Page 27 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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RUI  COSTA E SOUSA, JOSÉ  AMARANTE





              A  redundância  de tecidos  inflamatórios  fa-
            ríngeos condiciona a redução do espaço respi-
            ratório da VAS.
              Isto  obriga a  uma  respiração predominante-
            mente oral e uma respiração nasal disfuncional,
           com  o  paciente  permanentemente  em  posição
           de  boca  aberta,  o  que  provoca  desequilíbrios
           em  toda a  musculatura  da face circundante.
              Para  além  das  consequências  directas  da
            SAOS  na  criança,  pelo  facto  de  haver  cresci-
            mento  craniofacial,  e  este  ser  modelado  pela
           componente muscular, esta  função anormal vai
           condicionar a direcção dos seus  vectores.
              Também  através  da  cefalometria  se  pode
           objectivar o  perfil  característico  do  respirador
            bucal,  facto  que  antecipa  as  alterações
                                                                  Figura 3: Rx  Cefalométrico onde  se  podem visualizar
           cefalométricas descritas acima  para o  adulto.     algumas das alterações características cronio-facio-cervicais
              Dessa  forma a  um  crescimento de tipo verti-    de _paciente com SAOS  ~rave: Hioide em posição caudal,
                                                                deficit de projecção sag1tal da face, hipe rtrofia de  palato
           cal  - dolicocefálico,  vai-se  associar  um  deficit   mole e  úvula mergulhando na hipofar~nge, estreitamento
                                                                 basilingual,  mandíbula curta e  rodada posteriormente,
           de  projecção  sagital  da  face  (este  mais  pro-    discrepância antero-posterior na dimensão vertical
                                                                           com face divergente, etc ....
            nunciado  na  mandíbula)  e  consequente  redu-
           ção  do  crescimento  maxilar  e/ ou  mandibular
            nos seus comprimentos  40   - Fig. 3.

              N o  estudo  da  SAOS,  a  utilidade  e  fiabili-  apresentavam  tendência  para  o  tipo  facial
           dade da análise  cefalométrica têm  vindo a  ser    dolicocefálico,  ou  seja,  face alongada com di-
            progressivamente  validadas  e  a  responsabili-   mensão vertical predominante.
           dade das  alterações  craniofaciais  no  colapso      À  forma  craniana  braquicéfalo  (reduzida
           das VAS  bem documentada.                           dimensão antero-posterior da base do crânio) cor-
              Recentemente, foi conduzido  um  estudo que      respondia  uma  redução  das  dimensões  antero-
           utilizou duas medidas antropométricas o índice      posteriores das VAS, apresentando, por isso, esse
           craniano  (quociente  da  largura  máxima  e  do    grupo,  um  risco acrescido do seu colapso.
           comprimento  máximo cranianos) e  o  índice fa-       Como  referido  acima  e  de  acordo  com
           cial (quociente da altura  násio-gonial e largura   Hochban,  isto não invalida que em  indo-cauca-
           bizigomática).                                      sianos  não  exista m  frequentemente  casos  de
              Dessa  forma,  conseguiram  determinar  mor-     SAOS  com  características  dolicocefálicas,
           fismos  craniofaciais de  pacientes  e  relacioná-  rotação posterior da mandíbula e disto-posição
           -los com perfis patológicos, estabelecendo mes-     da língua 42  •
           mo diferenças étnicas 4 1  .                          N esta  linha  de conclusões  e  da  correlação
              Assim, foi  encontrado em  pacientes  brancos    entre  o  morfismo  facial  e  a  incidência  de
           com  SAOS  uma  maior  tendência  para  o  tipo     SAOS,  pode  apontar-se  também  a  investi-
           facial  braquicefálico  (forma  craniana  associa-  gação  feita  por  Redline 43 ,  que  constatou  uma
           da com redução das dimensões antero-posterio-       maior  prevalência  da  doença  em  afro-ameri-
           resL  ao  passo  que  os  afro-americanos  (antro-  canos  jovens  quando  comparados  com  os
           pomorficamente  mais prognáticos)  com  SAOS        indo-caucasianos.


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