Page 29 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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Foram submetidos a embolização pré operatória 22  magnética (RM) crânio encefálica com contraste endove-
             doentes (92%), sendo as artérias faringea ascendente,  noso (Figura 2). Os diagnósticos diferenciais a incluir no
             occipital e palatina ascendente as responsáveis pela vas-  estudo dos doentes sac os meningiomas, schwanomas,
             cularização dos tumores.                          metastases, condrosarcomas e, mais raramente ainda,
                A técnica cirúrgica realizada foi a Via da Fossa Infra-  os tumores de células gigantes e os plasmocitomas".
             temporal do tipo A em todas as operações.            A discussão pré-operatória dos casos clínicos, que
                A ressecção cirúrgica foi completa em 11 doentes  podem ser referenciados indiferentemente para o ser-
             (46%) e subtotal ou incompleta em 13 doentes (54%).  viço de neurocirurgia (Dr. Gonçalo Neto de Almeida) ou
                A mortalidade foi de 2 doentes (8%), por pneumo-  para o serviço de otorrinolaringologia (Dr. Pedro Escada),
             nia de aspiração.                                 é feita em consulta multidisciplinar de otoneurocirurgia
                Mais de três quartos dos doentes apresentaram uma  e cirurgia da base do crânio (consulta não presencial).
             paralisia facial no pós-operatório imediato, mas o nú-  O papel do neurorradiologista na discussão e plane-
             mero dos doentes que mantiveram uma paralisia facial  amento pré-operatórios é também fundamental. Actual-
             significativa (grau III-VI de House Brackman) para la dos  mente, no Hospital de Egas Moniz, todos os doentes são
             seis meses a um ano reduziu-se para cinco (21%)   submetidos a angiografia digital de subtracção caroticlea
                Outras causas de morbilidade registadas foram a  e cerebral, cerca de 4 a 6 dias antes da cirurgia, para
             disfagia, a pneumonia de aspiração e a fistula de liquor,  diagnóstico e embolização pré operatória (Figura 3). O
             que no seu conjunto ocorreram ern 13 doentes (54c/0).  envolvimento da artéria carótida interna, a circulação  ARTIGO DE REVISÃO
                Dos 24 doentes, cinco (21%) foram submetidos a
             urna segunda cirurgia, por recidiva ou evolução subse-
             quente de tumor residual. Apenas um dos doentes foi
             submetido a radioterapia após remoção incompleta do
             tumor.

             DISCUSSÃO
             A nossa serie é sobreponivel a outras séries publicadas
             no que respeita as manifestações clinicas, sendo a hi-
             poacusia, os acufenos pulsáteis e os défices dos últimos
             pares cranianos os achados mais frequentes6,89.
                Para o estudo e planeamento pré-operatórios, foi
                                                                FIG. 3
             sempre realizada tomografia computorizada (TC) crânio
             encefálica e do osso temporal (Figura 1), exame parti-  colateral e o tempo angiográfico venoso são as infor-
             cularmente importante para o estudo da extensão os-  mações mais importantes que essa técnica disponibiliza,
             sea da doenças que envolvem o osso temporar. Outro  e a embolização permite na maior parte dos casos uma
             exame imagiológico usado por rotina foi a ressonância  redução muito importante da vascularização do tumor
                                                               no intra-operatório.
                                                                  A discussão circunstanciada dos riscos, possíveis
                                                               complicações e  sequelas do tratamento cirúrgico
                                                               fundamental para a obtenção de um consentimento
                                                               informado, única forma de ajustar as expectativas dos
                                                               doentes aos resultados previsíveis, assim como de evi-
                                                               tar quaisquer questões médico-legais. Em particular a
                                                               discussão dos défices neurológicos dos pares cranianos
                                                               envolvidos é fundamental. Por exemplo, o risco de pneu-
                    FIG. 1                                     monia de aspiração é muito menor no doente que já
                                                               apresente um défice importante no X par, com disfonia,
                                                               disfagia e pequenos engasgamentos (aspirações) do que
                                                               naquele doente que tenha essas funções conservadas na
                                                               pré-operatório, e no qual o défice vai ter uma instalação
                                                               abrupta.
                                                                  Todos os tumores pertenciam as classes C e D da
                                                               classificação de Fisch (Quadro 3) e foram operados pela
                    FIG. 2                                     Via da Fossa Infratemporal tipo A.


                                                                                          VOL 47 • NI  • MARCO 2009 27
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