Page 28 - Portuguese Journal - SPORL - Vol 54 Nº3
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tosse fraca, dispneia e/ou disfagia, no entanto 30 a 40 esperados para o sexo masculino são de 25 a 35
% podem ser assintomáticos. 2,3 segundos e, para o feminino, de 15 a 25 segundos. 9,10 De
Nas PCV as CV podem permanecer em posição uma forma geral consideram-se os valores abaixo de 10
paramediana, mediana ou intermédia. Numa PCV como significativamente anormais. 11
bilateral em posição paramediana, a incapacidade Foi utilizada igualmente a relação s/z, que consiste no
de adução das CV e encerramento da glote leva a TMF da consoante /s/ dividida pelo TMF da consoante
dificuldade na fonação e possibilidade de aspiração. /z/. O valor normal deste quociente é 1, sendo que
Por outro lado, uma PCV bilateral em posição mediana valores acima de 1,3 são indicativos de falta de
traduz-se numa incapacidade de abertura da glote e coaptação glótica. 10
consequente dispneia obstrutiva alta. 4
O diagnóstico de PCV é estabelecido pelo RESULTADOS
Otorrinolaringologista através da laringoscopia. Em 11 70 doentes com PCV seguidos em consulta de
a 37% dos casos a PCV é idiopática e a identificação Otorrinolaringologia e submetidos exclusivamente a
da sua etiologia pode ser feita através da anamnese, terapia da fala cumpriram todos os critérios de inclusão
exame objectivo completo e análise sanguínea, neste estudo. A média de idades dos doentes aquando
incluindo hemograma, velocidade de sedimentação, do início da terapia da fala foi de 57,91 anos (mínimo
pesquisa de factor reumatóide, anticorpos anti-Borrelia 22 e máximo 87 anos), sendo que 48 (68,57%) eram
burgdorferi e anticorpos antinucleares, entre outros. 5 mulheres e 22 (31,43%) eram homens. A maioria dos
Em alguns casos pode ser necessária a realização de doentes estudados (95,71%) apresentava uma PCV
uma tomografia computorizada ao longo dos trajectos unilateral, sendo que em 32 doentes estava afectada a
dos nervos vago e laríngeo recorrente, desde o tronco corda vocal esquerda e em 35 doentes a direita.
cerebral até ao mediastino superior. 6 A etiologia mais frequente da PCV foi a secção do
Uma vez conhecida a etiologia e realizado o exame nervo laríngeo recorrente durante a realização de uma
laringoscópico, preferencialmente com estroboscopia, tiroidectomia total, observada em 31 doentes (46,27%)
o doente deve ser avaliado por um Terapeuta da Fala. A (Figura 1). Uma minoria (4,29%) apresentava uma PCV
terapia da fala tem geralmente um papel fundamental bilateral pós-operatória e as CV encontravam-se em
como adjuvante de um tratamento cirúrgico ou posição intermédia.
como tratamento único em doentes com condições
favoráveis, como PCV unilateral em posição mediana, FIGURA 1
ou em doentes que não sejam candidatos a cirurgia. Etiologia das PCV unilaterais. Outras causas incluem acidentes
7
Os tratamentos cirúrgicos disponíveis variam conforme vasculares cerebrais e síndrome parkinsónico.
a posição das CV e a presença de uma paralisia uni ou
bilateral. Incluem procedimentos como a traqueotomia
numa PCV bilateral em posição mediana ou a
medialização da CV numa PCV unilateral em posição
paramediana. 8
Este trabalho visa avaliar os resultados funcionais do
tratamento exclusivo com terapia da fala em doentes
com PCV.
MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizado um estudo retrospectivo que incluiu os
doentes adultos com PCV seguidos em consulta de
Otorrinolaringologia no Centro Hospitalar do Porto
entre Junho de 2006 e Junho de 2014 e que realizaram
terapia da fala neste Serviço.
Foram registados os dados demográficos, etiologia
da paralisia, exame laringoscópico e os resultados
do tempo máximo de fonação (TMF) antes e após a
realização de terapia da fala.
O TMF é um exame não invasivo e de fácil execução que
avalia a eficiência glótica. Consiste no tempo máximo
(em segundos) que um indivíduo consegue suster o
som de uma vogal ou consoante após uma inspiração
forçada. Neste estudo, as vogais utilizadas foram /a/,
/i/ e /u/ e as consoantes /s/ e /z/ e os doentes foram
avaliados na posição sentada. Os valores normais
170 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

