Page 35 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 63. Nº2
P. 35

d) Grupo 3b – Terapêutica sistémica               Resultados
          endovenosa + Terapêutica tópica                   Durante    o   período   do   estudo    foram
          fluoroquinolona;                                  colhidos 520 exsudados de ouvido tendo
          e) Grupo 4a – Terapêutica sistémica oral +        sido  identificados  37  culturas  resistentes  às
          Terapêutica tópica não-fluoroquinolona;           fluoroquinolonas,  representando  7,1%  dos
          f) Grupo 4b – Terapêutica sistémica               exsudados.  Destes,  54,1%  (n  = 20)  foram  do
          endovenosa + Terapêutica tópica não-              ouvido esquerdo e 45,9% (n = 17) do direito,
          fluoroquinolonas.                                 45,9% (n = 17) no género feminino e 54,1%
                                                            (n = 20) do género masculino. Não foram
          A terapêutica tópica com quinolonas consistiu     identificadas   diferenças   estatisticamente
          na  aplicação  de  Ciprofloxacina  3  mg/ml  +    significativas  em  relação  ao  género  e  à
          Acetonido  de  fluocinolona  0,25  mg/ml  ou      lateralidade. Os principais agentes etiológicos
          Ofloxacina 3 mg/ml + Fosfato de dexametasona      identificados    foram    a    Pseudomonas
          1 mg/ml ou Ofloxacina 3 mg/ml. A terapêutica      aeruginosa (56,7%), a  Escherichia  coli (18,9%)
          tópica não-quinolonas consistiu na aplicação      e o  Corynebacterium  amycolatum (8,1%). A
          de Acetonido de Fluocinolona 0,25 mg/ml +         frequência de todos os agentes identificados
          Sulfato de Neomicina 3,5 mg/ml + Sulfato de       encontra-se descrita na Tabela 1.  A infeção por
          Polimixina  B  10  000  U.I.  /ml  ou  Gentamicina   Pseudomonas aeruginosa apresentou uma
          3,0 mg/ml + Fosfato sódico de Dexametasona        associação significativa com a necessidade de
          1,0  mg/ml  ou  preparados  manipulados  com      internamento (p < 0,05) e com a doença em
          álcool boricato. Os dados foram analisados        pacientes diabéticos (p < 0,05).
          usando o Statistical Package for Social           O diagnóstico clínico mais frequente foi a otite
          Sciences (SPSS) versão 28.0 (SPSS Inc, IBM,       média crónica agudizada em 40,5% dos casos
          Armonk, NY). Foi considerado um valor de p        (n = 15), seguido da otite externa em 37,8% dos
          < 0,05 como estatisticamente significativo. O     casos (n = 14), da otorreia associada a tubo de
          teste Qui-quadrado foi utilizado para comparar    ventilação transtimpânico em 16,2% dos casos
          duas  proporções  categóricas.  O  teste  Mann-   (n = 6) e da otite média aguda supurada com
          Whitney  foi  utilizado  para  comparar  duas     11,8% dos casos (n = 2).
          amostras independentes. O teste Q de Cochan       Em relação às taxas de sucesso dos diferentes
          foi utilizado para comparar dados categóricos     esquemas terapêuticos, o grupo 1 (terapêutica
          dicotómicos entre os diferentes grupos            tópica   fluoroquinolona)   apresentou    um
          terapêuticos.                                     sucesso de 11,1%, o  grupo 2 (terapêutica
                                                            tópica não-fluoroquinolona) de 31,3%, o grupo
                                                            3a (terapêutica sistémica oral + terapêutica



          Tabela 1
          Frequência (número e percentagem) das bactérias resistentes às fluoroquinolonas

          Agente identificado                                           % isolamentos (n = 37)
          Pseudomonas aeruginosa                                             56,7% (n=21)
          Escherichia coli                                                   18,9% (n=7)
          Corynebacterium amycolatum                                          8,1% (n=3)
          Achromobacter xylosoxidans                                         2,7% (n=2)
          Klebsiella pneumoniae                                               2,7% (n=1)

          Arcanobacterium haemolyticum                                        2,7% (n=1)
          Morganella morganii                                                 2,7% (n=1)
          Turicella otitidis                                                  2,7% (n=1)


                                                                                     Volume 63 . Nº2 . Junho 2025 139
   30   31   32   33   34   35   36   37   38   39   40