Page 28 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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N Gonçalo Neto d'Almeicla, et al
INTRODUÇÃO do sexo feminino e 7 (29%) do sexo masculino.
Os paragangliomas jugulo-timpanicos (PJT) ou tumores Não foram incluídos no estudo os doentes com tu-
de glomus jugular são tumores reuroendócrinos com mores com esta histologia mas limitados à caixa do tím-
origem em células da paraganglia, que não são mais pano ou a caixa do tímpano e mastoide, mas sem envol-
que elementos da crista neural'. Do ponto de vista his-
vimento do foramen jugular, uma vez que estes tumores
topatológico, estes tumores são benignos. Todavia, pelo foram tratados por vias otorrinolaringológicas clássicas
crescimento agressivo e pela invasão e erosão do osso
(timpanotornia ou timpanomastoidectomia).
temporal, que são a regra, têm um comportamento lo-
cal mais proximo dos tumores malignos, podendo ainda MÉTODOS
estender-se para la do osso temporal, em particular para Tratou-se de um estudo retrospectivo. Foram analisados
a região cervical ou mesmo para a cavidade craniana'. os processos clínicos de todos os 24 doentes e foram
O seu crescimento é lento e, devido a sua localização observados numa data recente 8 doentes.
particular, podem atingir dimensões consideráveis antes As variáveis estudadas estão indicadas no Quadro 1.
de causar sintomas importantes, pelo que o diagnostico
é difícil e por vezes tardio'. Manifestações clinicas pré-operatórias
A cura destas lesões pelo tratamento cirúrgico, com
um mínimo de morbilidade associada, so foi possível a Embolização e tipo vascularização do tumor
partir da utilização da técnica cirúrgica designada de Via
da Fossa Infratemporal do tipo A', descrita em 1977 por Técnica cirúrgica realizada
Ugo Fisch5'6.
Actualmente é consensual que estes tumores devem Ressecção total ou parcial (subtotal)
ser tratados por equipas multidisciplinares que inclu-
Mortalidade
am otorrinolaringologistas e neurocirurgibes, capazes,
no seu conjunto, de dominar a cirurgia do ouvido e do
Paralisia facial
osso temporal, da região cervical, da base do crânio e do
compartimento intracraniano relacionado, sendo ainda
Outras complicações intra ou pós-operatorias
capazes de utilizar técnicas microcirúrgicas diferenciadas
e técnicas de monitorização electrofisiológica per-ope- Evolução dos tumores residuais
ratória7.
Historicamente, no Hospital de [gas Moniz a aborda- Quadro 1 I Variáveis de estudo
gem cirúrgica dos PJT foi desenvolvida pelo Prof. Pratas
Vital (neurocirurgiao) e pelo Prof. João Olias (otorrinola- RESULTADOS
ringologista), que começaram por ensaiar a técnica em Os sintomas mais frequentes foram a hipoacusia, os acu-
cadaver, com vista a sua execução. Ao longo dos anos fenos pulsáteis e os défices no nervo facial e nos pares
outros colegas participaram nesta actividade cirúrgica, cranianos IX-X11. De salientar casos cujas apresentações
tendo os autores deste trabalho conseguido constituir clínicas são menos frequentes, como a otalgia isolada ou
uma equipa otoneurocirUrgica estável, que associada a as epistaxis (Quadro 2).
neurorradiologia de intervenção, assegura actualmente
Sintoma ou Sinai n (%)
a realização destas operações.
O propósito deste trabalho é o de descrever a técni- Hipoacusia 8 (33')/0)
ca cirúrgica e a experiência dos Serviços de Otorrinola- Disfonia (paralisia X par) 7 (29%)
ringologia e Neurocirurgia do Hospital de Fps Moniz no Paralisia / paresia facial 6 (25')/0)
tratamento cirúrgico dos UT.
Acufenos pulsáteis 5 (21%)
Disfagia (paralisia IX e X pares) 5 (21%)
MATERIAIS E MÉTODOS Paralisia / atrofia da hemilingua (XII par) 5 (21')/0)
Lesão vascular no canal aiditivo externo 4 (17%)
MATERIAIS Otorragia 3 (13%)
Foram incluídos no estudo todos os doentes submetidos Ptose do ombro (paralisia XI par) 2 (EP/o )
ao tratamento cirúrgico de PiT, no Hospital de Egas Mo- Otalgia 1 (4%)
niz, num período de 20 anos, entre 1988 a 2007.
Epistaxis 1 (4a/o)
Reuniram-se um total de 24 doentes, com idades
compreendidas entre 28 e os 74 anos, sendo 17 (71%) Quadro 2 I Variáveis de estudo
26 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CERVICO-FACIAL

