Page 57 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 50. Nº2
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FIGURA 2
TC de cortes finos mostrando normal morfologia do OI e CAI
CASO CLÍNICO CASE REPORT
outros sintomas otológicos ou história familiar de para estapedotomia esquerda que decorreu sem
surdez. A otoscopia era normal. O Rinne era negativo incidentes. No audiograma pós-operatório verificou-se
à esquerda e o Weber lateralizava para o mesmo encerramento do ABG à esquerda, tendo sido proposta
lado. No audiograma apresentava hipoacusia mista à para timpanotomia exploradora direita após 12 meses.
esquerda com limiar da via aérea a 60dB e ABG de 30 Na segunda cirurgia após a realização de platinotomia,
dB. A impedancimetria revelou timpanograma tipo A e verificou-se a saída abundante de líquido perilinfático.
ausência de reflexos estapédicos. O doente foi proposto Interpôs-se prótese de Causse entre a bigorna e o
para timpanotomia exploradora esquerda durante a qual orifício platinar, no entanto isto não interrompeu o fluxo
se verificou normal mobilidade de martelo e bigorna, o de perilinfa. Selou-se a janela oval com pericôndrio,
estribo apresentava normal morfologia mas mobilidade spongostan e cola de fibrina, recolocando-se a prótese
diminuída. Após a realização de platinotomia, com broca de Causse. A doente manteve vertigem significativa
de 6mm, verificou-se um fluxo violento de perilinfa que no pós-operatório durante oito dias. O audiograma
rapidamente preenchia o ouvido médio e o espéculo. pós-operatório demonstra encerramento do ABG
Tentou-se selar a platinotmia com a colocação de com queda sensorioneural nas frequências acima dos
prótese de Causse que não foi possível pela intensidade 4000Hz (Figura 3). A TC excluiu alargamento do CAI ou
do fluxo. A selagem da janela oval e OM realizou-se com alterações da morfologia da cóclea e vestíbulo.
spongostan e cola de fibrina. Durante o procedimento
iniciou-se manitol, corticoterapia e antibiótico de largo- Caso Clínico nº3
espectro, não sendo necessária a colocação de dreno Doente do sexo masculino, de 28 anos, observado na
lombar. No audiograma pós-operatório regista-se consulta de ORL por hipoacusia bilateral progressiva
hipoacusia mista profunda à esquerda com limiar da via e acufeno bilateral. Desconhecia história familiar de
aérea de 100dB e limiar da via óssea de 55dB (Figura 1). surdez. A otoscopia era normal e o Rinne negativo
A TC de cortes finos exclui alargamento do CAI e revela bilateralmente. No audiograma apresentava hipoacusia
normal morfologia da cóclea e vestíbulo (Figura 2). de condução bilateral com ABG de 25dB à esquerda
e 20dB à direita. Foi proposto para estapedotomia
Caso Clínico nº2 esquerda que decorreu sem incidentes. No audiograma,
Doente do sexo feminino, de 60 anos, que se apresentou com 2 meses de pós-operatório, verificou-se
na consulta de ORL por hipoacusia bilateral com anos de encerramento do ABG. Dezoito meses após cirurgia o
evolução e acufeno biltateral. A otoscopia era normal doente referiu aparecimento de novo de hipoacusia
e o Rinne era negativo bilateralmente. No audiograma esquerda. No audiograma apresentava hipoacusia de
apresentava hipoacusia de condução bilateral com condução esquerda com ABG de 40dB. O doente foi
ABG de 30dB à esquerda e 20dB à direita. Foi proposta proposto para cirurgia de revisão durante a qual se
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