Page 53 - Revista SPORL - Vol 46. Nº3
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ses imediatos à consulta e apesar da corticoterapia ins- infra-orbitário no limite externo da ressecção. Conclui-se
tituída, uma rápida degradação da acuidade visual, que a descompressão da órbita com a abertura do periósteo
atingiu o valor de 1/10 em ambos os olhos no momento orbitário através de incisões longitudinais paralelas nas
da observação inicial. suas paredes média e inferior (figuras 7 e 8).
As imagens obtidas através de Tomografia Computo- Quatro meses após a cirurgia, a doente mostrava já
rizada e Ressonância Magnética Nuclear mostravam prop- uma completa resolução bilateral da exoftalmia, ainda
tose bilateral, com expansão da gordura orbitária e um com um ligeiro estrabismo convergente, a corrigir sub-
típico espessamento fusiforme dos músculos extra-ocula- sequentemente por oftalmologista (figura 1B). A prévia
res, admitindo-se um possível sofrimento compressivo dos neuropatia óptica sofreu uma total regressão, recupe-
nervos ópticos ao nível do apex orbitário (figura 2). rando-se índices de acuidade visual da ordem de 9/10.
CASO CLÍNICO CASE REPORT
FIGURA 2 | Corte axial de RMN em ponderação T1 mostrando a
típica expansão da gordura orbitária e espessamento FIGURA 3 | Exposição do periósteo envolvendo o conteúdo orbitário
fusiforme dos músculos extraoculares. (fossa nasal esquerda).
Na eminência de cegueira definitiva bilateral, a do-
ente foi submetida a cirurgia endoscópica endonasal,
sob anestesia geral, para descompressão bilateral das
paredes mediana e inferior da órbita, a que se associou
uma simultânea descompressão do nervo óptico.
O processo cirúrgico iniciou-se com a ressecção dos
cornetos médios, antrostomia supraturbinal, completa
etmoidectomia anterior e posterior e criação de uma
esfenotomia larga. Seguiu-se a ressecção da lâmina pa-
pirácea da órbita até ao apex orbitário, com exposição
do periósteo subjacente (figura 3), incluindo o prolonga-
mento da remoção óssea o mais posteriormente possível
na região do anel de Zinn, até individualização de um
máximo de extensão possível do relevo do nervo óptico
(figuras 4 e 5). Efectuou-se então uma incisão delicada FIGURA 4 | Relação do nervo óptico com o seio esfenoidal (fossa
na bainha do nervo, para que este se pudesse expandir nasal esquerda).
naturalmente para o interior da cavidade esfeno-etmoi-
dal criada (figura 6). A abertura da bainha do nervo con- DISCUSSÃO
duziu inevitavelmente à saída de liquor, consequência A descompressão da órbita foi pela primeira vez reali-
do nervo ser revestido apenas por meninge a este nível. zada em 1899, por Kronlein, para remoção de tumores
Finalizada a descompressão do nervo óptico e com o orbitários através de uma orbitotomia lateral. Em 1911,
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objectivo de se criar espaço para a descompressão da Dollinger aplica a mesma técnica no tratamento da exof-
parede inferior da órbita, procedeu-se seguidamente à talmia. Nafzigger, em 1931, descreve uma via de aborda-
ressecção, através da larga antrostomia criada, do pa- gem superior do conteúdo orbitário, requerendo cranio-
vimento orbitário, com o cuidado de respeitar o nervo tomia, com todos os riscos inerentes. Sewall, em 1936,
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