Page 19 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
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RUI  CEREJEIRA, SOFIA  PAIVA,  PAULO GONÇALVES, MANUEL RITO,  FRANCISCO  BELO,
           LIMA GOUVEIA, ANTÓNIO PAIVA




              A  abordagem terapêutica  a  estas  lesões  re-       Em  seguida, é necessária a elevação da
           quer um diagnóstico correcto, bem como a selec-          mucosa  localizada nas paredes anterior
           ção adequada do melhor método de tratamento.             e  inferior  de  ambos  os  seios  esfenoi-
              No  que  respeita  ao  tratamento  cirúrgico          dais.
           destas  lesões,  o  acesso à  região intraselar po-
           de fazer-se  através de abordagens transcrania-       3. Abertura do Esfenóide
           nas (ou  altas)  e extracranianas  (ou  baixas).         É realizada  sob  microscópio  cirúrgico e
              As  vias  baixas  mais utilizadas  são  a  subla-     pode ser feita com  um  estilete botonado,
           bial-transfenoidal  e  a  endonasal-transfenoidal        se  a  parede anterior é fina,  ou com uma
           (ou  transsepto-esfenoidal).                             broca  ou  com  um  fórceps  de  Hajek  ou
              As  vias transantral  transfenoidal  (através  de     de  Kerrison  no  caso  da  parede  ser  es-
           uma  operação  de  Caldweii-Luc)  e  transetmoi-         pessa.
           dal (através de uma etmoidectomia externa) são           Depois,  é removido o  septo intersinusal.
           usadas  menos frequentemente.                            A  utilização de um  intensificador de ima-
              Nos doentes operados dos Serviços de Neu-             gem  (raios X)  antes do  início  da cirurgia,
           rocirurgia  e  de  ORL  dos  Hospitais  da  Univer-      já  com  o  doente  posicionado,  permite
           sidade  de  Coimbra  (HUC)  a  via  endonasal-           precisar a forma  e extensão do seio esfe-
           -transfenoidal é a  mais utilizada e consiste em:        noidal  e  da  se/la  turcica,  bem  como  a
                                                                    espessura  da parede anterior do seio es-
              1 . Exploração do septo (abordagem                    fenoidal.
                 "maxila-prémaxila" de CoHie)      2                É feito também o controlo radiográfico no
                 A incisão é feita na fossa nasal direita 3 mm      final da abordagem.
                 atrás  da  saliência  do  bordo  caudal  do        Estando  o  campo  cirúrgico  preparado
                 septo cartilaginoso,  após traccionar ligei-       pelo O torrinolaringologista, o N eurocirur-
                 ramente  a  columela  lateralmente  para  o        gião  realiza a  cirurgia,  cabendo-lhe  no-
                 vestíbulo nasal esquerdo.                          meadamente a  manipulação do conteúdo
                 Utiliza-se  um  bisturi  lâmina  nº  15,  reali-   intra  e/ou supraselar.
                                                    11
                 zando-se  pequenos  movimentos  de  ras-
                 pagem11  no sentido da  lâmina e  no senti-     Este  artigo  pretende  a nalisar  a  experiência
                 do  transversal,  até  atingir  o  pericôndrio   da  equipa  Rino-Neuro-Cirúrgica  dos  HUC  no
                 que  se  secciona  cuidadosamente  até  à    período  de  tempo  entre  Janeiro  de  2000  a
                 exposição da cartilagem  septal.             Dezembro  de 2005,  no que  se  refere  à  abor-
                 Descoberto  o  plano  subpericondral,  faz-  dagem transfenoidal da patologia selar.
                -se  o  descolamento  bilateral  progressivo
                 do  pericôndrio  e  periósteo  em  direcção
                posterior (lâmina  perpendicular do etmói-    MATERIAL E MÉTODOS:
                de/vómer)  e inferior (pavimento nasal).
              2. Mobilização  da  Cartilagem  e  Re-             Foram  estudados  todos  os  doentes  referen-
                moção do Septo Ósseo Posterior                ciados  nos  HUC  para  cirurgia  transfenoidal
                A  cartilagem  septal  é  desarticulada  do   entre  1 de Janeiro de 2000 e 3 1 de Dezembro
                vómer e deslocada lateralmente (em geral      de 2005.
                para o lado esquerdo) permitindo a visua-        Os  doentes  operados  neste  período  de
                lização  do  septo  ósseo  posterior  que  é   tempo  por recidiva  ou  outras complicações de
                removido até à  sua união à  parede ante-     cirurgia  prévia  (i.e.  antes  de  1  de Janeiro  de
                rior do seio esfeno idal.                     2000) não foram  incluídos  nesta  análise.


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