: 1828.
a 13.9% . As contra-indicações deste procedimento 11-Weber R, Draf W, Keerl R et al. Osteoplastic Frontal Sinus Surgery
10
são: hipoplasia ou ausência do seio frontal; anatomia with Fat Obliteration. Laryngoscope, 2000;110: 1037.
12-Kennedy DW, Josephson JS, Zinreich SJ et al. Endoscopic sinus surgery
intranasal não favorável, nomeadamente um diâmetro for mucoceles: a viable alternative. Laryngoscope, 1989;99: 885.
antero-posterior curto entre o limite anterior da base 13-Draf W, Weber R. Endonasal pansinus operation in chronic sinusitis.
de crânio e a espinha nasal do frontal (menor que Indication and operation technique. Am J Otolaryngol, 1993;14: 394-398.
14-Draf W. The frontal sinus. Scott’s Brown Otorhinolaryngology, Head
1,5 cm), paciente não colaborante no seguimento e a and Neck Surgery, 7th edition. Edward Arnold Publishers Ltd; 2008
inexperiência do cirurgião . 15-Friedel M, Li S, Langer PD et al. Modified Hemi-Lothrop Procedure
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O acesso endoscópico é considerado uma abordagem for Supraorbital Ethmoid Lesion Access. Laryngoscope, 2012;122:
443-444.
segura e bem-sucedida no tratamento dos mucocelos e
mucopiocelos do seio frontal, com a vantagem de menor
co-morbilidade, recuperação pós-operatória precoce,
facilita a vigilância endoscópica e imagiológica pós-
operatória . O seguimento apertado com endoscopia e
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estudo imagiológico é essencial na detecção atempada
da reestenose do ostium permitindo a reintervenção
precoce sem complicações desnecessárias. Os doentes
que se apresentam sem recidiva ao fim de um ano
pós-operatório tendem a ter resultados a longo-prazo
favoráveis .
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Assim, pelas vantagens supra descritas e pelos achados
intra-operatórios optámos por utilizar o procedimento
Lothrop modificado no tratamento deste mucopiocelo
gigante, sem que se tivesse registado qualquer
complicação intra ou peri-operatória e sem sintomas
ou sinais clínicos, endoscópicos ou imagiológicos de
recidiva ao fim de um ano pós-operatório.
CONCLUSÃO
Os mucocelos são lesões expansivas dos SPN que
podem causar complicações severas intracranianas
ou orbitárias, pelo que devem ser diagnosticadas e
tratadas atempadamente. O diagnóstico é estabelecido
imagiologicamente. No caso apresentado, o tratamento
com CENS utilizando o procedimento Draf III (Lothrop
modificado) permitiu a resolução da lesão, não havendo
recidiva após 1 ano de seguimento.
178 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

