Page 38 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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• Luis Acosta, et al
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GRÁFICO. 3 I Resultado da entrevista
• 40% (16 pacientes) diziam ter dificuldade respira- de terem obtido uma boa comunicação verbal através de
tória por secura, tosse ou dispneia. terapia foniátrica. Nenhum dos pacientes era portador
• 30% referiram preocupações relacionadas com a de fistula fonatória.
sua actividade profissional e de carácter económi- Chama-nos a atenção que todos os pacientes, de
co. diferente forma, referem ter sofrido alterações psicoló-
• 15°/0 (6 pacientes) manifestaram manter dores cér- gicas compatíveis com patologia de carácter ansioso-de-
vico-braquiais. presivo e/ou estresse no momento da consulta oncoló-
• 10°/0 (4 pacientes) referiram ter disfunções de ca- gica otorrinolarirgológica, como se mostra em outros
rácter sexual, estudos. No questionário EORIC QL.C)-H&N35, não exis-
te nenhum item que pergunte sobre o estado de ânimo
DISCUSSÃO ou factores que reflectem ansiedade, depressão, stress,
Existem una série de questionários de avaliação da qua- medo...
lidade de vida para seguir a evolução do laringectomiza- (Das respostas dadas pelos pacientes neste sentido,
do. De acordo com a bibliografia consultada'', podemos verificamos que não são literalmente identificáveis com
considerar que: as que se encontram em questionários como o Beck
• A curto prazo, o paciente considera a perda da Depresion Inventory", no entanto poderiam ser seme-
voz, a alteração da sua respiração, a dor e mau estar de- lhantes as aqui reflectidas, em respostas dadas como:
rivado da cirurgia e/ou radioterapia; existe inicialmente tenho nervos, não me apetece sair a rua, estou preocu-
um medo da sua menos-valia física, social, emocional e pado_.)
estresse derivado da situação que o paciente enfrenta Duma forma geral, podemos considerar que no pa-
assim como do tratamento. ciente oncológico, a repercussão psicológica e a medi-
• A longo prazo, as preocupações do paciente pare- ção da qualidade de vida não é percebida de igual forma
cem estar mais relacionadas com sua imagem, identidade pela equipa médica, o doente e o seu envolvimento fa-
e integração social, adquirindo uma maior importância miliar. A qualidade de vida depende de múltiplos aspec-
outros aspectos, como as modificações na sua actividade tos, que na patologia oncológica da cabeça e pescoço,
profissional e/ou económica, a sua comunicação oral, a são fundamentais: a recuperação da capacidade verbal,
sua intimidade e relações familiares. as possibilidades de reinserção satisfatória familiar, la-
De acordo com os nossos resultados (Gráfico 3), a boral e económica, mas também, as possibilidades de
perda da voz é o factor mais relevante, sendo menciona- adaptação psíquica á nova situação pessoal que se se-
do por todos os pacientes em primeira instância, apesar gue ao diagnostico e tratamento da sua doença. Portan-
36 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CERVICO-FACIAL

