Page 37 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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Corticoterapia nasal em crianças com rinite alérgica


          - Que efeito no eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal

          e no crescimento?




          Nasal corticotherapy in children with allergic rhinitis


          - What effect on hypothalamic-pituitary-adrenal axis

          and growth?                                                                                              ARTIGO DE REVISÃO REVIEW ARTICLE




          Mónica Caixa   Sílvia Alves   Joana Castro   Sérgio Martins   Luís Antunes


          RESUMO                                            ABSTRACT
          Objectivo:  Revisão  da  literatura  referente  à  segurança  da   Objective:  To  review  the  literature  concerning  the  safety  of
          corticoterapia  nasal  no  tratamento  da  rinite  alérgica  em   nasal  corticosteroids  in  the  treatment  of  allergic  rhinitis  in
          crianças, enfatizando o risco de supressão do eixo hipotálamo-  children,  emphasizing  the  risk  of  hypothalamic-pituitary-
          hipófise-supra-renal  e  de  atraso  de  crescimento.  Material  e   adrenal  axis  suppression  and  growth  retardation.  Material
          métodos:  Pesquisa  de  artigos  científicos  publicados  entre   and  methods:  We  reviewed  scientific  articles  published
          2000 e 2010, excluindo-se os referentes à corticoterapia nasal   between  2000  and    2010,  excluding  those  describing  the
          no tratamento de qualquer outra patologia que não a rinite   use  of  corticotherapy  for  any  disease  other  than  allergic
          alérgica. Resultados: Os corticóides nasais de segunda geração   rhinitis. Results: The second generation nasal corticosteroids
          (fluticasona e mometasona) associam-se a um menor risco de   (fluticasone and mometasone) have a reduced risk of systemic
          efeitos adversos  sistémicos,  pela menor biodisponibilidade   side  effects,  due  to  lower  bioavailability.  We  found  that  no
          que  apresentam.  Nenhum  corticóide  nasal  se  associou  a   nasal  corticosteroids  were  associated  with  hypothalamic-
          supressão do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal em doses   pituitary-adrenal axis suppression in the recommended doses;
          recomendadas;  dois  estudos  implicaram  beclometasona  e   although  we  found  two  studies  implicating  beclomethasone
          budesonido  num  atraso  de  crescimento  estatisticamente   and  budesonide  with  significant  growth  retardation,  they
          significativo, embora não seja conhecido o efeito na estatura   did not observe the effect on final height. Conclusion: Nasal
          final.  Conclusão:  Os  corticóides  nasais  não  parecem  afectar   corticosteroids  do  not  appear  to  affect  growth  significantly
          de  forma  significativa  o  crescimento,  pelo  que  devem  ser   in children and thus should be included in the treatment of
          incluídos  na  terapêutica  da  rinite  alérgica  em  crianças,  não   allergic rhinitis, however with periodic monitoring of growth.
          descurando a  importância da monitorização periódica do   Keywords:  allergic  rhinitis,  children,  nasal  corticosteroids,
          crescimento.                                      systemic  side  effects,  hypothalamic-pituitary-adrenal  axis,
          Palavras-chave:  rinite  alérgica,  crianças,  corticóides  nasais,   growth.
          efeitos  adversos  sistémicos,  eixo  hipotálamo-hipófise-supra-
          renal, crescimento.                               INTRODUÇÃO
                                                            A rinite  alérgica  é  a patologia  crónica  mais  frequente
                                                            na população pediátrica, afectando mais de 40%
                                                                      1
          Mónica Caixa                                      das crianças .  Na maior parte dos casos  é necessária
          Interna do Internato Complementar do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta  uma  intervenção  precoce  no  sentido  de  minimizar
          Sílvia Alves                                      o impacto negativo na qualidade de vida e o risco de
          Interna do Internato Complementar do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta
                                                            desenvolvimento de outras patologias associadas
          Joana Castro                                      (sinusite,  otite  média  crónica  e  asma) . Medidas de
                                                                                             2,3
          Interna do Internato Complementar do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta
                                                            controlo  ambiental  geralmente  não  são  suficientes,
          Sérgio Martins
          Assistente Hospitalar do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta  sendo  necessária  uma  terapêutica  regular  para  o
                                                            controlo dos sintomas .  Os  corticóides  nasais  são
                                                                                2,4
          Luís Antunes
          Director do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta  apontados  como  a  opção  farmacológica  mais  efectiva
          Correspondência                                   no tratamento da rinite alérgica, sobretudo nos casos
          Mónica Caixa                                      de doença persistente, moderada a grave, em que os
          Serviço de Otorrinolaringologia
          Hospital Garcia de Orta, Av. Torrado da Silva, 2801-951 Almada, Portugal  anti-histamínicos  locais  ou  orais  não  obtêm  um  alívio
          E-mail: monicacaixa@hotmail.com
                                                                      5
          Telemóvel: 96 773 16 74                           sintomático . Apesar dos estudos considerarem segura
                                                                                     VOL 52 . Nº3 . SETEMBRO 2014 155
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