Page 20 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 63. Nº2
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a evitar a posição supina após a terapia resultados semelhantes à literatura
posicional, sendo que alguns não precisam de publicada 14-16 . Não conseguimos encontrar
usar regularmente posicionadores, enquanto diferença estatisticamente significativa entre
outros necessitam de um treino periódico ou as características da população e o sucesso/
consistente para adquirir a aprendizagem do insucesso da TP. A amostra reduzida pode
posicionamento não supino durante o sono. ser um fator que justifique estes resultados.
A terapia posicional é reversível, com efeitos A nossa população respondedora (4 SAHOS-P
adversos praticamente inexistentes. Deve ser ligeiro e 3 SAHOS-P moderado) apresentou,
eficaz na redução do IAH, bem tolerada, não em média, redução do IAH de 15,11/h para
perturbando o sono e se possível até melhorá- 5,07/h com valor de p=0,001; do IDO de 15,03
lo . A adesão a longo prazo pode ser baixa, para 7,1 com valor de p=0,002; percentagem de
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no entanto, num estudo de Van Maanen e de permanência em posição não supina de 47,2%
Vries , onde foram incluídos 145 doentes com para 80,8% com valor de p=0,002; verificou-
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SAHOS-P ligeiro a moderado sob TP durante se também melhoria em 2 pontos do PSQI-
6 meses, a adesão durante esse período PT de 9 para 7. Num estudo de Van Maanen
foi de 64,4%. No nosso estudo, os doentes e de Vries , foram incluídos 31 doentes com
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usaram o posicionador em média 6 horas SAHOS-P de grau ligeiro a moderado, sob TP
por noite. No entanto tivemos 4 desistências com banda vibratória torácica durante 1 mês,
por incapacidade de adaptação à tecnologia tendo ocorrido redução da posição supina
vibrátil para mudança de posição, o que durante o sono de 49,9% para 0%; diminuição
representa 25% da população inicial prevista do IAH em média de 16,4/h para 5,2/h, sendo
para o estudo. Dos doentes que concluíram que 15 doentes apresentaram um IAH<5/h.
o estudo, 5 (45,45%) referiram dificuldade em Noutro estudo dos mesmos autores , foi
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adaptação por despertares provocados pela reportada uma redução da posição supina
vibração, 2 (18,18%) referiram dores lombares para 3%, melhoria dos índices de sonolência:
devido à permanência em posição de decúbito valores medianos da Escala de Epworth de 11
lateral, 4 (36,36%) não referiram qualquer para 8 e do PSQI de 8 para 6, no entanto, neste
desconforto. Nos doentes que referiram estudo não foi avaliado o impacto no IAH após
aumento de despertares não foi verificado TP. Bignold et al. , selecionaram 15 doentes
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agravamento na pontuação do PSQI-PT. No com SAHOS-P, com IAH em média superior
entanto, os nossos resultados não são tão a 15/h, submetidos a TP durante 1 semana
animadores quanto os publicados na literatura com banda torácica vibratória seguida de
relativamente à facilidade na adaptação e boa 1 semana de descanso. Obteve resultados
adesão à terapia posicional 10,14,15,17 . com redução na posição supina de 19,3%
No nosso estudo foram incluídos doentes com para 0,4%, redução no IAH em média de 25/h
SAHOS de grau ligeiro, moderado e 1 doente para 13,7/h, no entanto, não foram registadas
com SAHOS grave (que apresentava SAHOS- alterações na frequência da roncopatia. No
Pe). Neste último, apesar de ter havido redução nosso estudo verificou-se uma melhoria da
do IAH em 8/h após a TP, não obteve sucesso percentagem de roncopatia nos doentes com
com TP, o que vai de encontro à literatura SAHOS de grau ligeiro, em média, de 22,9%
publicada que refere que a TP é indicada e para 16,7% e na população respondedora,
apresenta bons resultados na SAHOS de grau de 17,3% para 11,7%, sem redução com valor
ligeiro a moderado. A inclusão deste doente estatisticamente significativo. Alguns autores
também agravou os valores médios (IAH e sugerem que a terapia posicional é uma
IDO) da população 10-18 . excelente alternativa à terapia com CPAP,
Tal como Van Maanen e de Vries , verificámos nos doentes com SAHOS-P de grau ligeiro
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a existência de doentes bons respondedores a moderado 10,17-18 , com boa adesão à TP e
a TP e doentes não respondedores, com resultados satisfatórios na redução do IAH.
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