Page 39 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
P. 39

to, parece óbvio que é necessário uma intervenção psi-  ficação vai modificar a intervenção do clínico nos aspec-
             cológica sobre o paciente e a sua família (conjuntamente  tos que o paciente relata como realmente preocupantes
             com uma reeducação vocal e um seguimento medico de  relativos a sua qualidade de vida. As diferentes areas re-
             vigilância exaustivo), se se pretende ter una reinserção  lacionadas nos questionários, que logicamente não po-
             psico-social optima, junto a um controlo oncológico cor-  derão ser infinitas, devem reconhecer as alterações que
             recto, de acordo com os resultados obtidos por outros  o paciente identifique como elementos modificadores
             a  utores 13,14,15,16.                            da sua qualidade de vida previamente ao tratamento.
                Todos os pacientes manifestam um aumento no nu-   • Em função do atras referido, deveria ser preocu-
             mero de processos catarrais das vias aéreas inferiores, o  pação do otorrinolaringologista que trata o paciente
             que implica uma diminuição das capacidades físicas do  oncológico, não so cumprir os protocolos de assistência
             paciente nas épocas frias, assim como um aumento da  clinica, mas também medir a qualidade de vida dos seus
             procura de assistência médica. Esta maior dependência  pacientes, e adaptar os itens do questionário que utilize
             da rede sanitária pode entender-se como una diminui-  as circunstâncias particulares de cada paciente.
             ção da qualidade de vida. Novamente salientamos a au-  • Da nossa experiência prévia e do constatado na
             sência de itens que se relacionem com esta situação.  entrevista realizada, evidencia-se não só a ausência de
                Os efeitos secundários derivados do tratamento ra-  itens que meçam a repercussão psicológica na qualidade
             dioterapico são descritos por todos os pacientes como  de vida do OLO-H&N35, mas também que é preciso a
             factor modificante da sua qualidade de vida. Estes as-  intervenção do psicólogo, que juntamente com radiolo-  ARTIGO DE REVISÃO
             pectos são reconhecidos no questionário em estudo. Isto  gista, radioterapeuta, oncologista, assistente social e as-
             também é aplicável a alterações na sexualidade, dores e  sociações de doentes, além do OM_ constituem a equipa
             alterações respiratórias.                         multidisciplinar que o tratamento da doença oncologica
                Outro dado a destacar, é que em 12 dos 40 casos do  da cabeça e pescoço precisa para uma abordagem inte-
             nosso estudo (30 % dos pacientes), reconheceram uma  gral do paciente.
             preocupação na mudança da sua situação profissional  Por ultimo, pretendemos que este trabalho propo-
             com uma certa repercussão económica. Igualmente, não  nha uma porta aberta a colaboração entre os diferen-
             existe nenhum item que refira este aspecto.       tes Centros Hospitalares onde se realizam este tipo de
                Apesar do anteriormente descrito: a presença em  intervenções, para que se possam estabelecer na nossa
             100% dos casos de alterações de carácter psicológico,  província questionários e protocolos de actuação que
             não é rotina uma valorização e intervenção psicológica  reflictam de forma mais fidedigna possível a realidade
             a acompanhar o paciente e a família durante o diagnós-  dos pacientes que atendemos, através de una melhor
             tico e tratamento da doença, aspecto que parece não  prestação dos cuidados de saúde, atendendo a todos os
             ter sido tido em conta pelos diferentes questionários no  aspectos que os nossos pacientes nos colocam.
             momento de valorizar a qualidade de vida.
                Diferentemente dos estandardizados protocolos
                                                               REFERENCIAS
             das explorações clínicas, instrumentais e de imagem
                                                               1. moinpour CM. Meansuring quality of life an emerging science. Semen Oncol
             no seguimento da patologia oncológica cérvico-facial  1994,5(Suppl 10):48-63
             otorrinolaringológica, não encontramos protocolos de  2 Osoba D. Lessons learned from measuring health-related quality of life oncology. J
                                                                Clin Oncol 1994,12:608-616
             actuação na valorização e orientação das alterações psi-
                                                              3 Quality of life and clinical trials (editorial). Lancet 1995,34:1-2
             cológicas associadas, e que o paciente e família mani-  4 Font AG, Valoración de la calidad de vida en pacientes de cãncer. (Tesis de Doctorado)
            festam como um aspecto sempre presente na história  Bellaterra: Universidad Autónoma de Barcelona; 1988
             natural da doença.                               5 List MA, Ritter-Sterr C, Lansky SB. A performance status scale for head and neck cancer
                                                                patients. Cancer 1990; 66:564-569
                Portanto, e valorizando os resultados obtidos nas  6 List MA, D'Antonio LL, Cella DE, et al. The performance status scale for head and neck
             nossas entrevistas, e comparando com o questionário  cancer patients and the functional assessmentof cancer therapy: head and neck scale-a
                                                                study of utility and validity. Cancer 1996;77:2294-2301
             OLO-H&N35, evidenciamos que existe una preocupação
                                                              7 Aaronson NK, Ahmedzai S, Bergman B. The European Organisation for Research and
             que altera a qualidade de vida como referem os nossos  Treatment of Cancer QLQ-C30. A quality-of-life instrument for use in international
             pacientes e que está excluída no dito questionário.  clinical trials in oncology. J Nat] Cancer Inst 1993, 85:365-376
                                                              8 Smith JC, Jonhson JT, Jonas I et al. Quality of life, functional outcome, and Cost of
                                                                early Glottic Cancer. Laryngoscope 2003; 113: 68-76
                                                              9. de Graeff A, de Leeuw J, Rob I et al. Long-Term quality of life of patients with head
             CONCLUSÕES                                         and neck cancer. Laryngoscope 2000; 110: 98-106
                                                              10. Deleyannis FWB, Weymuller EA, Coltrera. Quality of life of disease-free survivors of
                • É aceite por todos que a quantificação de um as-  advanced (stages Ill and IV) oropharyngeal cancer. Head and Neck 1997; 19:466-
             pecto tão subjectivo como é a qualidade de vida do pa-  473
                                                              11, Rogers SN, Humphris G, Lowe D, Brown JS, Vaughan ED. The impact of surgery
            ciente oncológico não é tarefa fácil (o que se constata
                                                                on quality of life as measured by the Medical Outcomes Short Form 36. Oral Oncol
            pela existência de diferentes questionários). Dita quanti-  1998;34:171-179

                                                                                         VOL 47 MARÇO  2009 37
   34   35   36   37   38   39   40   41   42   43   44