Page 21 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 44. Nº4
P. 21

RUI  CEREJEIRA, SOF IA PAIVA, PAULO GONÇALVES, MANUEL R ITO, FRANCISCO BELO,
           LIMA GOUVEIA, ANTÓNIO P AIVA





              Destes,  7  foram re-operados para reparação    dados.  Não foi determinada a duração do inter-
           de  fístulas  de  Líquido  Cérebro  Raquidiano     namento nem  foram  identificadas as complica-
           (LCR),  enquanto  que  1  O necessitaram  de  nova   ções  pós-operatórias médicas.
           cirurgia por recidiva tumoral. As queixas de dor      Outros dados como co-morbilidades também
           ou  desconforto  nasal  no  pós-operatório  foram   não foram  analisados.
           mínimas com o destamponamento a  ser realiza-         Por  outro  lado,  não  é  possível  fazer  uma
                              2
                       2
           do entre o 5 e o  7 dia de pós-operatório.         análise  de  prognóstico  de  forma  prospectiva
                                                              uma vez que o  período analisado é curto.
                                                                 Serão necessários mais estudos para avaliar
           DISCUSSÃO                                          factores de risco de complicações médico-cirúr-
                                                              gicas que afectam  a  duração do internamento
              N os  HUC, a  via de acesso baixa aos tumo-     e o  prognóstico.
           res  da  região  selar  utilizada  é  a  endonasal-
           transfenoidal.
              Para  isso concorrem vários factores: permite   CONCLUSÕES
           uma exposição excelente  da se/la  turcica,  bem
                                                1
           como  uma  boa  exposição  supra-selar ;  é  uma      A  via de acesso transfenoidal à  se/la turcica
           técnica  de execução  rápida;  não  necessita  de   continua  a  ser  um  método  privilegiado para o
           uma incisão oral (como a abordagem sublabial       tratamento cirúrgico de inúmeras causas de pa-
           transfenoidal); e a  recuperação é rápida e sem    tologia selar. Nos HUC utiliza-se a via endona-
           cicatriz visível.                                  sal  (trans-septal),  sendo  uma  abordagem  efi-
              Os nossos resultados indicam uma percenta-      caz,  com  baixa  incidência  de  complicações
           gem de complicação por fístula  de LCR  (3,8%)     cirúrgicas,  nomeadamente  fístulas  de LCR.
           sobreponível às de outros centros de referência       Mais estudos serão necessários para avaliar
                         3
           (0,5  a  15,0%) e confirmam o elevado sucesso,     a  influência dos factores individuais (por exem-
           da via de abordagem utilizada, na remoção efi-     plo,  co-morbilidades)  na  taxa  de  sucesso  do
           caz da patologia tumoral da se/la turcica.         tratamento  cirúrgico  e  risco  de  complicações
              A cooperação multidisciplinar entre Otorrino-   médico-cirúrgicas  pós-operatórias,  bem  como
           laringologistas,  Neurocirurgiões  e  Endocrinolo-  para  uma  análise  de  prognóstico  de  forma
           gistas  é  fundamental,  não só  para  a  avaliação   prospectiva.
           criteriosa das indicações cirúrgicas e determina-     A actuação multidisciplinar de médicos otor-
           ção da via de abordagem, mas também para o         rinolaringologistas,  neurocirurgiões  e  endocri-
           acompanhamento pós-operatório destes doentes,      nologistas  é  fundamental  para  a  decisão  e
           muitas vezes necessário durante toda a  vida.       preparação  pré-operatória,  bem  como  para
              Esta  análise apresenta, no entanto, algumas     um  adequado  acompanhamento  pós-opera-
           limitações devido à  falta  de  registo  de alguns   tório dos doentes.

            REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS                      2     Portmann  M.  Traité  de  technique  chirurgi-
                                                                   cale  O.R.L.  et  cervico-faciale.  Tome  2  nez
                  Das  K,  Spencer  W,  Nwagwu  Cl,  Schaef-       et face.  Masson  1983, p297-8.
                  fer  S,  Wenk  E ,  Weiss  MH,  Couldwell  W T.   3   Shiley  SG,  Limonadi  F ,  Delashaw  JB,  Bar-
                  Approaches  to  the  sellar  and  parasellar     nwell  SL,  Andersen  PE,  Hwang  PH,  Wax
                  region :  anatomic  comparison  of  endona-      MK.  lncidence,  etiology  and  management
                  sal-transsphenoidal,  sublabial  transsphe-      of  cerebrospinal  fluid  leaks  following  trans-
                  noidal,  and  transethmoidal  approaches.        -sphenoidal  surgery.  Laryngoscope  2003
                  Neurol Res.  2001  Jan;  23(1):  51-4.           Aug;  11 3(8): 1283-8.


           ---356------------------------------------------------------
   16   17   18   19   20   21   22   23   24   25   26