Page 51 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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SALEMA, L.; MENDES A.; Y RODRIGUES A.
Os resultados estatísticos obtidos encontram- Com excepção do hábito de fumar, os restan-
-se na Tabela 2. tes comportamentos vocais e as condições am-
A presença de ruído ambiental, frio e pó bientais acima descritas foram referidas, pre-
foram factores estatisticamente significativos no dominantemente, pelo grupo dos professores.
grupo dos professores.
65,8% dos professores referiu estar exposto Outros resultados
ao ruído, contra 35,6% dos sujeitos do grupo O estudo realizado revelou, ainda, que dev-
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de controlo, x (1 , N = 48) = 13,3, p = 0,000. ido aos problemas vocais 66,7% do grupo dos
56,2% do grupo de professores referiu a professores alteraram as actividades, dentro
existência de frio, no local de trabalho, versus da sala de aula, e 38,4% faltavam às aulas.
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30,1 %, no grupo de controlo, x (1, N = 41) = 16,4% do grupo dos professores recebeu
= 1 o 1 1, p = o 100 1 • formação específica na área da utilização da
58,9% dos professores aludiram à existên- voz e destes, apenas 4,1% aquando da for-
cia de pó, no local de trabalho, contra 37%, mação inicial.
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no grupo de controlo, x (1, N = 43) = 7,0, Os restantes obtiveram-na através da frequên-
p = 0,008. cia de acções de formação.
Dos três comportamentos vocais: falar depres- O primeiro passo para o tratamento dos dis-
sa, falar alto e falar muito, apenas falar alto túrbios de voz é determinar a sua etiologia,
mostrou diferenças significativas entre os dois identificando os comportamentos que constituem
grupos considerados. o mau Uso e o abuso vocal, eliminando-os e
72,6% do grupo dos professores referiu este substituindo-os por uma produção vocal ade-
comportamento, contra 30,1 %, registados no gru- quada.
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po de controlo, x (1 , N =53)= 26,3, p = 0,000. Quando as alterações funcionais se tornam
Tendo em conta os factores intrínsecos ao orgânicas, compete ao otorrinolaringologista e
sujeito, o consumo de chá apresentou valores ao terapeuta da fala indicarem o tratamento
elevados, em ambos os grupos, embora fosse mais eficaz . .
significativamente maior no grupo de profes- 50,7% do grupo dos professores, quando
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sores (64,4% versus 45,2%), x (1 , N = 47) = tinham problemas de voz, recorreriam a sprays,
= 5,4, p = 0,020. pastilhas ou drops e 39,7% procuravam um
O hábito de fumar foi o único potencial fac- profissional de saúde (i.e., o mé.dico de família
tor de risco significativamente maior no grupo ou o otorrinolaringologista).
de controlo que no grupo de professores (35,6% Por último, 19,1% dos professores referiu
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versus 16,4%), x (1 , N = 26) = 6,9, p = 0,008. · não fazer nada, quando tem alguma perturba-
As alergias respiratórias, a asma e as cons- ção na voz.
tipações, apesar de afectarem as vias respi-
ratórias, essenciais no processo de fonação,
não revelaram diferenças significativas entre os DISCUSSÃO
dois grupos.
O mesmo aconteceu em relação ao consu- Este trabalho pretendeu avaliar e comparar
mo de álcool. a prevalência dos problemas de voz entre um
O cruzamento da variável número médio de grupo de professores e um grupo de controlo.
horas lectivas diárias com as variáveis rou- Os resultados indicaram que o grupo dos
quidão, fadiga vocal e desconforto relaciona- professores apresentou sintomas de perturba-
do com a voz não apresentou resultados esta- ções vocais com maior prevalência do que o
tisticamente relevantes. grupo de controlo.
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