Page 24 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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• Carla d'Espiney Amaro, et al
fossa infratemporal e/ou erosão da base do craneo. Ern certos tumores residuais tem sido utilizado por
No tratamento procura-se essencialmente a remoção vezes a radiocirurgia "gamma knife" estereotáxica com
completa do tumor (3, 4, 14, 17-20). A abordagem cirúrgica deve bons resultados a curto prazo ("). Poderá ser no futuro
ser escolhida de forma a obter melhor exposição do angiofi- um forte aliado no pós-operatório nos casos de tumores
broma. Scholtz et al propuseram um conjunto de abordagens em estadio avançados.
cirúrgicas de acordo com a localização do tumor (18) (tabela No estudo presente, a abordagem mais utilizada foi
a de Rouge-Denker, por vezes em associação a outras
A cirurgia endoscopica transnasal tem sido a abor- abordagens. Com taxas iniciais de persistência de 25.9%
dagem cirúrgica prosposta por certos autores para an- (7 doentes) e de recidiva de 11.1% (3 doentes), nos 6
giofibromas com envolvimento da rasofaringe, cavidade doentes sumetidos a segunda intervenção houve remo-
nasal e seios perinasais (3,1'). No entanto, com o desen- ção completa do tumor sem descrição de recorrências
volvimento do material endoscopico, esta abordagem durante o follow-up em 4 doentes. Nos restantes 2 do-
tem sido preconizada em tumores com extensão, não so, entes com persistência de tumor nos quais se realizou
a fossa pterigopalatina m), como também a fossa in- segunda cirurgia verificou-se presença de tumor residu-
fratemporal '21,, desde que seja feita uma boa emboliza- al que, no entanto, não ocasionava sintomatologia nos
ção pré-operatória. Esta técnica tem também sido usada doentes. Por inoperabilidade do tumor, optou-se pela
em associação a outras abordagens, nomeadamente a realização de RT noutro doente com persistência de tu-
"Midfacial Degloving", de forma a permitir uma melhor mor com redução do volume tumoral e desaparecimento
visualização dos limites do tumor 61). Possibilita também das queixas. Em 2 doentes com persistência do tumor
a laqueação dos vasos que nutrem o tumor e menores optou-se por não submeter o doente a uma segunda
perdas de sangue durante o tempo operatório, contri- intervenção constatando-se involução completa do an-
buindo, todos estes factores, para uma menor morbili- giofibroma durante o follow-up. Considerando todas as
dade do doente e menor taxa de recidiva (18,22). intervenções médicas realizadas, em 5 doentes (18.5%)
A via transpalatina é limitada aos tumores com ex- houve persistência/ recidiva do tumor, sendo que em 2
tensão à nasofaringe, cavidade nasal e seio esfenoidal (3, doentes observou-se involução espontânea do tumor.
181. Alguns casos de fístula palatina persistente no Os- A realização de angiografia com embolização pre-
operatório têm sido descritos referentes a esta via '19'. via a cirurgia é vista por alguns autores como um factor
A via de Rouge-Denker ou via vestibular transantro- favorável à recidiva. Em 20 doentes com angiofibroma
nasal tem sido a abordagem mais utilizada em tumores invadindo a fossa infratemporal com ou sem extensão
confinados a fossa nasal, nasofaringe, seios perinasais, intra-craneana extradural, procedeu-se a remoção do
orbita, fossa pterigopalatina e partes internas da fossa tumor pela via " Midfacial Degloving" sem embolização
infratemporal e seio cavernoso (3, 19' 29). A perda hemorrá- prévia '22). Registaram uma perda média de 1 litro de
gica durante o tempo operatório não é significativa e as sangue por doente durante o tempo operatório. Detec-
complicções tardias raramente descritas. taram recidiva de tumor em 2 casos. No entanto, ou-
Quando o tumor tem uma maior extensão à fossa tros autores afirmam que a embolização prévia permite
infratemporal e a parte externa do seio cavernoso, deve maior facilidade na técnica cirúrgica e menor perda de
ser considerada a abordagem midfacial degloving (3.4. 14, sangue intraoperatóriamente '18,24).
17, 18, 20). A anestesia ou hipostesia infraorbitária é por ve- Apesar de existir uma forte correlacção entre a an-
zes descrita nesta técnica mas são situações maioritaria- giografia com embolização prévia e os casos de persis-
mente temporárias. tência no nosso estudo, nao foi estatisticamente signi-
Serão necessários outros tipos de abordagens ci- ficativo. Sera de salientar, contudo, que estes doentes
rúrgicas nos tumores com maior envolvimento da fossa terão sido operados por diferentes cirurgiões. Tendo em
infratemporal e/ou fossa média craneana, nomeada- conta a bibliografia e esta correlacção positiva, podere-
mente, as vias de acesso infratemporal e a ressecção mos de futuro considerar a opção de reservar a embo-
craniofacial transfacial (3, 18' 2°' 22). Nestes casos estão des- lização prévia a cirurgia nos tumores em estadios mais
critas algumas complicações dependendo das estruturas avançados.
envolvidas nas abordagens como as dismetrias faciais,
hipostesias faciais ou estenose do canal lacrimal. Sendo CONCLUSÃO
a taxa de recidiva fortemente influenciada pela exten- Apesar de se tratar de um tumor vascular benigno, dado
são intracraneana, a possibilidade da remoção completa a sua elevada morbilidade, o tratamento para o angio-
do tumor por estas vias é bastante atractiva para alguns fibroma deve ser cirúrgico. A abordagem cirúrgica deve
autores, dependendo contudo da experiência da equipa ser escolhida de acordo com a localização do tumor de
cirúrgica. forma a ser possível a sua remoção completa. As vias
22 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

