Page 52 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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.Teresa Oliveira Matos, et al


            ta”, ignorando-se se atrás de comportamentos clínicos   O tratamento da orbitopatia tiroideia, para além de
            diferentes estão na realidade sub-entidades patogénicas   medidas oftálmicas locais, requer modalidades terapêu-
            distintas.   Acredita-se  que  na  patogénese  do  processo   ticas diversas, como corticoterapia, irradiação orbitária,
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            há uma estimulação dos fibroblastos orbitários que ex-  imunossupressores ou descompressão cirúrgica da órbi-
            pressam o receptor TSH, com consequente desencadea-  ta, isoladamente ou de forma combinada.  A terapêutica
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            mento de um processo inflamatório. Este inclui infiltra-  esteróide pode revelar-se eficaz no controlo do processo
            ção linfocitária, diferenciação de alguns fibroblastos em   inflamatório  orbitário  agudo  e,  em  cerca  de  um  terço
            adipocitos e produção fibroblástica de glicosaminoglica-  dos doentes, associa-se mesmo a melhoria da mobilida-
            nos e colagénio, os quais, em conjunto, se traduzem no   de ocular. Possui ainda as vantagens acrescidas de um
            efeito final de aumento de volume da gordura e tecido   efeito imunossupressor sistémico e um efeito anti-infla-
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            conjuntivo orbitário, incluindo músculos extra-oculares.    matório na patologia tiroideia concomitante. No entanto
            Imagiologicamente é muito característico o aspecto fu-  são conhecidos os efeitos secundários da sua utilização
            siforme  dos  músculos  extra-oculares  hipertrofiados.  A   a longo prazo, não sendo rara a recorrência da doença
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            expansão  do  conteúdo  orbitário  dentro  de  limites  ós-  orbitária após a descontinuação do tratamento.  A ra-
            seos rígidos origina a projecção anterior do globo ocu-  dioterapia (2000 rads), também não isenta de efeitos ia-

            lar, unilateral (10-15%) ou bilateralmente, denominada   trogénicos, actua por “esterilização” intra-orbitária dos
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            exoftalmia.   Esta  pode  ser  quantificada  clinicamente   linfócitos residentes e por modificação dos antigénios de
            através do exoftalmómetro de Hertel, sendo considera-  superficie dos fibroblastos, necessitando de um período
            da  patológica  a  projecção  do  globo  ocular  para  além   de cerca de 1 mês para produzir efeitos clínicos. Ambos,
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            de um limite normal de 14-21mm.  O grau de proptose   terapêutica anti-inflamatória e radioterapia, têm porém
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            doença sistémica.                                 ça oftalmológica. A descompressão cirúrgica da órbita,
                Em  5-10%  das  orbitopatias  tiroideias  desenvolve-se   por sua vez, revela-se o meio terapêutico de resultados
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            ainda uma neuropatia óptica compressiva.  A ocorrência   clínicos mais dramáticos no alívio das consequências do
            de  uma  diminuição, rápida  ou  progressiva,  da  acuidade   processo  compressivo  orbitário  da  doença  de  Graves,
            visual num caso de Doença de Graves deverá ser enca-  com resolução virtualmente imediata dos aspectos esté-
            rado como um sinal de possível sofrimento compressivo   tico-funcionais associados à proptose. Será porventura
            do nervo óptico, exigindo medidas terapêuticas urgentes. 4   mesmo a modalidade terapêutica mais crucial na neuro-
            Curiosamente e apesar da Doença de Graves ter uma pre-  patia óptica compressiva. 3
            dominância de 7:1 pelo sexo feminino, cerca de 50% dos   Apresenta-se aqui o caso clínico de uma doente com
            doentes que vêm a desenvolver neuropatia óptica são ho-  orbitopatia tiroideia que desenvolve concomitantemen-
            mens, o que torna os indivíduos do sexo masculino com   te uma neuropatia óptica compressiva rapidamente pro-
            orbitopatia tiroideia o grupo com risco mais elevado de   gressiva. A sua gravidade obriga a uma atitude cirúrgica
            doença oftalmológica severa. Também a idade e o consu-  extrema, de descompressão da órbita e do nervo óptico
            mo de tabaco parecem ser factores cruciais. Doentes com   no mesmo tempo operatório.
            idade igual ou superior a 50 anos têm um risco maior de
            perda da visão e os fumadores têm 8 vezes mais risco de   CASO CLÍNICO
            desenvolver orbitopatia na Doença de Graves que os não   Mulher de 48 anos, não fumadora, com orbitopatia ti-
            fumadores, sendo a gravidade da doença proporcional ao   roideia bilateral de tipo infiltrativo, que se manifesta por
            número de cigarros consumidos e a resposta à terapêutica   exoftalmia de 22 milímetros à direita e de 23 milímetros
            sempre mais favorável nos não fumadores.          à esquerda (figura 1A). Simultaneamente sofre, nos me-















            Figura 1 | A) Pré-operatório; B) Pós-operatório: resolução da exoftalmia bilateral, embora ainda com estrabismo convergente sequelar, 4
            meses após a cirurgia.


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