Page 56 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 50. Nº2
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penetrância incompleta (25 a 40%). Cerca de 10% dos   ouvido médio e o canal auditivo externo em segundos,
          Caucasianos terão achados histológicos de otosclerose,   tornando  difícil  completar  a  cirurgia  e  obter  um  bom
          mas  só  12%  destes  terão  manifestações  clínicas.  A   resultado auditivo. Ocorrerá um GP em cada 500-800
          idade de apresentação clínica é variável, manifestando-  cirurgias de OS, Causse descreve a sua ocorrência em
          se a hipoacusia geralmente entre os 15 e os 45 anos.   0,03%.  Alguns casos estarão associados a surdez familiar
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          O  diagnóstico  de  certeza  é  efectuado  durante  a   ligada ao X tipo 3 (DFN3). Esta síndrome manifesta-se
          timpanotomia  exploradora.  As  opções  de  tratamento   por hipoacusia mista com fixação congénita da platina
          são a amplificação protésica ou a cirurgia estapédica.   e GP. A presença de reflexos estapédicos implica que o
          O implante coclear é uma opção nos casos com HSN grave   componente de condução não está localizado no ouvido
          a profunda bilateral.  As opções cirúrgicas no tratamento   médio mas sim no alargamento do vestíbulo e cóclea
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          da OS são a estapedectomia total, estapedectomia parcial   que resulta em pressão sobre a platina em direcção ao
          ou estapedotomia. O procedimento mais frequentemente   ouvido médio. O achado imagiológico mais comum é a
          utilizado  no  nosso  serviço  é  a  estapedotomia,  realizando   dilatação da porção lateral do CAI, podendo também
          uma  fenestração  na  ½  posterior  da  platina  e  interpondo   encontrar-se uma diminuição ou ausência de osso entre
          uma prótese de Causse entre a bigorna e a platinotomia.   o CAI e a espira basal da cóclea.  Na suspeita desta
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          Esta é uma das cirurgias otológicas com melhores resultados   síndrome, a cirurgia estapédica deve ser evitada.
          funcionais, estando descrito um encerramento do ABG   Apresentam-se três casos clínicos de GP em doentes
          (“air bone gap”) para menos de 10 dB em mais de 90% dos   submetidos  a  estapedotomia,  um  num  doente  com
          doentes. 1                                        OS unilateral, o segundo numa doente previamente
          O gusher perilinfático (GP) é uma complicação conhecida   submetida a estapedotomia contralateral com sucesso
          da cirurgia estapédica, corresponde a um fluxo massivo   e  sem  a  ocorrência  de  GP,  e  o  último  num  caso  de
          de  perilinfa  após  a  realização  de  platinotomia  ou   cirurgia de revisão em que não se havia verificado fuga
          platinectomia. O fluxo de perilinfa de facto corresponde   de perilinfa na primeira cirurgia.
          a líquido cefalorraquidiano (LCR) que tem acesso ao
          vestíbulo através do alargamento da porção lateral do   CASOS CLÍNICOS
          canal auditivo interno (CAI) ou um aqueducto coclear   Caso Clínico nº:1
          patente.  O GP é uma complicação temida da cirurgia   Doente do sexo masculino, de 41 anos, que se
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          estapédica uma vez que pode resultar em vertigem de   apresentou na consulta de ORL por hipoacusia
          longa-duração e HSN. O fluxo de perilinfa preenche o   progressiva esquerda ao longo de 5 anos. Negava

          FIGURA 1
          Audiograma pós-operatório




































      154  REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL
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