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CASO CLÍNICO CASE REPORT
FIGURA 8 | A) Pressão externa sobre o globo ocular; B) Efeito descompressivo final, com projecção da gordura orbitária para o interior
da cavidade naso-sinusal (fossa nasal esquerda).
Para vários autores o grau de proptose pré-operató- consequência da alteração do vector de actuação do
rio poderá indicar logo à partida quais as modalidades conjunto dos músculos extra-oculares. Esta complicação
cirúrgicas a que é necessário recorrer, sabendo-se que a poderá ser corrigida, posteriormente, através de cirurgia
excisão de uma parede orbitária produzirá uma redução oftalmológica, mas parece ser de mais complexa resolu-
de cerca de 2-3 milímetros na proptose, a de duas pare- ção se a prévia descompressão incluiu a parede orbitária
des orbitárias uma redução de 4-6 milímetros e a de três inferior e causou uma rotação superior do globo ocular.
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paredes de cerca de 6-11 milímetros (Quadro II). A antecipação desta problemática leva alguns autores a
preferirem, sempre que a descompressão obrigue à ex-
cisão de uma segunda parede, descomprimir as paredes
mediana e externa, em alternativa à mediana e inferior.
QUADRO II No caso clínico apresentado preferiu-se uma des-
compressão mediana e inferior bilateral pelas razões ób-
Descompressão Orbitária: Resultados vias da necessidade de um efeito descompressivo numa
previsíveis em função das opções cirúrgicas proptose que, não sendo muito marcada, precisava to-
davia de um dramático efeito imediato sobre a função
• 1 Parede: Redução da proptose em 2-3 milímetros. de ambos os nervos ópticos em sofrimento, com um mí-
• 2 paredes: Redução da proptose em 4-6 milímetros. nimo de morbilidade ocular.
• 3 Paredes: Redução da proptose em 6-11 milímetros. A decisão de simultaneamente se efectuar a abertura
da bainha do nervo óptico teve como objectivo maximizar
o efeito da cirurgia sobre a grandemente comprometida
Parede externa Parede mediana função nervosa, num caso em que a cegueira bilateral era
um risco iminente. Poder-se-á argumentar que 1) este últi-
mo acto envolvia riscos acrescidos de traumatismo directo
do nervo óptico e/ou da artéria oftálmica, a que mesmo
Parede inferior a perícia e a experiência cirúrgicas muitas vezes não po-
dem obviar, 2) não são ainda definitivos os estudos que
comprovem a eficácia terapêutica e em que circunstâncias
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deverá ser realizada a descompressão do nervo óptico , e
que 3) talvez a descompressão da órbita fosse suficiente
para a recuperação da função do nervo neste caso.
O estrabismo pós-operatório é uma das principais Todavia, qualquer cirurgião que pretenda dar solução
complicações associadas à descompressão orbitária, a um caso com características idênticas à deste não deve-
com 15 a 63% dos doentes a referir o aparecimento rá ignorar a evidência clínica já existente na literatura da
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ou agravamento da diplopia pré-existente , ocorrendo eficácia da modalidade terapêutica descompressão cirúr-
principalmente nas descompressões mais extensas, em gica do nervo óptico, a qual já não legitima eticamente
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