Page 31 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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Uma vez que a remoção do tumor só vai ser iniciada que vão dos 80 aos 100%12. Nestes casos, e nos tumores
depois de completada a exposição, e nessa fase os ci- de maiores dimensões, é de ponderar a citoredução intra
rurgiões já revelam por vezes algum cansaço, optámos tumoral (cirurgia) seguida de radiocirurgia. Nos tumores
em alguns casos por diferir a exerese tumoral para um mais pequenos deve-se fazer apenas radiocirurgia.
segundo tempo operatório, realizado entre uma a duas A elevada taxa de paralisia no pós-operatório ime-
semanas depois do primeiro. Esta atitude permitiu ini- diato deve-se sobretudo a manipulação cirúrgica e ao
ciar com mais tranquilidade o tempo de exérese tumoral, comprometimento da vascularização do nervo, uma vez
propiciar a remoção completa da lesão e, cremos nos, que a transposição anterior implica a esqueletização
reduzir a morbilidade intra-operatória. do nervo desde o gânglio geniculado ao orifício estilo-
O pós-operatório imediato é realizado na Unidade mastoideu seguida da sua mobilização desde o gânglio
de Cuidados Intensivos (72 horas), onde é necessária geniculado até a primeira bifurcação parotidea. A con-
uma vigilância especial para o aparecimento de défices firmação intra-operatória da integridade anatómica do
dos últimos pares cranianos, que podem originar pneu- nervo e da resposta positiva ao neuroestimulador são
monias de aspiração e morte. E importante, na selecção factores que fazem prever um bom prognostico para a
pré-operatória dos doentes, avaliar bem as condições paralisia do nervo facial. A reabilitação do nervo facial
e função respiratórias, para prever as consequências inicia-se ainda durante o internamento e prolonga-se,
de uma eventual lesão dos últimos pares cranianos de- no minimo, por seis a oito meses.
corrente do tratamento cirúrgico. Nos doentes idosos e Como referimos, apenas 5 dos nossos doentes man-
com patologia pulmonar ou ma função respiratória, e tiveram no longo prazo (mais de 6 meses a 1 ano) para-
em particular nos casos em que não ha défices no pre- lisias faciais importantes (House-Brackman III-VI). Actu-
operatório, o risco de aspiração é muito elevado poden- almente, no sentido de dispor de meios de reabilitação
do aconselhar a não se optar pelo tratamento cirúrgico. apropriados, contamos com a colaboração da Neuro-
Pensamos que um dos nossos falecimentos se deveu, não oftalmologia (Dr. Joao Costa) para a colocação de im-
técnica cirúrgica, mas sim a uma consideração menos plantes palpebrais (no primeiro mês de pos-operatório),
exaustiva destes riscos, mas aprendemos com a experi- destinados a evitar a queratite de exposição. Da mesma
ência, e pelo menos uma vez depois disso, já optámos forma contamos com a colaboração da Cirurgia Plástica
por não operar um doente, e mantê-lo num programa e Reconstrutiva (Dr. Julio Matias) para a reabilitação da
de vigilância periódica sem tratamento. face paralisada, nos casos em o prognostico da paralisia,
As fistulas de liquor foram todas resolvidas com a confirmado após os 12 meses por electromiograma, seja
colocação de uma drenagem lombar durante 7 dias, as- muito limitado. Recorde-se que a extensa fibrose pós-
sociada a cobertura antibiótica profiláctica com cefazo- operatória impossibilita, muitas vezes, a realização de
lina endovenosa. uma anastomose hipoglosso-facial".
Nos casos de recidiva/doença residual, as reinterven- CONCLUSÕES
çoes devem também ser ponderadas cuidadosamente, Os serviços de Otorrinolaringologia e Neurocirurgia do
pois a exploração cirúrgica da região quando exista fi- Hospital de Egas Moniz têm uma experiência importante
brose e não se observem pianos de dissecção evidentes, no tratamento cirúrgico dos PJT pela Via da Fossa Infra-
aumenta a morbilidade do procedimento para valores temporal do Tipo A, alcançada ao longo de 20 anos e
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