Page 53 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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SALEMA, L.; MENDES A.; Y RODRIGUES A.
A rouquidão, a fadiga e o desconforto vo- A existência de frio e de pó, no local de tra-
cais foram as perturbações da voz mais referi- balho, foi referida por 56,2% e 58,9% do gru-
das, no grupo dos professores. 52%, 46,6% e po dos professores, respectivamente.
45,2% comparado com 31,5%, 20,5 % e Estas duas variáveis revelaram-se potenciais
28,7%, respectivamente. factores de risco para os problemas vocais
Esta prevalência poderá estar relacionada (p = 0,001 e 0,008, respectivamente).
com o facto de os professores terem de falar O pó do giz é um dos elementos que contribui
para grupos numerosos. para a existência de um ambiente mais seco e
A existência de muitos alunos, dentro da sala para a irritação da mucosa das pregas vocais.
de aula, aumenta o ruído ambiental e os pro- Os professores devem evitar falar, enquanto
fessores sentem a necessidade de falar alto, escrevem ou apagam o quadro, para que a
podendo a intensidade da voz variar entre os voz seja sempre projectada de frente para os
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58 e os 78 dB 20 . alunos • Para além disso, ao respirarem, devem
Se a estes factores juntarmos a ausência ou fazê-lo pelo nariz, filtrando, aquecendo e humi-
inadequada técnica vocal, os maus hábitos dificando o ar inspirado.
vocais, assim como as condições acústicas e Este comportamento constitui uma defesa
ambientais de algumas escolas, temos na mão para as regiões do tracto vocal, relativamente
as razões que justificam a prevalência dos pro- ao ar frio, seco e poluído que parece caracte-
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blemas de voz, no grupo dos professores · • • • rizar o ambiente de trabalho de muitos profes-
A variável número médio de horas lectivas sores.
diárias cruzada com as variáveis rouquidão, O consumo de chá foi outro factor de risco
fadiga vocal e desconforto relacionado com a estatisticamente significativo no grupo dos pro-
voz não apresentou resultados estatisticamente fessores (p = 0,020).
significativos. O chá preto (e o café) tem propriedades
Este resultado veio ao encontro da literatura diuréticas que contribuem para a desidratação
consultada. do sujeito e da mucosa das pregas vocais, cau-
Dragone et af.2 concluíram que a existência sando a sensação de secura e a vontade de
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da fadiga vocal está mais relacionada com o pigarrear ou tossir .
mau uso da voz do que com o tempo de utili- Para que a voz se mantenha saudável, é im-
zação da mesma, por isso, a carga horária, portante possuir hábitos de higiene vocal.
isoladamente, não contribui para a existência Um deles consiste em beber água, para hi-
de problemas de voz. dratar as pregas vocais, hábito que 38,4% do
Dada a elevada prevalência de problemas grupo dos professores disse possuir.
vocais, no grupo de professores, importava des- A vibração das pregas vocais, na fonação,
cobrir os factores etiológicos (intrínsecos e extrín- é muito rápida ( 1 00 a 250 ciclos por segun-
secos) que contribuíram para a frequência des- do), exigindo que a mucosa esteja hidratada,
sas perturbações. para reduzir o atrito.
Trata-se de um problema multifactorial, por A água, componente vital para todas as fun-
isso, este estudo considerou um conjunto de ções de nosso corpo, é, também, essencial para
factores de risco. A análise estatística permitiu o aparelho fonador.
verificar que as variáveis ruído ambiental, frio, Os sujeitos que usam as suas vozes profis-
pó, beber chá e falar alto, foram factores de sionalmente, como os professores, necessitam
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risco significativamente diferentes entre os dois ainda mais dessa hidratação • •
grupos, indo ao encontro das conclusões de O hábito de fumar, mais frequente no grupo
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o utros estudos sobre esta temática · • . de controlo, apresentou valo res estatisticamen-
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