Page 50 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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INTRODUÇÃO                                        descrita posteriormente por Soutar et al  em 1983.
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          Cirurgia reconstrutiva em cabeça e pescoço: A ressecção   Este retalho é, hoje em dia, considerado uma ferramenta-base
          tumoral em cirurgia oncológica da cabeça e pescoço está   na reconstrução microvascularizada em cirurgia da cabeça e
          associada a morbilidade significativa quer estética, quer   pescoço , (nomeadamente na reconstrução da orofaringe)
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          funcional. É neste contexto que se desenvolveu a cirurgia   pelas diversas vantagens que apresenta: (1) é um retalho
          reconstrutiva da cabeça e pescoço, que faz uso de várias   fino, (2) maleável, (3) que possibilita uma área de maior ou
          técnicas para minimizar essa morbilidade. Os métodos   menor extensão (adequada às necessidades), (4) sem pelos
          reconstrutivos incluem (1) cicatrização por segunda intenção,   (ou com poucos pelos), (5) com pedículo vascular longo, (6)
          (2) encerramento directo, (3) enxertos de pele, (4) retalhos   com possibilidade de perfusão anterógrada (anastomose do
          locais, (5) retalhos loco-regionais pediculados e (6) retalhos   topo proximal da artéria radial) e retrógrada (anastomose
          livres microvascularizados. A partir deste “gradiente”  de   do topo distal), (7) com possibilidade de associar osso do
          métodos reconstrutivos foi introduzido em 1982 por Mathes   rádio ao retalho, (8) vasos de calibre largo (artéria radial:
          e Nahai o conceito de “escada reconstrutiva” . Na sua   2-3mm, veia cefálica: 3-4mm, veias profundas: 1-3mm), (9)
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          concepção inicial, este conceito fazia, não só uma analogia   pode ser levantado ao mesmo tempo que outra equipa se
          ao grau de complexidade técnica crescente associado a cada   dedica à ressecção tumoral, e ainda (10) pela sua relativa
          técnica reconstrutiva (cada degrau da escada), mas também   facilidade de levantamento, é adequado para cirurgiões com
          transmitia à noção de que só se deveria passar para o degrau   menos experiência em cirurgia reconstrutiva com retalhos
          seguinte se o precedente se revelasse insuficiente para a   livres8.  Obviamente que  este retalho  também  apresenta
          resolução de determinado defeito cirúrgico. Na concepção   algumas desvantagens: (1) requer o sacrifício de uma artéria
          mais moderna desse modelo, apesar da reconstrução com   major do antebraço (que pode eventualmente ser corrigido
          retalhos livres microvascularizados continuar a ser o “degrau”   com autoenxerto de veia), (2) a região dadora não pode ser
          tecnicamente mais exigente, não é um “degrau” para se subir   encerrada directamente (a não ser na situação rara de retalho
          apenas se os outros falharem, mas sim para ser considerado   com largura inferior 2-3cm), obrigando a encerramento
          como “primeira linha” em determinados defeitos cirúrgicos   frequentemente com enxerto de pele, o que condiciona (3)
          seleccionados . Esta noção fez aumentar o número de   morbilidade estética considerável bem como (4) risco de
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          indicações para a reconstrução microvascularizada. Todo o   alterações funcionais da mão e antebraço .
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          cirurgião que se dedique à cirurgia reconstrutiva de cabeça   Treino em microcirurgia vascular: A aquisição de competências
          e pescoço não só deverá estar familiarizado com todas estas   em microcirurgia vascular deverá ser preferencialmente
          técnicas reconstrutivas mas, principalmente, deverá saber   adquirida em modelos, previamente à execução das técnicas
          quando e onde deverá utilizar cada técnica .      no bloco operatório  sendo este considerado uma “má sala de
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          Se no passado, em determinadas situações, se utilizou a   aulas” . O treino de levantamento de retalhos em cadáveres
          reconstrução tardia relativamente ao momento da cirurgia   permite a familiarização com a anatomia da região dadora
          de ressecção, hoje em dia, com as técnicas reconstrutivas   bem como com a técnica cirúrgica. Paralelamente, o treino de
          ao dispor dos cirurgiões, a reconstrução precoce deverá ser   microcirurgia vascular em artérias e veias de ratinhos vivos
          a regra, preferencialmente no mesmo tempo cirúrgico da   é reconhecido como fundamental no treino das técnicas de
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          ressecção. Este conceito é particularmente importante em   anastomose microvasculares .
          doentes com doença avançada e esperança de vida reduzida .   Relação custo-beneficio da reconstrução com retalhos
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          Por outro lado, se a cirurgia reconstrutiva microvascularizada   livres: É sabido que a reconstrução com retalhos livres
          permite reduzir a morbilidade estética e funcional da cirurgia   microvascularizados é mais onerosa em termos técnicos e
          oncológica, permite também, fazendo parte da proposta   financeiros  quando avaliada como procedimento isolado,
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          terapêutica cirúrgica inicial, uma ressecção tumoral mais   comparativamente a outro tipo de reconstrução (p.e. com
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          alargada (com maiores margens de segurança) .     retalhos loco-regionais pediculados). Ou seja, a reconstrução
          Origem da microcirurgia vascular e do retalho antebraquial   com retalhos livres microvascularizados é mais exigente
          radial: A origem da microcirugia vascular moderna está   tecnicamente (requer treino específico), requer mais tempo de
          creditada a Jacobson e Suarez  que pediram emprestado o   cirurgia, eventualmente poderá requerer 2 equipas cirúrgicas
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          microscópio aos seus colegas otorrinolaringologistas  para   a trabalhar em paralelo (uma para fazer a ressecção tumoral
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          poderem ver aquilo que a mão conseguia fazer, mas os olhos   e outra para fazer o levantamento e anastomose do retalho),
          sem ajuda não conseguiam ver. De resto a utilização do   requer acompanhamento pós-operatório mais cuidado e está
          microscópio como ferramenta cirúrgica na sala de operações   associada a um custo imediato mais elevado.
          tinha sido introduzida por um otorrinolaringologista sueco,   No entanto, estudos tem demonstrado que, quando
          Carl Olof Nylen em 1921 .                         se compara os gastos totais ao longo de 1 ou 2 anos
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          O retalho livre antebraquial radial (também designado por   entre um grupo de doentes tratados com retalhos livres
          retalho do chinês) foi descrito pela primeira vez na china em   microvascularizados e um grupo de doentes tratados com
          1981 por GF Yang et al. com a publicação de uma série de   reconstrução com retalhos pediculados, verifica-se que os
          60 destes retalhos em 56 doentes com apenas com 1 falha ,   gastos do primeiro grupo são inicialmente mais elevados,
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          realizados a partir de 1978. A sua utilização intraoral foi   mas  por estar  associado a melhores resultados funcionais


      168  REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL
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